GÊNESIS POR ROBERT CRUMB

Por Sidney Gusman
Data: 26 outubro, 2009


Autor: Robert Crumb (adaptação do texto original e arte) – Originalmente publicado em The Book os Genesis illustrated by Robert Crumb. Tradução de Rogério de Campos.

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 216

Data de lançamento: Outubro de 2009

Sinopse: Robert Crumb, o papa do quadrinho underground adapta Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, para as HQs, num trabalho que demorou quatro anos para ser concluído.

Positivo/Negativo: Gênesis por Robert Crumb chega badaladíssimo ao mercado nacional. Não é pra menos. O autor que se tornou um ícone da contracultura dos anos 1960, o “pai de Fritz e Mr. Natural, adaptando o primeiro livro da Bíblia para os quadrinhos? Vai ser algo bombástico.

Não, não é!

A opção de Crumb por usar o texto original da obra, com pouquíssimas alterações, se tornou, ao mesmo tempo, um chamariz e uma amarra.

É verdade que os escritos originais (o autor usou a tradução recente de Robert Alter) apresentam passagens que podem chocar os religiosos, por mostrar os episódios narrados em Gênesis por uma ótica mais crua e realista – como filhas que embebedam o pai para engravidar dele. No entanto, o texto – por não ter sido editado – é carregado, repetitivo demais, chato.

E como nos quadrinhos o casamento entre texto e arte é vital, ao final da leitura, a sensação é de se ter terminado um dos livros da Bíblia em uma versão diferente e magnificamente ilustrada.

Os desenhos de Crumb estão mesmo muito bonitos e detalhados. Mas quem se acostumou com seus personagens deformados ou de dimensões exageradas pode estranhar as artes seguindo um padrão de estética mais realista.

Na verdade, nem o “choque” que seria causado pelos desenhos da obra, como alguns propalaram, acontece. Há, no máximo, uma dúzia de passagens (umas com homens e mulheres durante o ato sexual e outras de violência) que podem fazer corar pessoas religiosas, mas leitores de quadrinhos nem estranharão.

A Conrad fez um álbum primoroso (passaram apenas alguns erros de concordância, como um “últimos capítulo” na última página), com direito a capa dura, notas editoriais que esclarecem pontos obscuros do texto e comentários de Crumb sobre cada capítulo.

Pelo conjunto brilhante de sua obra, Crumb atingiu o patamar de ter fãs que acham tudo que ele faz maravilhoso. Houve quem classificasse este Gênesis como seu maior trabalho. Pode até vir a ser o mais comentado, por estar associado à Bíblia, mas, em termos de qualidade, não passa nem perto disso.

Na coletiva do lançamento internacional da obra, Crumb mostrou-se ciente de que não conseguiria “agradar verdadeiros crentes, por estar brincando com seus textos sagrados”. Está certo. Mas o problema é que seu Gênesis não é atrativo também para fãs de quadrinhos, o seu verdadeiro público.

 

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.