Homem-Animal – Origem das espécies

Por Audaci Junior
Data: 20 maio, 2016

Homem-Animal – Origem das espéciesEditora: Panini Comics – Série em três volumes

Autores: Grant Morrison (roteiro), Chas Truog e Tom Grummett (arte), Doug Hazlewood, Mark McKenna e Steve Montano (arte-final), Tatjana Wood e Helen Chiang (cores) – Originalmente em Animal Man # 10 a # 17 e Secret Origins # 39 (tradução de Edu Tanaka e Fabiano Denardin).

Preço: R$ 26,90

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Fevereiro de 2016

Sinopse

Buddy Baker, vulgo Homem-Animal, ainda está tentando “consertar” seus poderes depois dos efeitos da bomba genética lançada na Terra durante a saga Invasão, que embaralhou a sua capacidade de absolver e mimetizar dons do reino animal.

O Homem-Animal se depara com mais mistérios quando cruza seu caminho a super-heroína Víxen, alienígenas amarelos, a volta do Fera Buana, a sereia Delfim, fantasmas e uma passadinha em Paris com a esposa, já que ele é membro da Liga da Justiça Europa, além de confrontar decisões e consequências de suas atividades de ecoterrorista.

Positivo/Negativo

Depois de um começo no qual define bem a personalidade do protagonista e seus coadjuvantes, Grant Morrison avança e planta mais sementes para colher nas edições que estão no terceiro e derradeiro volume de sua passagem (e resgate) do super-herói, originalmente lançadas no final dos anos 1980 e começo dos 1990.

O Homem-Animal é literalmente desconstruído ao longo das páginas, como é evocado na capa do encadernado. O autor se apropria da linguagem mais esquemática e simplória dos antigos gibis para rever e “atualizar” o personagem com toda a reverência (e crítica) ao passado.

Na origem que é recontada em O mito da criação, o roteirista não se acomoda em simplesmente mostrar a sua perspectiva da fonte de poderes do Buddy Baker e passa a questionar a “sofisticação” que ele próprio impôs.

São aproveitados os alienígenas amarelos que supostamente eram inimigos do protagonista, logo depois que ele adquiriu seus poderes após a explosão de uma nave numa floresta. Recentemente, os seres também foram aproveitados na fase de Jeff Lemire no projeto Novos 52.

Vale ressaltar curiosidades como a situação em que Baker achou a espaçonave: ele estava justamente caçando animais. Uma das suas interferências ideológicas de Morrison aos resgatar o personagem foi transformar o herói e sua família em vegetarianos.

Os conceitos metalinguísticos da série – escancarados no próximo volume – são sutilmente jogados em Origem das espécies. Preste atenção também na passagem do Asilo Arkham, no capítulo Caça à raposa, em que insanos como o Chapeleiro Louco e o Pirata Psíquico soltam pistas do que está por vir para James Highwater, o físico de origem indígena que aparece no primeiro encadernado.

Morrison oferece muito mais espaço para trabalhar a sua ideologia de defensor ecológico, fala de aquecimento global e matança de golfinhos e baleias sem forçar a barra, e ainda resgata um dos membros dos “heróis esquecidos” da Crise nas Infinitas Terras, a sereia Delfim, no reflexivo Entre o demônio e o azul profundo do mar.

O roteirista aproveita também as ligações com o reino animal nas suas origens para introduzir a coadjuvante Víxen, membro da Liga da Justiça, numa trama que faz a personagem evoluir bem no seio da humanidade, a África.

Os direitos civis também entram em pauta quando o herói permanece no continente africano para ajudar o Fera Buana (ou Bwana), antagonista no arco de estreia, para achar seu sucessor.

É no último tomo deste volume, Consequências, que o escritor mergulha fundo na personalidade do protagonista, expondo o lado humano e falho do Homem-Animal. Um super-herói que comete erros como todo mundo e não é nenhum Superman.

Nesse capítulo também são abordados o uso de macacos em testes científicos e a conscientização do “efeito dominó” acerca do consumo de carne bovina, tópicos que servem de discursos sobre a ecologia e os direitos dos animais apoiados pelo autor.

Ponto mais confuso e misterioso até aqui, o capítulo Assombrações deve ser lido com bastante atenção em virtude dos detalhes que serão revistos mais para frente. Interessante notar como Grant Morrison tinha a estrutura toda amarrada desde o início.

Um lembrete que pode passar despercebido a muitos leitores: quando Buddy Baker se vê frente a frente com um ser fantasmagórico, ele diz que se lembra dele quando tinha dez anos. Essa é a mesma idade em que teve um corte que deixou uma cicatriz no braço, desaparecida quando Buddy criou um novo membro, no volume anterior, logo no primeiro arco, durante o confronto com o homem-rato.

Há dois descuidos na tradução nesta parte: logo no início, quando a entidade afirma para Maxine – a filha caçula de Buddy Baker – ter sonhado que ela era “gente grande” (essa expressão soa muito estranha e poderia ser substituída por “adulta”, “havia crescido” etc.); e, a mais grave, quando o Homem-Animal diz para sua esposa, Ellen, que um vizinho “ligou” para ele e Buddy o ignorou. Na verdade, como será revelado em um flashback no próximo volume, o vizinho falou com ele presencialmente, não em um telefonema.

