HOMEM-ARANHA 1

Por Cassius Medauar
Data: 26 outubro, 2009


Autores: Homem-Aranha – Denny O’Neil (roteiro), Frank Miller (desenhos) e Klaus Janson (arte-final);

Cavaleiro da Lua – Doug Moench (roteiro), Bill Sienkiewicz (desenhos) e Klaus Janson (arte-final);

Mulher-Aranha – Michael Fleisher (roteiro), Jerry Bingham (desenhos) e Nike Esposito (arte-final)

Preço: Cr$ 260 (preço da época)

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Julho de 1983

Sinopse: Homem-Aranha – Durante a apresentação de um ilusionista picareta, o Justiceiro resolve aparecer e dar um jeito no malfeitor, mas Peter Parker está cobrindo o evento e vai tentar impedi-lo. As coisas se complicam mesmo quando o Doutor Octopus entra na trama com um plano para matar cinco milhões de pessoas.

Cavaleiro da Lua: O Cavaleiro da Lua persegue dois bandidos até uma estranha casa de janelas vermelhas. Agora, além de lidar com os vilões, precisará desvendar o mistério que envolve essa estranha moradia.

Mulher-Aranha – Jéssica Drew enfrenta o Executor, supervilão que ela prendeu e que acabou escapando com a ajuda de Rupert Dockery, o inescrupuloso dono do jornal O Correio, que faz de tudo por uma boa manchete e aumento de vendas.

Positivo/Negativo: É muito interessante ver que tipo de histórias eram publicadas no início da década de 1980. Serve para constatar que o leitor tende a ser saudosista, mas nem sempre a memória condiz com o que realmente acontecia.

Não que as tramas desta edição sejam ruins, longe disso. Elas simplesmente não são tão boas quanto alguns achavam que eram. São histórias bem simples, quase ingênuas, mas não tinham o politicamente correto em que nosso mundo está mergulhado atualmente.

O Justiceiro matava quem aparecesse na sua frente – e a história não precisava estar em um selo Max. Os bandidos matam ou morrem na trama do Cavaleiro da Lua sem problemas.

Ao longo do tempo, muitos leitores perderam a noção de que quadrinho é diversão, como videogame, e que as crianças conseguem discernir uma coisa da outra.

E é bacana ver o Aranha numa trama simples, porém com todos os elementos que fizeram dele um dos heróis mais populares de todos os tempos. Bom humor, inteligência, agilidade, coadjuvantes bacanas e tudo mais. É muito legal, por exemplo, ver J.J. Jameson reeditar várias vezes a capa do Clarim Diário.

As três histórias da edição têm um clima parecido: ação, vilões bem definidos que querem ganhar dinheiro ou apenas se vingar dos heróis que os prenderam, investigação, suspense… Mais ou menos como ainda acontece hoje. Ou seja, a fórmula envelheceu e, por isso, as editoras passaram a criar crises e guerras e sagas intergalácticas para tentar vender mais.

Note também os autores que assinam as histórias. São nomes conhecidíssimos atualmente, como Frank Miller, Denny O’Neil (que já era famoso na época), Doug Moench e Bill Sienkiewicz. Talvez isso explique a qualidade das tramas.

Completando a edição, uma seção na qual o Aranha lista as faixas de força dos heróis Marvel, um extra bem divertido. Além disso, há textos situando o leitor sobre os então fatos recentes da vida do herói e da origem da Mulher-Aranha. E ainda um papo com o leitor, contando o que a Abril preparava para o Cabeça-de-teia da época, com o lançamento do Dicionário Marvel e um álbum de figurinhas; e que tudo isso seria brinde nas revistas da editora.

A edição tinha também algumas publicidades de revistas da casa, e outras de produtos mesmo, algo que não se vê mais nas revistas em quadrinhos no Brasil.

O ponto negativo era o formatinho, que realmente fazia com que se perdesse bastante em qualidade, mas por outro lado era bem prático de ler – hoje sabemos que, na época, era uma forma de baratear e popularizar as HQs. E também algo incompreensível: a tradução mudar o sobrenome de Harry e Norman de Osborn para Osgood.

Ainda assim, é uma edição bacana, que se for lida em sequência com os números seguintes, traz um prazer nostálgico interessante.

 

Classificação:

4,0

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