John Constantine – Hellblazer – Origens – Volume 4 – A máquina do medo – Ato II

Por Tiago Salviatti
Data: 13 dezembro, 2013

John Constantine Hellblazer - Origens - Volume 4 – A máquina do medo - Ato IIEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Jamie Delano (roteiros), Mark Buckingham e Alfredo Alcala (arte das edições # 18 a # 22), Dean Motter e Ron Tiner (arte do número # 23) – Originalmente publicado em Hellblazer # 18 a # 23.

Preço: R$18,90

Número de páginas: 168

Data de lançamento: Novembro de 2012

Sinopse

Constantine continua sua busca pela jovem paranormal Mercury, enquanto tenta entender melhor os mistérios que cercam a terrível máquina do medo, e sua função na chegada do Deus de Todos os Deuses.

Positivo/Negativo

A máquina do medo é uma saga estranha. Alguns leitores podem adorar, outros provavelmente a odiarão, e é fácil entender os motivos dos dois lados.

O que começa com uma ação violenta do governo sequestrando uma jovem com poderes paranormais para alimentar um instrumento que provoca alucinações e histerias coletivas e violência em diversas escalas (como visto no volume anterior), acaba numa investigação de sociedades maçônicas secretas que tentam trazer ao mundo o “Deus de Todos os Deuses”. Tudo num cenário que, ao mesmo tempo, tenta questionar o papel da mulher no Século 20 com um contexto de Animus/Anima e masculino/feminino e as linhas de Ley, enquanto cria algum suspense, mistério e horror…

A trama se enrola em si mesma pela longa duração, acrescentando mais e mais personagens que pouco ou nada acrescentam ao desenvolvimento e desperdiçam algumas boas oportunidades.

Fica até um ar de déjà vu durante a leitura, como na repetição de ideias da brilhante saga da Brujeria, de Alan Moore, para o Monstro do Pântano (como a vinda de uma poderosa entidade que traria o mundo a uma nova realidade e era). Infelizmente, sem a mesa sutileza e grandiosidade.

Pior que isso: a trama toda termina com um confuso pesadelo psicodélico – que, assim como no volume anterior, representa um Deus Ex Machina – concluindo o arco sem de fato amarrar os plots em desenvolvimento.

Como os atos de Constantine solapam os planos da organização (no caso, a Maçonaria) que construiu a poderosa arma psíquica que dá nome ao arco (a famigerada Máquina do Medo)?

Sem dúvida, alguns momentos estão espalhados ali, com boas doses de tensão, suspense e terror – e cenas são marcantes e arrebatadoras… Mas é só isso.

Da ficção para a vida, que é o ponto inicial para a história do Homem de Família, consegue redimir o encadernado e Jamie Delano. É fluida, inteligente e traz uma visão ácida e peculiar sobre personagens ficcionais de histórias infantis… Como Fábulas, só que mais de uma década antes da primeira edição da série de Bill Willingham.

Mais do que isso: Jerry é um personagem fascinante, com uma rica história, que merecia maior desenvolvimento. E a caça a easter eggs da literatura que dão as caras nas páginas (como o retrato de Dorian Grey, a lápide de Ozymandias, ou mesmo o Ursinho Pooh) justifica uma ou mais releituras dessa fantástica aventura, sem dúvida, a melhor coisa neste encadernado.

Classificação

2,5

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