GRANDES CLÁSSICOS DC # 9 – ALAN MOORE

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2007


Título: GRANDES CLÁSSICOS DC # 9 – ALAN MOORE (Panini
Comics
) – Revista trimestral

Autores: Para o Homem que tem tudo – Alan Moore (texto) e Dave Gibbons (arte);

Olimpíadas Noturnas – Alan Moore (texto) e Klaus Janson (arte);

Mogo não comparece às reuniões – Alan Moore (texto) e Dave Gibbons (arte);

Dia dos Pais – Alan Moore (texto) e Jim Baikie (arte);

Breves Vidas – Alan Moore (texto) e Kevin O’Neill (arte);

Um mundo de Homens – Alan Moore (texto), Paris Cullins (desenhos) e Rick Magyar (arte-final);

A linha da selva – Alan Moore (texto), Rick Veitch (desenhos) e Al Williamson (arte-final);

Tigres – Alan Moore (texto) e Kevin O’Neill (arte);

O que aconteceu com o Homem de Aço? – Alan Moore (texto), Curt Swan, Murphy Anderson (desenhos), Curt Swan, George Pérez, Kurt Schaffenberger (arte-final);

Passos – Alan Moore (texto) e Joe Orlando (arte);

Na noite mais densa – Alan Moore (texto), Bill Willingham (desenhos), Terry Austin (arte-final);

Barro mortal – Alan Moore (texto) e George Freeman (arte);

A Piada Mortal – Alan Moore (texto) e Brian Bolland (arte).

Preço: R$ 36,90

Número de páginas: 304

Data de lançamento: Outubro de 2006

Sinopse: Antologia das histórias escritas por Alan Moore para o Universo DC.

Positivo/Negativo: A indústria dos quadrinhos nos Estados Unidos é gigantesca, apesar da sucessão de crises. E pensar que um único homem possa transformá-la significativamente pode dar a impressão de uma idéia quixotesca. Mas, quando se trata da influência de Alan Moore, é difícil evitar um papel superlativo para o autor.

Nos anos 80, foi ele quem deu propulsão à chamada invasão britânica – sem ela, fica difícil se pensar em temas já consagrados, como Sandman, Vertigo e The Authority, mas também nas coqueluches do ano passado que entram por 2007: Civil War e 52.

De certa forma, tudo que se viu nos quadrinhos de super-heróis nos últimos 20 anos passam por conceitos desenvolvidos por Moore em títulos como Watchmen, V de Vingança, Monstro do Pântano e até mesmo em Para o Homem que tem tudo e O que aconteceu com o Homem de Aço, que já haviam sido publicadas em formatinho pala Abril e em formato álbum pela Opera Graphica e também constam desta antologia.

A passagem de Moore pela DC foi curta e conturbada, mas também prolífica e canônica. Na maior parte do tempo, seus trabalhos mais importantes não estiveram diretamente ligados à cronologia. Watchmen, que serviria inicialmente para reapresentar personagens da Charlton (como Besouro Azul, Capitão Átomo e Questão), foi transformada em uma obra à parte. V de Vingança, anteriormente publicada na Inglaterra, era originalmente de um universo isolado. Seu Monstro do Pântano habitava o mesmo mundo que os super-heróis e convivia com eles – mas sua abordagem era tão radical que dificilmente dava para se conceber aquela apoteose de idéias como similar a um gibi de linha. Crepúsculo dos Super-Heróis, que viria a ser um crossover gigantesco, foi engavetado.

Na nona edição de Grandes Clássicos DC, a Panini reúne justamente as histórias em que Moore se curvou ao mundo dos super-heróis – e prova que não há personagens ruins, só autores ruins.

A maioria dos títulos são tapa-buracos, com o autor convocado para fazer uma história ou duas de um determinado personagem, muitas vezes de segunda linha. Há aventuras do Arqueiro Verde, do Vigilante, do Batman, da Tropa dos Lanternas Verdes e dos Ômega Men e até mesmo uma origem pós-Crise do Vingador Fantasma.

Todas são belas histórias – embora poucas sejam memoráveis. Duas delas, ligadas aos Lanternas Verdes, se destacam: numa, surgem integrantes da Tropa inicialmente inconcebíveis, como um vírus, uma equação matemática e, finalmente, o planeta-Lanterna Verde Mogo. Em outra, o autor conta o recrutamento de um membro que vive nas profundezas de um oceano – cego por conta da ausência de luz, ele não entende os conceitos “lanterna” e “verde” e acaba traduzindo a ciência mágica dos Guardiões em termos musicais. São dois contos surpreendentes, que evocam os tempos em que Moore escrevia histórias de ficção científica na revista britânica 2000 AD.

Além das histórias menores, o volume contempla quatro clássicos incontestáveis dos heróis DC. A Piada Mortal, em parceria com Bolland, é considerada uma das melhores histórias do Batman já escritas. Em 45 páginas, Moore conta a origem do Coringa, mostra a Batgirl sendo aleijada, o Comissário Gordon é torturado e Batman ganha alguns de seus melhores diálogos de todos os tempos. E as três histórias de Superman, todas anteriores à Crise nas Infinitas Terras, reforçam a idéia de que as idéias anteriores ao evento não estavam desgastadas – eram os autores que tinham perdido o jeito de fazê-las brilharem de novo.

Por um lado, essas histórias são o supra-sumo do volume; por outro, já fazem parte da coleção de leitores mais antigos, pois todas foram publicadas no país pelo menos duas vezes.

Contudo, é na soma das quatro grandes com os contos breves que se tem um retrato da genialidade de Moore. Ao mesmo tempo em que consegue criar momentos antológicos, o inglês tem a capacidade de fazer pequenas cenas terem um brilho próprio. E sempre com texto em grande quantidade, mas sem atrapalhar a fluidez da leitura.

Grandes Clássicos DC # 9 é um mais um marco no catálogo da Panini. Não tem as capas duras vistas em edições recentes (com obras menores, como a saga Silêncio, de Batman), vem com alguns poucos textos como extras, mas é uma edição definitivamente imperdível.

Classificação:

4,0

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