HELLBLAZER # 9

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: HELLBLAZER # 9 (Brainstore) – Revista mensal

Autores: Warren Ellis (roteiro) e John Higgins (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de Páginas: 24

Data de lançamento: Novembro de 2003

Sinopse: Assombrado – Parte 4 de 6: Quase recuperado da surra que levou, Constantine volta às ruas para preparar sua nova investida contra o mago Josh Wright, que já começa a se dar conta do tamanho da encrenca em que se meteu.

Positivo/Negativo: E continuamos com mais do mesmo, é o máximo que se pode dizer. Até agora, Warren Ellis não conseguiu mais do que requentar velhos clichês em seu primeiro arco redigindo as desventuras do mago canalha. Assombrado prossegue, entrando agora em sua guinada final, sem trazer nada de novo, tanto em termos de trama quanto abordagem.

Pra não cometer nenhuma injustiça, é bom que fique claro: não é uma história ruim. Na verdade, quem nunca leu nenhum episódio da série teria um bom arco para começar em Assombrado. Todos os elementos clássicos do universo da HQ estão presentes, desde o engajamento político da fase de Jamie Delano até a canalhice politicamente incorreta de Garth Ennis.

A fase apresenta um John Constantine no auge de sua forma, demonstrando todos os ingredientes que fizeram sua lenda desde sua primeira aparição nas páginas de Monstro do Pântano, de Alan Moore. Há também personagens bizarros do submundo londrino, magia urbana, horror explícito e tudo o mais. Prato cheio para iniciar novos leitores.

O problema é que, no contexto da série como um todo (esta edição corresponde ao número 137 americano), Assombrado é extremamente manjado. Não há nada que já não tenha sido explorado até a exaustão nas fases anteriores. Nada mais surpreende, nada mais choca ou emociona, e os capítulos vão se sucedendo tediosamente, mal justificando os salgados 7,90 mensais.

Se o arco fosse publicado encadernado talvez fosse mais interessante, lido de um fôlego só, mas assim, diluído mês a mês, simplesmente não consegue empolgar. Sem contar que, cortando as embromações e concentrando mais os desenhos expansivos de Higgins, a trama completa poderia ser contada em três capítulos no máximo, não seis.

Ellis é um ótimo escritor. Prova disso é seu trabalho em Transmetropolitan, Authority e outros. Não é sua culpa o marasmo da fase atual de Hellblazer. O que ocorre é que o título já teve duas grandes fases autocontidas e de estilos diametralmente opostos.

Delano e Ennis exploraram as possibilidades da série até a saturação da fórmula. A fase de Paul Jenkins, ainda inédita, foi ainda mais longe ao escarafunchar os pequenos detalhes e pontas soltas deixadas para trás pelos escritores anteriores. Depois de tudo isso o que mais há pra dizer?

Hellblazer, por ser o único título “infinito” da Vertigo, tornou-se um belo de um pepino para seus autores. Um fato triste, pois não é nada agradável ver um personagem tão forte, complexo e querido como John Constantine tornar-se previsível e até mesmo caricatural. Já se tornou cômico vê-lo obrigando seus “amigos” a quebrar galhos dizendo: “Você me deve”. Será que toda Londres deve favores pra ele? Ainda mais quando há tanto material dos tempos áureos do título ainda inéditos no Brasil. Mais interessante seria se a Brainstore fechasse essas pontas soltas antes de avançar a cronologia da revista.

Quanto à Assombrado, fica a torcida para que seu desfecho traga alguma grande reviravolta, que acabe desmentindo o atual review, pois, infelizmente, por hora, tudo continua tediosamente previsível.

Classificação:

4,0

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