Garage Band

Por Vitor Mazon
Data: 19 dezembro, 2008
MATERIAL IMPORTADO

 

Garage BandEditora: First Second – Edição especial

Autores: Gipi (roteiro e desenhos).

Preço: US$16,95

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Abril de 2007

Sinopse

Quatro amigos montam uma banda para fugir dos problemas dentro de suas casas. Com um acordo para ficar fora de problemas, o pai de Giuliano deixa que os garotos ensaiem na garagem.

Agora que eles têm o seu próprio espaço e a chance de gravarem a sua demo. Mas quando a oportunidade de um contrato com uma gravadora aparece e o amplificador queima, os jovens tomam uma decisão que muda rapidamente toda a situação. Podendo por um fim a tudo que alcançaram.

Positivo/Negativo

Garage Band é a terceira graphic novel do italiano Gipi (Gianni Pancionotti). Suas histórias já lhe renderam reconhecimento mundo afora e muitos prêmios, incluindo o de melhor livro no Festival de Angoulême de 2006. Enquanto isso, no Brasil, ele permanece uma incógnita.

O grande destaque no trabalho de Gipi está na sua arte. O traço possui uma simplicidade, chegando a ser bastante informal e lembrando as aquarelas de crianças no primário. Usando lápis e aquarela, ele constrói imagens realistas e belas que transmitem não apenas o cenário da trama, mas também criam uma ponte para aquele mundo.

Em Garage Band, os quadros passam ao leitor a ansiedade e a melancolia dos quatro jovens que procuram se encaixar no mundo ao mesmo tempo em que lidam com relações familiares conturbadas e a esperança de que a música seria uma resposta para os problemas da adolescência.

O autor faz um uso inverso da música, criando quadros silenciosos, mas ao mesmo tempo cheios de energia e fúria, tudo graças ao seu traço informal.

Tendo como ponto de partida um acontecimento um tanto clichê nas histórias sobre adolescência e a chegada da vida adulta, Gipi mostra o seu poder narrativo, pegando um lugar-comum e explorando-o de forma diferente.

Se a música se mostra como uma escapatória para os personagens quando tudo acaba errado e a narrativa tem a chance de cair no drama ou em um final feliz forçado, a solução encontrada é muito mais simples e lógica; e valoriza ainda mais a realidade na qual a trama se passa.

Com a união de uma bela arte e um roteiro bem elaborado, Gipi constrói um ambiente de realismo surreal, apresentando de forma sensível a entrada na vida adulta e o abandono dos sonhos da adolescência.

First Second fez um ótimo trabalho na publicação do material. Usando papel especial e com uma seção de esboços no final.

Classificação

4,0

• Outros artigos escritos por

.