GRANDES CLÁSSICOS MARVEL # 1

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2006


Título: GRANDES CLÁSSICOS MARVEL # 1 (Mythos
Editora
) – Edição especial
Autores: Capitão América – Stan Lee (roteiro), Jack Kirby (arte), Chic Stone e Frank Ray (arte-final);

Thor – Stan Lee (argumento), Larry Lieber (roteiro), Jack Kirby (desenhos), Dick Ayers e Joe Sinnot (arte-final);

Homem de Ferro – Stan Lee (argumento), Larry Lieber e R. Berns (roteiro), Jack Kirby (desenhos), Dick Ayers (arte-final), Don Heck (desenhos e arte-final);

Hulk – Stan Lee (roteiro), Jack Kirby (desenhos), Dick Ayers, Paul Reinman e Steve Ditko (arte-final).

Preço: R$ 24,90

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Março de 2006

Sinopse: Coletânea de histórias de Capitão América, Thor, Homem de Ferro e Hulk nos primórdios do Universo Marvel.

Positivo/Negativo: Depois de reunir clássicos de X-Men, Wolverine, Marvel Team-Up e Surfista Prateado, a Mythos lança um volume dedicado a quatro heróis de uma só vez. Essas edições – feitas em papel jornal e preto-e-branco – são chamadas nos Estados Unidos de Essentials, justamente por reunirem diversas histórias em seqüência de personagens relevantes.

Por vezes, um único volume reúne o trabalho inteiro de um time criativo com um herói.

Grandes Clássicos Marvel não segue essa regra. Compila aventuras de quatro Essentials, o que é até bacana. Apesar de ser um período de extrema criatividade, os anos 60 tinham histórias de super-heróis bem diferentes das que o leitor atual está acostumado.

As tramas eram inocentes e bastante repetitivas – o Universo Marvel estava surgindo e, portanto, nem todos os leitores sabiam as origens nem a dimensão dos poderes de seus heróis.

Só neste volume, a origem do Hulk é mostrada três vezes. E o Homem de Ferro fala tanto dos transistores que movem sua armadura, que fica até chato. Isso não torna as aventuras ruins – é preciso ter mente que foram escritas para leituras mensais, e não para serem lidas em seqüência.

Aliás, o leitor precisa se despir um pouco dos “padrões” para curtir. Hoje, há excesso de diálogos e longos recordatórios. Por outro lado, naquela época o nível de criatividade por quadrinho era surpreendente – o que evidencia a imaginação poderosa de Lee, Kirby, Heck e outros artistas da Marvel, incluindo na leva Steve Ditko, criador do Homem-Aranha e arte-finalista neste livro.

Infelizmente, a Mythos deu uma pisada na bola tanto no álbum quanto na divulgação. Na contracapa, estão anunciadas as primeiras histórias dos quatro heróis, o que não é exatamente verdade.

O Capitão América foi criado em 1941 por Joe Simon e Kirby. E, mesmo tendo ficado um tempo na geladeira, as histórias dos anos 60 definitivamente não são suas primeiras – que foram publicadas pela Abril Jovem, em julho de 1992, no especial Capitão América – As Primeiras Histórias. Além de usar desse artifício para chamar atenção, a editora presta um desserviço ao desinformar o leitor menos atento. Uma pena.

Outra coisa a se destacar é a perda das cores. O famoso Hulk cinza aparece justamente nessas histórias. O Homem de Ferro também muda o tom de seu uniforme – não só o leitor brasileiro, mas também o dos Essentials norte-americanos, perdeu essas informações. Sem contar que as cores berrantes das HQs da época eram um charme à parte.

Para os fãs de animação, o volume traz uma curiosidade. É dessas histórias que foram decalcadas as ilustrações para a série que ficou conhecida por “Desenhos Desanimados da Marvel“. Basta pegar a edição e comparar com as animações: os personagens realmente parecem recortados do gibi.

 

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.