Mais uma vez, os leitores novatos ficaram na mão quando não são contextualizadas referências como a saga Invasão (lançado no Brasil em três partes pela Abril, em 1990), evento bem menos conhecido que a também tocada Crise nas Infinitas Terras (recentemente republicada pela Panini). E espaço havia, já que ambos os volumes trazem propagandas das outras obras de Morrison.

Apesar de estar mais “relaxada”, a arte de Chaz Truog permanece funcional, sendo novamente substituída (agora em duas histórias) pelos desenhos de Tom Grummett, cujo traço é mais bonito, porém limitado (principalmente nas fisionomias bem parecidas dos personagens).

A edição em brochura da Panini mantém a qualidade, com capa cartonada sem orelhas e papel LWC com boa gramatura e impressão.

Quando Grant Morrison revelar todos os segredos (incluindo o do próprio universo), no próximo volume, vale garimpar e descobrir as nuances e os detalhes presentes em cada quadro da saga do homem com poderes de animais, desde o início, numa nova leitura.

Depois de mais de duas décadas, Homem-Animal se mantém como um dos grandes momentos inventivos do badalado, polêmico e controverso roteirista.

Classificação

4,5

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• Outros artigos escritos por

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  • Leandro Banner

    Não consigo me conformar com o fato de que essa fase do Homem Animal esteja saindo toda em papel LWC enquanto que a do Monstro do Pântano de Alan Moore – muito superior, tanto em texto quanto em artes – foi toda em papel pisa brite. Tremenda sacanagem. De qualquer forma, a despeito do tratamento conferido pela Panini, já me contento pela fase do Monstro do Pântano do Moore ter sido republicado integralmente por aqui.

    • Luciano Andrade

      Depois de todo esse tempo ainda choram por causa do papel? Ah, imagine se isso fossem os anos 80/90, os colecionadores iriam se matar só com a menção ao papel jornal! Pares de lacrimejar, amigo, e aceite

      • Leandro Banner

        Não estou lacrimejando. Apenas manifestando uma indignação, nada mais. E como creio haver dito no fim do comentário, me contento tremendamente de o Monstro do Pântano de Moore ter sido totalmente republicado por aqui.

      • Fabiano G. Souza (Nerdmor.com)

        A questão é comparar com outros títulos inferiores e menos importantes historicamente, mas que saem com papel bem melhor e pelo mesmo preço praticamente.

      • Guilherme de Camargo

        Que raciocínio maluco! Por ter sido ruim no passado, tem que se aceitar tudo hoje?

    • Moroni Machado

      Essa obra foi recolorizada, para edição Absolute.. As outras não. Patrulha do destino e Monstro do Pantano até agora no original são papel jornal.

      • Leandro Banner

        Não sabia desse detalhe. De qualquer forma, uma lamentável injustiça por parte da DC/Vertigo por não ter remasterizado e recolorizado a fase do Moore de Alec Holland, umas das melhores pérolas da Nona Arte.

      • Roberto Costa Pereira

        Moroni eu acho que má vontade mesmo , tenho a edição da pixel em capa dura com o começo dessa fase do moore em papel couché , pena que não publicaram o restante …..

    • Daniel D’Oliveira

      Homem-Animal foi recolonizada para a edição omnibus que fizeram lá na gringa, por ele ele recebeu papel lwc, como o Moroni disse acima.

      Entretanto o “papel jornal” que foi utilizado na versão gringa para a encadernação dos seis volumes de “Swamp Thing” foi muito superior ao papel que a Panini brasileira utilizou. Eu vi a versão americana há algumas semanas atrás e nota-se que a nossa versão da HQ tem um papel muito mais sensível.

      • Roberto Costa Pereira

        Daniel e como a Pixel conseguiu fazer os primeiros arcos do Monstro do pântano (Moore) em papel couché ???? acho que má vontade mesmo !!!

        • Jonas Reis da Cruz

          Parabéns pelo bom senso,Roberto. Você tem toda a razão de reclamar. Nós leitores/colecionadores é que mantemos este mercado. E como CONSUMIDORES, merecemos o melhor tratamento possível!

    • Roberto Costa Pereira

      Leandro vc esta certíssimo , em 2010 a Pixel publicou os primeiros arcos do Monstro do Pântano (Moore) em capa dura e papel couché , esse negocio que a Panini fala de não ele nunca foi publicado se não no papel pisa e conversa mole unido de má vontade !!!

