Graphic Novel # 11 – Surfista Prateado

Por André Craveiro
Data: 18 fevereiro, 2011

Graphic Novel # 11 - Surfista PrateadoEditora: Abril Jovem – Edição especial

Autores: Stan Lee (roteiro) e Moebius (desenhos) – Originalmente em The Silver Surfer – Parable.

Preço: Cz$ 2,90 (preço da época)

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Maio de 1989

Sinopse

Nesta graphic novel, intitulada Parábola, cansado das insanidades humanas, o Surfista Prateado procura exílio à margem das sociedades e dos costumes insípidos dos homens. Mesmo entre eles, o herói cósmico não mais se mistura nem tenta se envolver em assuntos terráqueos.

Pelo menos, era o que pensava.

Uma gigantesca nave alienígena rasga os céus em direção à Terra, provocando um abalo ainda maior dentro das já claudicantes estruturas sociais e do próprio espírito humano, fazendo-o cego em acreditar que um salvador das estrelas veio para redimir a todos.

Em meio ao pânico e ao medo generalizado, duas vozes se levantam. Uma prega pela submissão à vontade da entidade desconhecida como única via de salvamento e remissão total. Outra apenas procura, novamente, a razão nos corações, para que enxerguem a verdade.

Positivo/Negativo

Uma história em quadrinhos
Cuja qualidade assoma positivos pontos.
Do roteiro à arte,
Eis um maravilhoso conto.

Apresenta, de fato, uma parábola:
Narrativa curta, mas de estrutura dramática.
É o Surfista Prateado, seu protagonista.
Uma vez mais, singra os céus num embate dualista.

Em sua prancha reluzente, defronta entidade há muito conhecida.
Galactus é seu nome, cujo argênteo herói deseja a partida.
Mas, agora, o insensível ser portentoso dissimula-se como arauto da salvação.
Aos seres humanos e seus atos hediondos, promete a completa redenção.

De sua colossal boca, embustes e falácias são despejadas;
Eivadas de hipocrisia, suas palavras por quase todos são canalizadas.
Tal enredo constrói-se como crítica de seu tempo,
No qual a política mundial e seus governantes causavam o mais alto desalento.

Eis uma orquestra literária cujo roteiro é calcado em diálogos inteligentes e promissores.
Rufem os tambores: afinal, Stan Lee é um de seus tenores!
Mas não vem desacompanhado. No conjunto da obra, sua letra é apenas uma das silhuetas.
Pois, ao seu lado, ninguém menos que o francês Moebius vem com sua prancheta!

Seu traço límpido e característico evoca bem as emoções dos personagens.
E o faz com méritos, trazendo aos leitores da história suas implícitas mensagens.
Como extras, seguem uma introdução de Stan “The Man” Lee e textos complementares.
É creditado a Moebius a autoria desses últimos, expondo com clareza sua criatividade.

Sem dúvida, é mais uma grande aventura do herói prateado.
Um novo olhar sobre seu espírito e atitudes altruístas, demasiadamente já utilizados.
À editora Panini, fica o recado: aqui está uma obra que merece republicação.
Pois, para os seus leitores, não haveria maior satisfação!

Classificação

4,0

• Outros artigos escritos por

.