Homem-Aranha – História de vida

Por Julio Cesar Gorzone
Data: 22 maio, 2020

Homem-Aranha – História de vidaEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Chip Zdarsky (roteiro), Mark Bagley (desenhos), John Dell (arte-final), Andrew Hennessy (arte-final) e Frank D’Armata (cores) – Originalmente em Spider-Man: Life story # 1 a # 6 (tradução de Mateus Ornellas).

Preço: R$ 64,00

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Março de 2020

Sinopse

Em 1962, o adolescente Peter Parker é picado por uma aranha radioativa e se torna o Homem-Aranha. Em História de vida, Chip Zdarsky acompanha a vida do Amigão da Vizinhança ao longo das décadas, envelhecendo com o passar do tempo, e passando pelos principais acontecimentos do Universo Marvel.

Positivo/Negativo

Os primeiros anos do Homem-Aranha já foram contados numerosas vezes, tanto nos quadrinhos, como em adaptações para cinema, TV e animações.

É interessante notar como o roteirista Chip Zdarsky consegue dar uma roupagem diferente para uma história já conhecida. Homem-Aranha – História de vida começa em 1967, na reta final de uma década movimentada, marcada por guerras, revoluções e pedidos de paz e amor.

A trama tem início com Peter inserido nesse contexto e, em vez de mostrar somente as cenas que mostram o Amigão da Vizinhança impedindo assaltos e prendendo bandidos de rua, Zdarsky aposta em dar ao herói um dilema moral envolvendo a Guerra do Vietnã, que estava em plena ebulição à época.

Com o passar dos capítulos, o autor mostra o decorrer das décadas e do envelhecimento de Peter, percorrendo momentos marcantes da História e do Universo Marvel.

Nesse sentido, História de vida se assemelha, conceitual e estruturalmente, ao clássico Marvels, de Kurt Busiek (roteiro) e Alex Ross (arte). A HQ, porém, não tem o mesmo brilho que a sua provável inspiração.

Homem-Aranha – História de vida não é um quadrinho ruim. Está longe disso, se posicionando acima da média do que tem sido publicado regularmente. Mas, em alguns momentos, falta um posicionamento de Zdarsky, que não sabe se mostra os valores heroicos do personagem e o impacto que ele tem no mundo, ou se parte para o puro e simples espetáculo com sequências de ação.

A sensação é que perde-se uma oportunidade de fazer um quadrinho que poderia servir de ponto de partida para novos leitores que querem entender o legado de quase seis décadas do personagem.

Para ler História de vida é necessário estar familiarizado com as idas e vindas do herói — com seus tantos clones e dramas pessoais. Zdarsky passa por momentos marcantes da vida do Aranha: a morte de Gwen Stacy, a caçada de Kraven, a Guerra Civil. Tudo está lá.

A arte de Mark Bagley casa bem com o roteiro, mas é inconstante ao longo dos capítulos: em alguns momentos, é deslumbrante; em outros, apressada demais.

A obra chega ao Brasil pela Panini já em sua edição definitiva, com um projeto gráfico belíssimo. A impressão, porém, escorregou em algumas páginas, que aparentam estar borradas.

O projeto está longe daquilo que foi considerado pelo hype, mas certamente chega como uma boa história, que fará o leitor relembrar diversos bons momentos que passou ao lado do Cabeça de Teia.

Classificação:

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  • Otto.

    Uma pergunta a quem acompanhou até hoje:
    o famigerado pacto do Aranha com o Mefisto ainda está de pé, ou ele se livrou?

    • Alexandre Floquet da Rocha

      Ainda está de pé, visto que o Harry Osborn e Kraven retornaram dos mortos e a Tia May (e o mundo inteiro) “esqueceram ” que o Peter era o Homem-Aranha após guerra civil. Mas fizeram um retcom com relação à Mary Jane. O casamento nunca existiu, mas os dois moraram juntos nesse período. Na atual fase escrita pelo Nick Spencer, os dois voltaram a namorar.

      • Eugênio Furtado

        Só piora!

      • Adriano Ferrari da Costa

        Olá, Alexandre. Beleza?
        Na verdade o Kraven não voltou da morte por causa do pacto do Peter com o Mefisto, mas sim por causa de um ritual que a família dele fez (acredito que o arco se chame “Caçada Sinistra”).
        É uma história bem bacana e seria republicada pela Salvat, mas a editora cancelou as 20 edições restantes…

  • Henrique Brum

    a ideia do quadrinho é realmente melhor que o quadrinho em si. Quando li a premissa fiquei empolgado. Mas é muita coisa pra poucas edições, historia corrida, saltos gigantes.Também acho que ela pecou por se afastar muito do aranha original e mc2. Versões alternativas é o que mais tem hoje em dia. Em alguns momentos da serie parece que está lendo só mais um ‘Peter O’hara Morales da terra XYZ’. Pra ter o titulo de historia de vida acho que deveria ser o mais fiel possível do personagem. Só eliminando o ciclo interminável que quadrinho regular precisa ter. E por mais que goste do Bagley acho que ele não foi a escolha certa pro titulo. Como o texto diz é mais sobre conflitos internos e menos sobre cenas de ação. Um artista diferenciado poderia dar o peso que faltou a obra.

  • Alessandro Souza

    A idéia parece interessante. Lembro fe uma entrevista do Grant Morrison na qual ele idemtifica que certos heróis tem suas identidades visuais relacionadas a certos períodos de tempo. Dessa maneira, o Batman estaria identificado com a dêcada de 1940 e Superman aos anos 1950. O aranha é por excelência um personagem dos anos 1960. Uma brasa, mora!

  • Fabiano G. Souza (Nerdmor.com)

    Hyper forte, sabemos 95% dos casos onde vai dar…