      • Leandro Banner

        Também acho, Roberto. E penso que as edições do Monstro do Pântano mereceriam, ao menos, papel offset, superior ao pisa brite. De fato, é evidente a má vontade da Panini em relação a determinados personagens e a algumas publicações que ela simplesmente descontinua alegando não ter dado retorno. Mas com os preços praticados, não teria como ser diferente.
        Um exemplo disso foram as edições CRÔNICAS (Superman, Batman, Lanterna Verde) que, originalmente, saíram com papel cartão e papel pisa brite. Aqui, saiu com capa dura, papel couché e preço nas alturas. Não sou a favor de republicar esse material em pisa brite, mesmo, mas como não é um material de apelo ao grande público, apenas àquele nicho realmente apreciador das histórias clássicas (no qual me incluo), poderia ter saído com capa cartão e papel offset. Outra coleção que poderia sair no formato capa cartão e papel offset seria Biblioteca Histórica Marvel, que a Panini simplesmente descontinuou tendo várias edições que poderiam ser publicadas, sendo que nos EUA, a original Marvel Masterworks tem uma versão “genérica” exatamente nesses moldes, capa cartão e papel offset, cuja qualidade é excelente; e posso atestar isso por que possuo os volumes #2 e #3 da Marvel Masterworks do Hulk nesse formato “genérico”.
        Infelizmente, estamos submetidos ao monopólio da Panini e, por conta disso, também estamos submetidos à sua visão arrogante de quem detém o monopólio dos direitos de publicação.

  • Gustavo Azevedo

    bom dia
    acho que o maior problema desta edição é não chegar em todo território nacional, a edição 3 já chegou aqui (santa rita do sapucaí – MG) faz tempo mas a 2 nada.
    pior que isso é normal pra panini, afinal toda a distribuição vertigo não tem lógica nenhuma.
    converso com outros colecionadores na net e cada região do país recebe edições aleatórias mesmo.

    abraço

    • Fabiano G. Souza (Nerdmor.com)

      Até nas lojas online a 2 está esgotada, rídiculo. O mesmo aconteceu com um dos números do Monstro do Pantâno mas depois normalizou.

  • Jonas Reis da Cruz

    E tem mais, Roberto, você sabia que as edições “Crônicas” publicadas pela Panini em “Capa Dura e Papel Couché”, 03 do Batman,02 do Superman e 02 do Lanterna Verde, foi publicada, na “Gringa”, em papel “pisa brite” e capa cartonada? A ideia da DC era apresentar para a nova geração de leitores histórias clássicas em ordem cronológica em um formato bom e barato. Aqui a dona Panini publica em formato de LUXO e Caríssimo!!!Então essa desculpa da Panini de publicar “exatamente” como foi publicado nos EUA é balela, é conversa para boi dormir.Ou má vontade mesmo!Outra desculpa que a Panini usa é a de que o papel “pisa brite” é o mesmo que foi utilizado originalmente nos EUA no caso do “Monstro do Pântano do Moore”,e por isso eles não utilizaram o “Papel Couché”.Só que este critério não valeu quando eles publicaram”X-MEN – DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO do John Byrne e Chris Claremont” e o “Demolidor do Miller” que são do início dos Anos 80 e foram publicados em Papel Couché e Capa Dura e não em papel de embrulhar pão e capa cartonada como foi o caso do “Monstro do Pântano do Moore!! É ou não é má vontade da editora ou incompetência mesmo!!!

    • Roberto Costa Pereira

      Bem Lembrado Jonas , Crônicas eu tenho as 3 do Batman e a 1 do Superman , e realmente nos EUA sairão em formato inferior do que aqui , em uma entrevista do Sr. Levi trindade ele falou que um monte de gente estava reclamando o porque de Hellblazer sair em papel pisa ai ele falou que nos EUA sairão em papel pisa e não seria eles a inventar a moda de publicar aqui em formato diferente , até ai blz mas como fica a questão das edições crônicas ???? já que eles seguem tanto assim o que sai lá ! e não me conformo até hoje o porque da Pixel ter conseguido lançar o Monstro em papel couché e a Panini em lança em pisa e tiveram a cara de pau de falar que lançaram igual as edições dos EUA sendo que lá até o pisa deles e de melhor qualidade e brincadeira viu e cada coisa que a gente que ouvir e ficar quieto ….

      • Marco1964

        A Pixel lançou em papel couché, capa dura e tal, mas fez m…. logo na primeira história, com as páginas espelhadas, tipo trabalho de amador.
        A Panini, com papel pisa brite, isso e aquilo, publicou a história conforme saiu originalmente. E, ainda por cima, publicou TODA a fase do Alan Moore, diferentemente da Brainstore e Pixel. E parece que também vai publicar a fase do Rick Veitch. Logo…

  • Moroni Machado

    Cara, eu moro em salvador. Na saraiva do shopping salvador, tem o encadernado da Patrulha que igual da panini, no mesmo shopping, na livraria cultura tem todos os monstros do pântano em inglês que é igual da panini. Eu não li em site, eu tipo li e folhei as edições.

    • Francisco Cláudio

      Cara, também folheei as edições nacionais e gringas de “A Saga do Monstro do Pântano”. Há diferença de papel entre elas sim. Já com relação as edições da Patrulha do Destino, eu não acompanho, então não posso dizer se o papel é o mesmo usado nas edições do Monstro do Pântano.