Hellblazer – Infernal – Volume 2 – Sangue real

Por Tiago Salviatti
Data: 26 setembro, 2014

Hellblazer – Infernal – Volume 2 – Sangue realEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Garth Ennis, John Smith (roteiro) e Will Simpson, Steve Dillon, Sean Phillips (arte). Publicado originalmente em Hellblazer # 49 a # 55.

Preço: R$ 23,90

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Agosto de 2014

Sinopse

Uma onda de crimes vem espalhando cadáveres carcomidos por Londres de maneira semelhante aos crimes de Jack, o Estripador. E como há magia e demônios no caso, é mais um dia de trabalho para John Constantine.

Positivo/Negativo

Existe um grande problema na história principal deste encadernado. Sangue real tenta construir sua trama usando as (na época) recentes descobertas sobre o caso de Jack, o Estripador, para contextualizar uma nova onda de crimes violentos macabros em Londres.

No entanto, um certo escritor barbudo de Northampton, que atende por Alan Moore, estava publicando uma HQ abordando as descobertas sobre o caso e destrinchando a noção e a persona do mais famoso assassino em série de todos os tempos.

E enquanto Moore mostra de maneira crua o demônio que existe dentro de todos os homens em seu Do Inferno, Ennis toma uma perspectiva mais mística e, em comparação, acaba soando tolo e minando todo o restante da história.

William Gull, que é um homem brilhante (e não apenas um vilão caricatural) na HQ de Moore, na de Ennis precisa do incentivo de uma possessão demoníaca para cometer os assassinatos de Whitechapel.

O fato de o roteiro de Ennis nem sequer precisar dessa contextualização a torna anda mais frágil, e as outras ideias mal construídas e aproveitadas ao redor do arco só acentuam isso: Marston, que deveria ser um vilão formidável, tem um plano ridículo; a crítica à coroa britânica soa abafada e contida ao não associar bem os nomes e lugares a pessoas (até o final fica a dúvida se o membro da família real possuído é o Príncipe Charles ou um de seus dois irmãos – o conde de Wessex e o duque de Iorque –, apesar de, no pouco que se mostra de seu rosto, pareça ser o primeiro mesmo).

Mais até: para quem desconhece esses detalhes da família real britânica, várias críticas acabam passando batidas.

De positivo, Sangue real traz dois fatos relevantes: John se mudando para o apartamento de Kit e a apresentação do psíquico Nigel Archer (o alvo constante das piadas sádicas do mago canalha pelo resto da série).

Vale destacar que esta saga foi pulada pela Abril, assim como pelas editoras menores que assumiram a publicação de Hellblazer posteriormente, até ser sido lançada no Brasil num encadernado pela Pixel, em 2008.

Há algum refresco para o encadernado, com a apresentação do Rei dos Vampiros, do Senhor da Dança (a melhor história disparado, e uma das mais marcantes de toda a fase de Garth Ennis) e a aventura escrita e assinada por “John Smith”.

A participação especial de John Smith contribui menos, fazendo uma história que lembra os momentos finais de Jamie Delano com o personagem, com um traço de horror psicológico sobre o mundano e cotidiano – ainda que a reação de Constantine pareça exagerada ao final, pois ele certamente viu coisas piores do que a trama sugere.

O ponto alto, no entanto, está numa insinuação da bissexualidade de Constantine e na curiosa ausência de informações sobre “John Smith” – que lembra bastante o nom de plume bastante comum quando um autor não quer ser reconhecido por um trabalho, ainda que seja um nome igualmente comum no Reino Unido e associado a algumas HQs publicadas pela 2000 AD.

O Senhor da dança e Vidas notáveis são os motivos pra comprar este encadernado. Ambas muito bem escritas, com um humor ácido. Piadas e sustos interessantes e um desenvolvimento eficiente da trama para o que está por vir.

Pena que é pouco para salvar o pior arco de histórias que Garth Ennis escreveu para a série.

Classificação

2,0

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