Hellboy – In Hell # 1

Por Sérgio Codespoti
Data: 15 fevereiro, 2013

Hellboy - In Hell # 1Editora: Dark Horse Comics – Revista mensal

Autor: Mike Mignola (texto e arte).

Preço: US$ 2,99

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Dezembro de 2012

Sinopse

Depois de enfrentar Nimue e o Dragão, em A fúria (The fury), Hellboy retorna ao Inferno pela primeira vez desde a sua infância.

Positivo/Negativo

Antes de começar a análise, é preciso avisar, que é impossível comentar esta revista sem mencionar fatos importantes do final da saga anterior, A fúria).

Esta é nova revista do personagem – a primeira com periodicidade mensal desde que surgiu Hellboy -, com roteiro e desenhos de Mike Mignola. Depois de mais de uma década de minisséries e histórias curtas, a Dark Horse e seu principal autor estão investindo numa fórmula mais tradicional, talvez para facilitar o acompanhamento da aventura por novos leitores.

Hellboy está morto. E em sua descida ao inferno ele será acompanhado por Edward Grey, um dos mais misteriosos personagens do universo do protagonista. No abismo, ele encontrará criaturas que lembram crustáceos, lulas e Eligos, um dos duques do Inferno vencido pelo herói em Caçada selvagem (Hellboy – The wild hunt). Outra cara conhecida dos leitores, e que faz uma breve aparição curta, é a bruxa Baba Yaga.

O abismo que leva ao Inferno é uma oportunidade para Mignola brincar com o tempo e o espaço e envolver o leitor na escuridão. O colorido, sempre sutil e preciso, ficou a cargo de Dave Stewart, um tradicional colaborador das aventuras do personagem.

Um dos pontos altos da narrativa é uma peça de teatro de marionetes – um espetáculo do qual Mignola gosta muito – de Um conto de Natal (A Christmas Carol), de Charles Dickens, que funciona como uma premonição do que poderá ocorrer com Hellboy.

Existem apenas dois aspectos negativos a serem citados: o fato de que, nesse ponto da história, o leitor já precisa estar familiarizado com o resto da jornada do personagem, para realmente aproveitar o enredo; e a brevidade da leitura.

A diagramação das páginas, o uso de vastas áreas de sombras, a arte levemente mais estilizada (o traço parece estar um pouco mais abstrato em determinadas cenas), somados ao fato de que Mignola compreende que o texto e o diálogo não precisam ser usados para descrever o que foi desenhado, mas sim para adicionar – quando necessário e pertinente – uma nova camada de informação, leva a uma história de ritmo veloz e de leitura bastante rápida.

Por outro lado, é fácil imaginar que o resultado é algo simples de se obter, e isso não é verdade. Poucos artistas poderiam ilustrar esta edição com o mesmo grau de abstração e simplificação sem perder a mão. Aqui, a simplicidade não é sinônimo de atalho, preguiça ou pressa, mas de um refinamento artístico que Mignola precisou de anos para obter.

Basta comparar a arte de Hellboy in Hell # 1 com, por exemplo, qualquer edição da minissérie Odisseia cósmica – originalmente publicada em 1988 e 1989 -, ou mesmo com Semente da destruição, a primeira aventura de Hellboy, para atestar esse fato.

Esta revista foi publicada originalmente com duas capas: a tradicional e outra (mais bacana) que fez parte de uma série de capas promocionais alternativas, chamada Ano dos Monstros. Uma segunda tiragem foi impressa com uma terceira capa.

Para os fãs de Hellboy, este é um momento muito esperado e Mignola promete surpresas no caminho.

Classificação

4,0

Hellboy - In Hell # 1 Hellboy - In Hell # 1

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