HELLBLAZER #8

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: HELLBLAZER # 8 (Brainstore) – Revista mensal

Autores: Warren Ellis (roteiro) e John Higgins (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Outubro de 2003

Sinopse: Assombrado – Parte 3 de 6 – Depois de ser espancado pelos homens de Josh Wright, Constantine se refugia na cobertura de um hotel no centro e, antes mesmo de se recuperar completamente, dá início à sua ofensiva contra o pretenso mago.

Positivo/Negativo: O arco de estréia de Warren Ellis continua sem muitas surpresas. A sensação maior é de déja vu, e não por acaso: afinal, o que se está vendo nesses novos arcos (Filho do Homem, Assombrado) que já não foi presenciado antes, de formas levemente diferentes?

Se a história fosse publicada completa numa edição encadernada, de modo a ser lida num fôlego só, talvez a diversão e o impacto fossem maiores, já que os capítulos publicados mês a mês não têm a força necessária para justificar os salgados R$ 7,90.

Não que o roteiro de Ellis seja ruim, não é o caso. Provavelmente, um leitor ainda não “iniciado” no universo de John Constantine ficaria empolgado com vários momentos mais inspiradores (o destaque maior vai para o susto que Constantine prega no tal “Pardal Peidorreiro”), mas isso apenas porque ainda não teve contato com as fases mais antigas da revista.

Os fãs veteranos sabem que nada do que estamos vendo agora é inédito, muito pelo contrário. É comida requentada, mantém o sabor, mas não é a mesma coisa que um assado saindo do forno.

No início, na lendária fase de Jamie Delano, havia um propósito, um sentido definido, pode-se até dizer uma filosofia, norteando os rumos das tramas do mago canalha. Existia um fundo político, temáticas complexas a tratar, coisas a dizer.

Quando essa abordagem chegou ao seu limite, veio Garth Ennis e chutou o pau da barraca, levando as coisas a um rumo praticamente oposto, no qual nada mais era sagrado, e a canalhice de Constantine foi ainda mais acentuada.

Depois desses dois pólos tão fortes e marcantes, o que resta aos novos escritores da série senão uma tediosa coluna do meio? Hellblazer tornou-se uma série cheia de camisas de força, uma situação difícil de quebrar.

Os demais títulos Vertigo não enfrentaram esse problema, graças ao “efeito Sandman“: todas as séries têm um fim, determinado pelo autor. A única série da Vertigo que não tem um único escritor e, portanto, não tem final, é Hellblazer. A ação transcorre ad infinitun, seguindo o mesmo padrão das demais revistas da DC Comics, explorando o personagem e seu universo até o completo esgotamento da fórmula… e além.

Nisso, até o limite dos efeitos de choque, ditos “adultos”, acaba sendo ultrapassado, e dá-lhe closes em vômitos, entranhas expostas, escatologia exagerada, de modo a justificar o selinho: “recomendado para leitores maduros”.

O problema é que toda essa nojeira explícita aparece meramente pra constar, sem nenhum propósito definido na trama. Ao invés de “adulto”, o recurso soa cada vez mais infantil.

De qualquer modo, o velho John (e Ellis, claro) merecem uma colher de chá. Vamos ver se as referências a Aleister Crowley serão aproveitadas da maneira devida, e se os próximos episódios justificarão o preço de capa. Afinal, Assombrado pode surpreender a partir da segunda metade. Quem sabe?

Uma pequena errata: no review anterior, em vez da capa da edição 7 da Brainstore, foi estampada a capa da edição americana (nota do UHQ: o equívoco já foi corrigido). Queira perdoar esse pequeno descuido.

Classificação:

4,0

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