GARAGEM HERMÉTICA # 2

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: GARAGEM HERMÉTICA # 2 (Sócios
Ltda
) – Revista independente

Autores: Vida e Morte – Heringer (roteiro) e Bira Dantas (arte);

Eterno – Rodrigo Alonso (roteiro) e Felipe Cunha (arte);

Cidade Kemel: a história do porvir – Luciano Vieira Francisco (texto) e Patrícia Freire de Almeida (arte);

A desencarnação de Stella Schunk – Fabiano Gummo (roteiro e arte);

Fragmentos – Edu Mendes (roteiro e arte);

Quadrinhos: Independência ou Morte – Nobu Chinen (texto);

Always look on the bright side of life – Cadu Simões (roteiro), Jeff Batista e Ricardo Marcelino (arte);

Frio e Doce – Fábio Santos (roteiro e arte);

O melhor trabalho do mundo – Kleber de Souza (roteiro e arte).

Preço: R$ 3,00 (em comic shops) ou R$ 4,00 (com entrega via correio)

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Fevereiro de 2007

Sinopse: Coletânea de histórias curtas, fechadas e independentes.

O clima geral da revista é de humor, mas sua verdadeira proposta é trazer HQs com estrutura narrativa variada, apresentado novos autores nacionais.

Positivo/Negativo: É sempre bom ver uma revista independente chegar ao segundo número. Da primeira edição para cá, houve uma certa preocupação com a qualidade do material publicado, além de uma busca de artistas mais conhecidos para participar, como Bira Dantas.

Contudo, a revista ainda deixa a impressão de que falta algo conectando as histórias. Talvez a principal diretriz da Garagem Hermética, de ter diversos estilos, seja sua grande falha, pois não há harmonia; não existe nada que justifique que uma HQ esteja ali e não outra qualquer.

Ao invés de se mostrar uma revista democrática, com espaço para todos os artistas, acaba sendo algo anárquico, com espaço para qualquer história.

Para explicar melhor isso, basta analisar a capa feita por Camila Torrano. A ilustração mistura diversas referências e estilos, mas eles harmonizam entre si, as linguagens visuais se complementam e formam um todo que funciona como algo novo. É isso que falta para a Garagem: encontrar um foco que dê uma liga entre as histórias.

A proposta de ter vários estilos é ótima, mas, apesar de estarem todos agrupados em uma mesma “casa”, eles não “convivem”. Qualquer leitor pode gostar de uma ou mais histórias, mas não conseguirá ver um conjunto. Assim, continuará curtindo o mesmo estilo de que sempre gostou e não aprenderá como outras idéias podem se conectar.

A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar. Justamente por não prepará-lo para entender sua proposta, para gostar tanto de um traço mais torto, mais estilizado, quanto de um desenho “convencional”. Isso dificulta a criação de um público para a revista.

Sobre as histórias, há as mais “comerciais”, como Vida e Morte, Eterno, Always look on the bright side of life e O melhor trabalho do mundo, que fazem a linha do “independente limpinho” que foi virando moda nos últimos tempos.

Desse conjunto, tirando Kleber de Souza que ainda tem muito chão pela frente para criar um estilo mais pessoal, os outros desenhistas estão bem encaminhados. Sem contar Bira Dantas, cartunista profissional há um bom tempo, que foi uma ótima escolha para abrir a revista.

Eterno é dos talentosos Rodrigo Alonso e Felipe Cunha, mas eles “escorregam” nesta edição. O desenho de Felipe já se mostrou bem mais refinado e definido. Nota-se, inclusive, uma queda brusca de qualidade das duas primeiras e boas páginas, para as últimas, que parecem ter sido feitas às pressas.

Rodrigo, apesar da excelente e poética frase “Deus (…) quando eu crescer não me permita ser tão pequeno…”, que fecha uma bela observação sobre a vida cotidiana, não concluiu a história de forma clara. Vê-se nos créditos a palavra prólogo, mas o leitor fica sem saber se é algo que continuará na Garagem Hermética, se será uma nova série da dupla e, principalmente, quem é o personagem do último quadro.

Always look on the bright side of life é filosófica, contemplativa.
Interessante ver as diversas referências à cultura pop utilizadas no texto
com uma forma de auto-ajuda. O final pode até ser um clichê, mas ressalta
como pequenas coisas dão graça à vida e como esse universo pop é feito
para ser reconfortante.

Os representantes das histórias mais alternativas são A desencarnação de Stella Schunk e Frio e Doce, ambas com um visual bem diferente.

E fazendo o lado mais “cabeça” estão Cidade Kemel: a história do porvir e Fragmentos. A primeira não é uma HQ em si, mas uma ficção apresentada na forma de um jornal.

Já a segunda utiliza de forma muito interessante os quadrinhos para mostrar tempos e locais diferentes de um mesmo edifício. Apesar da idéia de a composição ser muito boa, o visual de Edu Mendes deixa a desejar. Os desenhos dentro dos quadrinhos estão mal trabalhados e chegam a parecer amadores.

Classificação:

4,0

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