FRONT # 9

Por Mário César
Data: 1 dezembro, 2006


Autores: Allan Sieber, Hector Lima, Negreiros, Marcelo de Andrade, Darisbo, Bueno, Caco Galhardo, Caco Xavier, Custódio, Jinnie Anne, Fábio Moon e Gabriel Bá, Kipper, Kitagawa, Laurides, Maringoni, Maxx, Nana, Orlando, Samuel Casal, Fábio Zimbres, Orlandeli, Jal, Galvão, Nana, Renata Saladino, Arthur de Carvalho, Maxx Figueiredo (roteiro e arte).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Fevereiro de 2002

Sinopse: Cada edição de Front gira em torno de um tema sobre o qual seus autores desenvolvem quadrinhos, contos e ilustrações.

Desta vez, o assunto é o amor e suas várias facetas.

Positivo/Negativo: Juntar autores tão diferentes costuma gerar publicações sem homogeneidade e com desnível entre os trabalhos. Não é diferente com esta edição, mas felizmente a maré foi favorável e o tema inspirador. Os trabalhos variam do bom ao excelente e raramente deixam a peteca cair.

Fábio Moon e Gabriel Bá abrem com o pé direito. É tarde demais para café é bela e melancólica, uma aula de narrativa. O roteiro e a arte têm a competência habitual dos gêmeos, um dos grandes momentos do álbum.

Segue com o divertido conto Um dia ele acordou duro, de Hector Lima, e a boa HQ com ares de Nelson Rodrigues A mulher do Vilmo, de Maringoni.

Em seguida, Negreiros presenteia o leitor com duas ótimas páginas, nas quais registra um singelo momento de intimidade de um casal, uma pequena pérola.

Caco Galhardo apresenta sua versão do Túnel do Amor com o bom humor e a ironia de sempre, diversão garantida ou seu dinheiro de volta.

O Segredo do meu sucesso, de Fábio Zimbres, se mantém com um roteiro cruel e envolvente.

Em Estação Paraíso, pai e filho discutem suas desavenças. Uma HQ bem desenhada, porém seu argumento não deslancha. Há ainda um quadro da penúltima página que é um detalhe de um anterior ampliado. O resultado não foi muito feliz, pois a imagem ficou “estourada”.

Daniel Bueno recupera o fôlego da edição com um trabalho divertido e diferente.

Meu anjo, de Orlandeli, aborda crenças religiosas com um humor fino e inteligente, o melhor conto da edição.

Ala dos namorados (de Jinnie Anne e Custódio) narra com competência uma grande conquista de Portugal e a grande perda de um homem na Batalha de Aljubarrota.

Kitagawa, premiado com o HQ Mix de desenhista revelação de 2002, mostra habilidade em uma tragédia repleta de ironias, outro grande momento da edição.

Com exceção da última página, Allan Sieber foge completamente do tema, mas são dele algumas das frases mais hilárias como “Tua mãe me paga em cu!” e “Se Deus existisse mesmo, esse filho da puta caía morto”. Humor negro e corrosivo de primeira.

Contrastando com a acidez de Sieber, Caco Xavier apresenta Como se fosse uma carta de amor, um belo poema em forma de quadrinhos.

Kipper e Nana contam a história de Laura e Adolfo, um bom roteiro valorizado pela ótima arte cartunesca de Kipper.

No instigante conto A experiência, há novamente uma ampliação (desta vez de uma ilustração presente na página seguinte) que resultou em mais uma imagem “estourada”.

Samuel Casal e sua arte vetorial criam outro bom momento com a HQ A.nônimo A.mor.

O conto Claudinha, de Arthur de Carvalho, entra no universo masculino sem cair em estereótipos. Infelizmente, a diagramação tem alguns pontos falhos nestas duas páginas (fonte grande demais, a ilustração quebra algumas linhas de um parágrafo – atrapalhando a leitura – e o espaçamento entre os parágrafos não é uniforme) e foge do padrão dos demais da edição.

A última HQ é a erótica Todo amor tem seu fim, de Maxx Figueiredo. A arte salta aos olhos com técnicas mistas de desenho e pintura.

Outro ponto positivo são as várias ilustrações usadas para intercalar as HQs e contos. Não são apenas imagens bonitas, têm conteúdo e divertem. Além disso, várias frases e citações sobre o amor preenchem o rodapé das páginas.

Fechando a edição, há um texto sobre como se tornar um quadrinhista em 30 dias com o grande método Satan Lee! Impagável!

A escolha da capa (assinada por Orlando) também foi certeira: um marinheiro com uma tatuagem de coração no braço e o título A Maré…pero sin perder la ternura jamás. A ilustração do verso (assinada por Kipper) também é excelente e em uma das orelhas há uma casca de amendoim com um sugestivo bilhete escrito fui!.

Uma curiosidade: a Front começou pelo número 7, esta é sua terceira edição e não a nona. Foi uma forma de driblar a chamada “maldição do número 1” no mercado brasileiro. Até agora, parece ter funcionado, pois mesmo com atrasos entre algumas edições (foram dez até o momento), se mantém no mercado desde maio de 2001.

Esta edição faz valer seu preço de capa e todos os prêmios que ganhou em 2002: HQ Mix de Projeto Editorial, Revista Mix e Desenhista Revelação. O resultado é acima de média da própria publicação, e pode agradar até mesmo um público pouco acostumado com quadrinhos.

 

Classificação:

4,0

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