FREQUÊNCIA GLOBAL – VOLUME 2

Por Liber Paz
Data: 1 dezembro, 2012

FREQUÊNCIA GLOBAL - VOLUME 2

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Warren Ellis (roteiro), Simon Bisley, Chris Sprouse, Karl Story, Lee Bermejo, Tomm Coker, Jason Pearson, Gene Ha e Brian Wood (arte) e David Baron e Art Lyon (cores) – Originalmente em Global Frequency # 7 a # 12.

Preço: R$ 42,00

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Maio de 2012

 

Sinopse

Detonação – A Frequência Global luta para impedir um atentado terrorista em Berlim.

Na aventura seguinte, Miranda Zero é feita refém e sua equipe tem uma hora para resgatá-la com vida.

Na terceira história, O agente Takashi Sato infiltra-se em um centro médico isolado por uma misteriosa emergência.

Superviolência – O confronto entre dois agentes virtualmente invencíveis.

Aleph – A central de operações da Frequência Global é invadida e Aleph precisa se virar sozinha contra um grupo de assassinos.

Arpão – Um antigo projeto militar secreto pode causar a morte de milhões de pessoas.

Positivo/Negativo

“Coletividade” é a palavra-chave para entender Frequência Global.

Trata-se de uma organização de 1001 agentes espalhados pelo planeta, cada um com uma habilidade específica. Quando surgem situações de ameaça em grande escala, essas pessoas são mobilizadas de acordo com seus talentos.

Com essa premissa, Warren Ellis escreveu 12 histórias nas quais não há um protagonista convencional, mas sim uma equipe que muda constantemente de um episódio para outro.

As únicas personagens fixas são Miranda Zero e Aleph. A primeira coordena as ações, a segunda conecta os agentes.

À maneira de Miranda e Aleph, Ellis é o orientador e elo constante ao longo dos episódios, cada um desenhado por um artista diferente.

Por isso, cada aventura de Frequência Global proporciona surpresas. Os desafios são resolvidos por pessoas diferentes, que nem sempre chegarão vivas ao final da missão.

O mundo não é salvo por um único herói, por um escolhido divino, mas sim pela ação coletiva. Esse é o grande mérito da série: valorizar o trabalho em grupo como a solução para os problemas, deixando de lado o cânone do “protagonista” como indivíduo especial.

Na Frequência Global, todos são importantes e colaboram no trabalho, tanto o agente que se expõe ao fogo inimigo quanto o que aparece em apenas um quadrinho para dar uma informação crucial.

O resultado são tramas impactantes e independentes entre si. É o caso do episódio sem título, em que o agente Takashi Sato precisa resolver uma questão de emergência em um centro médico.

Com arte de Lee Bermejo, a trama tem uma intensa carga de tensão, suspense e horror. O ritmo de acontecimentos é rápido e a conclusão brutal. Talvez o melhor episódio da coletânea.

Por outro lado, Superviolência se resume a uma luta sanguinolenta entre duas pessoas que praticam biofeedback. O conceito é explicado na trama, mas é usado apenas como muleta para a briga. A arte de Tomm Coker é ótima, mas, ainda assim, parece que falta algo à trama. Tem-se a impressão de que se está diante de uma história de Wolverine contra Dentes de Sabre, mas sem os dois.

Se por um lado Warren Ellis apresenta tramas criadas com base na ação coletiva e em conceitos inovadores, por outro ele se mantém fiel a velhos estereótipos. Existem “vilões”, sejam terroristas, extremistas ecológicos ou militares mal informados. A ideia do “mal” na forma de uma ameaça que precisa ser detida é apresentada de maneira bastante tradicional.

Também é curioso notar como a jovem Aleph, sedentária e sempre sentada à frente de um computador, mantém um corpinho extremamente enxuto e esbelto.

No traço de Jason Pearson, Aleph é uma hot girl, de barriguinha de fora, seios firmes e fartos e traseiro rechonchudo. Não que os fãs masculinos vão reclamar, mas é o tipo de estereótipo que Ellis também poderia questionar.

Assim, é fato que Ellis propõe ideias instigantes e fora do padrão, mas também oferece a receita clássica da “diversão garantida”: cenas de ação espetaculares, personagens com muitas frases de efeito e visual provocante.

Em praticamente todas as aventuras os agentes estão correndo contra o tempo ou mergulhados em uma perseguição frenética, em ritmo alucinante com resultados imprevisíveis.

Tudo isso culmina em uma série empolgante, surpreendente e divertida, que se por um lado apresenta algumas soluções convencionais, por outro instiga o leitor com propostas e conceitos bem interessantes.

A presente coletânea reúne as seis últimas histórias da série. Em comparação com o primeiro volume, os roteiros mantêm a qualidade. Quanto à arte, há uma sensível melhora. Bermejo, Coker, Pearson, Ha e Lyon capricharam no seu trabalho e isso salta aos olhos.

Mas fazem falta os créditos dos desenhistas, que apareciam na última página das edições avulsas e que foram apagados nas coletâneas.

Frequência Global é mais uma série concluída pela Panini (mesmo tendo um intervalo de dois anos entre as edições) e disponível com ótima qualidade para o público brasileiro.

 

Classificação:

4,0

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