Homem-Aranha e Batman

Por André Craveiro
Data: 16 março, 2012

Homem-Aranha e BatmanEditora: Abril Jovem – Edição especial

Autores: J.M. DeMatteis (roteiro), Mark Bagley (desenhos e capa), Scott Hanna e Mark Farmer (arte-final), Electric Crayon (cores) e Steve Buccellato (colorização da capa) – Originalmente publicado em Spider-man and Batman – Disordered minds, em setembro de 1995.

Preço: R$ 4,20 (preço da época)

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Setembro de 1997

Sinopse

Peter Parker e Bruce Wayne são acometidos por estranhos sonhos envolvendo seus violentos passados, sempre terminando numa figura enigmática, jocosa e insana, nunca antes vista por nenhum deles.

No instituto Ravencroft, Cletus Kasady, alter ego do Carnificina, é submetido a uma estranha cirurgia terapêutica para a completa remoção dos seus instintos assassinos. Com o aparente sucesso da iniciativa, o Asilo Arkham é o próximo local a ser visitado, e seu demente mais perigoso é o próximo paciente a ser testado.

Algo dá errado e a dupla de vilões elabora um plano para transformar Gotham num verdadeiro caos… Se eles conseguissem trabalhar juntos.

Positivo/Negativo

Dentre as variadas e exaustivas características que a pasteurizada fórmula dos crossovers ainda comporta, pode-se dizer que as semelhanças entre atitudes, princípios e origens dos heróis protagonistas marcam presença obrigatória em qualquer um desses encontros.

Uma válvula de escape que pouco adianta na vã tentativa de fugir dos clichês padrões do tipo.

Aqui, então, nem se fala: talvez nunca antes dois dos maiores cruzados norte-americanos, rivais diretos na preferência de numerosos leitores, foram tão refletidos num pacto forjado a contragosto de um deles – adivinhe quem!

Não só Homem-Aranha e Batman, mas também seus algozes aqui escolhidos – Carnificina e Coringa – quedam no mesmo panorama, ao seu próprio modo, de comparações distorcidas, aliança fugaz e derrota conjunta após um mirabolante plano de “lobotomia para insanidade” fracassar, resultando no embate quádruplo prometido desde o início.

O interessante é que, ao final, os vilões não se unem e preferem resolver suas diferenças na base da violência, involuntariamente ajudando suas contrapartes heroicas.

O que resta é apenas, como não poderia ser diferente, uma espécie de homenagem paliativa aos dois grandes nomes da Marvel e DC Comics, donos da preferência de 8 entre 10 leitores de quadrinhos mundo afora.

Sobre os desenhos, Bagley já mostrava seus talentos acrobatas e perfil esguio do escalador de paredes alguns anos antes de embarcar na longeva parceria com Brian Michael Bendis no universo Ultimate do personagem. Aqui e ali nota-se alguma influência daqueles anos menos talentosos, mas, de modo geral, seu traçado pouco mudou deste então.

Uma leitura rápida e sem pretensões é o que se pode esperar desta aventura especial, como só ocorre neste gênero, terminando na já clássica cena posada da dupla de heróis sobre a cidade.

Não houve ganchos para uma continuação, o que não impediu que ambos se encontrassem uma segunda vez.

Classificação

1,5

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