GARAGEM HEMÉTICA # 3

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: GARAGEM HEMÉTICA # 3 (Sócios
Ltda.
) – Revista independente

Autores: Mais um dia comum – Nobu Chinen (roteiro) e Kleber de Souza (arte);

Noite de circo – Luigi Colafigli (roteiro e arte);

Próximo ponto, o amor – Devis (roteiro e arte);

Interlúdio – Edu Mendes (roteiro e arte);

Grandes poderes – Cadu Simões (roteiro)e Jeff Batista (arte);

Tendências – Luigi Colafigli (roteiro e arte);;

Tentáculos – Daniel Esteves (roteiro) e Caio Majado (arte);

Outono descartável – Fábio Santos (roteiro e arte);

Pulga – Celão (roteiro e arte).

Preço: R$ 3,00 (em comic shops), R$ 4,00 (com entrega via correio)

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Julho de 2007

Sinopse: Coletânea de histórias curtas, fechadas e independentes. O clima geral da revista é de humor, mas sua verdadeira proposta é trazer HQs com estrutura narrativa variada, apresentado novos autores nacionais.

Positivo/Negativo: Das várias revistas independentes que têm saído a Garagem Hermética é uma das mais difíceis de avaliar.

Com uma série de histórias curtas e sem organização e padrões, a revista é um verdadeiro caos editorial. Por um lado isso dá certo, no sentido de que qualquer leitor que pegar a revista vai encontrar pelo menos uma história que lhe agrade. Por outro, a revista fica sem uma identidade que poderia cativar o leitor.

Uma vantagem desta edição em relação às outras é que a qualidade das histórias atingiu um nível melhor. Não há uma HQ ruim. Existem inúmeros problemas, mas os roteiros estão fechados e, principalmente a arte, está mais bem acabada, deixando a revista com um visual mais interessante.

A revista abre bem séria, com uma história escrita por Nobu Chinen. O roteirista faz um jogo de idéias comparando a rotina de uma pessoa de classe média, em que quase nada lhe atinge, com a de trabalhadores e outras pessoas oprimidas, sempre encontrando mais pobreza e opressão em suas vidas. A idéia é bacana, contudo, o desenho deixou bastante a desejar e não combina muito com o peso que tem o texto.

Luigi Colafigli tem duas histórias na revista e conseguiu se destacar pela melhoria na sua arte. Seu traço está mais definido, com um jogo visual bacana. As tramas estão bem impactantes, mas Noite de Circo não conseguiu apresentar uma idéia e uma crítica tão definida como Tendências.

Esta edição em especial está bem interessante para leitores de super-heróis – as melhores histórias da revista são ligadas ao gênero: Interlúdio, Grandes Poderes e Tentáculos.

Interlúdio, de Edu Mendes, tem uma idéia genial que mostra um verdadeiro herói na vida real. A sacada do título e da forma de fazer a narrativa, como algo que se passa entre uma história de aventura, é fantástica. Mendes ainda precisa definir melhor o seu desenho. Ele tem conceitos estéticos excelentes, mas falta um trabalho mais apurado no traço.

Grandes Poderes e Tentáculos se destacam pela arte. No roteiro, a primeira é uma página do hilário Homem-Grilo; e a segunda tem uma idéia bacaninha de mostrar duas pessoas normais conversando em uma cidade onde acontecem vários confrontos de super-heróis. As HQs são engraçadas, mas não têm um texto tão chamativo quanto o desenho.

Também chamam a atenção as matérias, cada vez melhores. Como sempre, há uma pesquisa interessante de Nobu, dois textos dando um panorama da situação atual da Gibiteca Henfil e um pequeno checklist de independentes.

Classificação:

4,0

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