GROO – ODISSÉIA

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Mark Evanier (roteiro) e Sergio Aragonés (arte).

Preço: R$ 49,00

Número de páginas: 104

Data de lançamento: Julho de 2007

Sinopse: Álbum com quatro HQs de Groo, o errante.

O capitão do Chinampa – À deriva no oceano, Groo e Rufferto chegam a um navio que mais parece uma ilha. E bem na hora em que o falecido capitão da embarcação está sendo jogado ao mar. Adivinhe quem vai ficar com o posto!

O ídolo – Groo chega a uma aldeia onde, sem mais nem menos, todos começam a se ajoelhar à sua frente. Mas a louvação é para Rufferto, que é “sósia” do Deus Ótot. Agora, o bárbaro e seu cão viverão uma vida nababesca, só resta saber quanto tempo ficarão longe de confusões.

Um belo dia – Susto é uma cidade-modelo, na qual todos vivem felizes por nunca terem encontrado Groo. O problema é que esse “paraíso” começa a atrair gente de outros lugares, onde a coleta de impostos, evidentemente, cai. Participação de Grooela, a irmã do errante, do Sábio, do mercenário Taranto, das bruxas Arba e Dakarba, do Menestrel e do nobre Arcádio.

Os mendigos – Em Harina, Groo é “contratado” para livrar a cidade dos mendigos que habitam suas ruas – ele até ganha um distintivo! Mas, quando os ataca, é convencido de que está do lado errado. Só que não é difícil fazer o bárbaro mudar de opinião…

Positivo/Negativo: Depois que teve até revista própria no Brasil, na década de 1990, Groo conquistou uma fiel legião de fãs. O bárbaro tapado ficou bastante tempo sumido do nosso mercado, voltando a dar as caras em 2003, nas minisséries Groo &
Rufferto
e Groo – A Ira de Pipil Khan, da extinta
Pandora Books; e depois em 2005, com Groo – Impostos! Pague
até para morrer
. Mais um hiato de dois anos, e ele retorna neste
Odisséia.

E a receita é a mesma de sempre: humor nonsense, a burrice extrema de Groo e pitadas de crítica social, uma marca das histórias de Evanier e Aragonés.

A aventura mais interessante é Um belo dia, em que tudo gira ao redor de a cidade ser “à prova de Groo” e diversos coadjuvantes bacanas da série dão as caras. O bárbaro só aparece mesmo na última página, prenunciando que Susto teria dias ainda mais conturbados.

Para quem curte o detalhismo quase maluco de Aragonés, a última página de Os mendigos é um convite à “caça”. Em meio à multidão de pessoas ali retratada, estão Asterix, Charlie Brown, Luluzinha, Mafalda, Mamãe (Momma, no original), Usagi Yojimbo e outros. O desenhista e Mark Evanier também estão lá. É só procurar.

O álbum foi todo recolorido no Brasil, por Alexandre Jubran e sua equipe (Daniel Machado, Ligia Duque, Danielle Boleeiro e Rodrigo Estravini). A idéia era valorizar a arte de Aragonés, com tons mais suaves. Deu certo, mas em algumas páginas, possivelmente por problemas de impressão, certas cores ficaram “lavadas” – o que pode ser observado no traje de Groo, por exemplo.

Cada história é precedida de um texto feito no Brasil. A preocupação editorial foi louvável, mas algumas informações de repetem e são até conflitantes. No primeiro artigo, Rubens Ragnoli acerta ao dizer que Groo estreou em 1982, no primeiro número da revista Destroyer Duck, da Eclipse. Mas na matéria seguinte, Marcon Beraldo menciona que o personagem começou sua carreira em 1980. Faltou atenção.

Os problemas de revisão, que marcam várias edições da Opera Graphica, estão presentes, mas em menor escala. Há erros de concordância, de digitação e coisas como “sem-tetos”, que não flexiona no plural. No entanto, não é nada tão grave.

Nas páginas finais do álbum, há uma reportagem explicando o processo de colorização (bastante útil para quem quiser enveredar por essa área) e um texto-currículo de Jubran.

Muitos fãs reclamam que Groo é um material que não justifica uma edição com tanto luxo – capa dura e impressa em couché de boa gramatura. Talvez seja verdade, mas esta é uma opção da Opera Graphica. De todo modo, é sempre bom ler as aventuras do bárbaro errante. Mesmo pra quem não curte queijo derretido.

Classificação:

4,0

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