HELLBLAZER # 10

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: HELLBLAZER # 10 (Brainstore) – Revista mensal

Autores: Warren Ellis (roteiro) e John Higgins (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Janeiro de 2004

Sinopse: Assombrado – Parte 5 de 6 – Recuperado da surra que levou dos capangas de Josh Wright, Constantine movimenta seus peões e dá início à sua cruel vingança contra o assassino de sua ex-namorada.

Positivo/Negativo: Esse penúltimo capítulo do arco de estréia de Warren Ellis apresenta uma sensível melhora em relação aos anteriores, embora nada que contrarie os comentários dos últimos reviews.

A trama atinge um nível de intensidade maior nesses momentos finais, e o propósito do arco como um todo começa a ficar mais claro. Desagradável foi terem sido necessários cinco capítulos até a história começar a ficar interessante.

Pontos fortes a serem destacados: 1) O diálogo de Constantine e a misteriosa feiticeira num clube mal assombrado, nas páginas 11 a 16. Uma curiosa reflexão sobre os motivos e taras do nosso querido mago canalha. O que não deixa de ser uma análise sobre a própria série e os rumos que foram tomados por seus autores no decorrer dos anos.

Quando Constantine surgiu, na clássica fase de Alan Moore no Monstro do Pântano, era um verdadeiro enigma, um dos personagens mais misteriosos e fascinantes já criados para os quadrinhos. Hoje, depois de mais de 100 edições de uma série mensal e três escritores de peso redigindo suas histórias (Jamie Delano, Garth Ennis e Paul Jenkins) pouco mistério sobrou.

Já sabemos tudo o que havia pra se saber sobre John Constantine. Tanto para os leitores, quanto para a velha bruxa, ele tornou-se previsível e transparente. Seria ainda capaz de nos surpreender?

2) Os trechos do diário de Isabel são de fato interessantes. Expressam de maneira bem contundente o fascínio que a idéia de trilhar caminhos à parte dos demais seres humanos exerce nos corações livres e questionadores, mas também o quanto é perigoso perder-se nessas trilhas, se a mente não for forte e atenta o bastante para estabelecer os limites.

Magia, arte, vida alternativa, tanto podem ser um caminho para o autoconhecimento quanto a estrada para o abismo, e a diferença entre os dois está, quase sempre, na necessidade de existir, de fato, reflexão e racionalidade equilibrando-se à emoção e ao delírio. Um equilíbrio difícil, porém vital, no qual reside a diferença entre o ápice e a queda.

3) A incrível semelhança entre o recém-revelado Josh Wright e o próprio Constantine, tanto fisicamente quanto nos hábitos e posturas. Algo bastante interessante quando relacionado às reflexões já mencionadas no item 1, e que podem ser bem amarradas no capítulo final. Portanto, mais comentários no próximo review.

Um último destaque: ótima a iniciativa da Brainstore de publicar as capas originais de Dave McKean para os primeiros números de Hellblazer na última página da revista. Boa parte delas é inédita no Brasil, e essa é uma boa maneira de os leitores conhecerem esse magníficos trabalhos de um dos melhores artistas plásticos a trabalharem com HQs.

Classificação:

4,0

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