Hellboy – O Clamor das Trevas

Por Liber Paz
Data: 17 fevereiro, 2012

Hellboy - O Clamor das TrevasEditora: Mythos – Edição especial

Autores: Mike Mignola (roteiro), Duncan Fegredo (arte) e Dave Stewart (cores).

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Agosto de 2008

Sinopse

Após deixar o Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal (BPDP) e vagar pelo mundo durante seis anos, Hellboy encontra abrigo na casa de um velho amigo na Inglaterra.

Contudo, sua estada não será tranquila. O aprisionamento de Hecate leva as Bruxas do Mundo a procurar uma nova rainha… ou rei.

Agora, Hellboy deve escolher entre aceitar a coroa de Rei das Bruxas ou ser oferecido em sacrifício a Baba Yaga, sua antiga e poderosa inimiga.

Positivo/Negativo

É interessante acompanhar a evolução das histórias de Hellboy.

Muitas tramas concebidas por Mignola apresentam um alto teor de aventura e diversas referências à literatura pulp da primeira metade do Século 20.

Hellboy é um herói como Doctor Savage e combate o mal. No caso, Mignola utiliza como vilões nazistas, feiticeiros misteriosos e monstros diabólicos de outra dimensão.

Por outro lado, na cronologia principal da série, a ideia de “mal” como um adversário externo é questionada. Em sua primeira aventura, Sementes da destruição, são revelados a Hellboy segredos de seu próprio passado e a profecia de que ele será o destruidor do mundo.

O “mal” não é mais um inimigo que pode ser socado, mas as sombras que o protagonista traz dentro de si mesmo.

A partir daí, encontra-se dois tipos de histórias de Hellboy.

Existem as aventuras contidas, que mostram diversos momentos de seus quase 60 anos como agente do BPDP e que podem ser lidas em qualquer ordem. Situações simples de confronto que o herói resolve com alguns sopapos. Esses episódios curtos se encontram em coletâneas como A mão direita da perdição e O caixão acorrentado.

O outro tipo de história se desenrola a partir dos eventos de Sementes da destruição, mostrando como Hellboy reage às constantes afirmações de que seu destino é deflagrar a destruição de tudo o que existe.

Trata-se de uma série de episódios que apresentam cronologia e mostram o desenvolvimento de Hellboy diante das pressões quanto a seu destino. A aventura ainda está presente, mas com um tom cada vez mais sombrio.

O clamor das trevas enquadra-se nesse segundo tipo de história, dando continuidade aos eventos narrados em Paragens exóticas.

Depois de se desligar do BPDP por razões éticas e vagar pelo planeta ruminando sobre seu destino, Hellboy agora se abriga na casa de seu velho amigo, Harry Middleton.

Ao mesmo tempo, Hecate é capturada por Igor Bromhead. Privadas de sua rainha, as Bruxas decidem convidar Hellboy para ser seu rei. O encontro não é muito auspicioso e o vermelhão acaba caindo nas garras de Baba Yaga, a poderosa feiticeira russa.

A partir de personagens e lendas do folclore russo, Mignola constrói um fantástico mundo do qual o vermelhão precisa escapar. A trama flui muito bem, misturando de maneira incrível elementos de histórias dignas de Neil Gaiman com excelentes cenas de pura pancadaria.

Este volume conta com um glossário que traz informações sobre as referências ao folclore russo que permeiam a trama. Esse é um cuidado por parte do editor que enriquece ainda mais o prazer de leitura.

A arte de Mike Mignola é outra característica marcante das histórias de Hellboy. O próprio design do personagem é impregnado (no bom sentido) do estilo do artista.

Responsável pela arte neste livro, Duncan Fegredo comenta, nos extras da edição, as dificuldades e peculiaridades de desenhar o protagonista. Seus esboços ilustram perfeitamente a afirmação que Fegredo faz: “não basta desenhar um par de chifres serrados e um grande queixo quadrado num crânio humano e achar que isso vai ser o Hellboy”.

Fegredo consegue criar um Hellboy convincente e, apesar de ter um estilo completamente diferente de Mignola, sua arte é muito bonita e atende perfeitamente as necessidades da história.

O layout de algumas páginas lembra muito o modo de Mignola estruturar seus quadrinhos, mas em outras Fegredo rompe com a grade produzindo interessantes sobreposições de painéis. Algo incomum, mas feito de modo que não destoa da identidade das aventuras de Hellboy.

Mignola desenvolve bem sua trama, trazendo de volta antigos personagens, amadurecendo a personalidade do protagonista, criando novas possibilidades e prendendo a atenção do leitor.

Ficam pontas soltas que amplificam ainda mais a ansiedade pelo próximo volume. Daí vem, talvez, o único “ponto negativo”: a demora de produção de Mignola, que deixa seus leitores esperando longos meses pela continuação das aventuras.

Mas, considerando a qualidade do material, a espera vale totalmente a pena.

Classificação

5,0

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