HOMEM-ARANHA – POTESTADE

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: HOMEM-ARANHA – POTESTADE (Panini
Comics
) – Edição especial

Autores: Kaare Andrews (roteiro) e Jose Vilarrubia (ilustrações).

Preço: R$ 17,90

Número de páginas: 152

Data de lançamento: Setembro de 2007

Sinopse: 35 anos no futuro, os heróis foram expulsos de Nova York e a criminalidade e a violência estão sob um rigoroso controle. Quando o prefeito anuncia o lançamento do projeto Teia, que impedirá qualquer coisa de entrar ou sair de Nova York, garantindo para sempre a segurança de seus moradores, J.J. Jameson, aparentemente enlouquecido, vai procurar o Peter Parker com um pacote. A idéia é despertar o herói aracnídeo.

HOMEM-ARANHA - POTESTADEPositivo/Negativo:
Há razões de sobra para não gastar R$ 18,00 nesta edição. Sem dúvidas,
a sensação é a de ter jogado um bom dinheiro fora.

Antes de o título ser lançado, foi feita uma grande publicidade por Joe Quesada com a imagem da capa que anunciava a morte de Mary Jane. Falou-se até que se tratava de algo que aconteceria na cronologia oficial.

Depois, quando publicaram a revista, tentaram vender a idéia de que ela
seria “O Cavaleiro das Trevas do Homem-Aranha”. Na verdade, após
ler a HQ fica claro que ouve um erro de digitação na frase, pois ela deveria
ser: O Cavaleiro das Trevas com o Homem-Aranha”. Aliás,
a charge de Flávio Teixeira (ao lado) resume bem isso.

Portanto, o primeiro grande defeito da edição é ser um decalque muito mal feito da clássica minissérie do Batman. Todos os elementos foram copiados: o personagem principal está velho, a cidade precisa de um herói e boa parte da trama é narrada por um programa jornalístico de televisão. Há até um repórter chamado Miller Janson, homenagem a Frank Miller e ao arte-finalista Klaus Janson!

Mas o que aparentemente esqueceram, é que Peter Parker não é Bruce Wayne. O Parker envelhecido não é um playboy que levou uma vida mansa apenas procurando novas formas de conseguir adrenalina. Muito pelo contrário, é um velho acabado, que mal anda, está desempregado e é assombrado pelo fantasma de sua esposa.

Disso já saem alguns absurdos, pois, de repente, o velho caquético volta a lutar em plena forma e enfrenta um Sexteto Sinistro que, apesar de ser composto por vilões pelo menos dez anos mais velhos que Parker, parecem ter 20 a menos do que ele.

No fim, o Aranha acaba como coadjuvante da própria história, pois o grande herói é J.J. Jameson, que arma um plano bem complexo para vencer o grande vilão, no caso o simbionte alienígena. Peter é apenas uma parte desse estratagema.

No que tange ao futuro do personagem, a grande diferença fica em torno de como Mary Jane morreu: foi envenenada radioativamente pelos fluídos do Homem-Aranha. Ou seja, mais uma pessoa que morre por causa de Peter, o que traz a ele outro grande remorso em sua consciência.

Outro detalhe importante é que, apesar do visual da revista parecer interessante, ela mais lembra um roteiro de cinema ilustrado do que uma revista em quadrinhos, pois a narrativa visual é extremamente pobre.

O único conceito que vale a pena mencionar é que Peter sempre fala em poder e responsabilidade, mas o simbionte alienígena é algo com que ele nunca teve responsabilidade, pois trouxe a criatura para a Terra e a abandonou aqui. Por isso, a criatura surge como a vilã desta história.

Como se não bastasse tanta ruindade, há ainda os problemas da edição nacional. Além do título, que ficou bem estranho, a revista tem muitos erros. Por exemplo: “Esses olhos brancos só me fazem lembram do passado”; “Ainda há pessas neste mundo cuja a única intenção …”

Como se isso não bastasse, no começo da história há uma nota do editor explicando a opção de manter o nome da rede de TV como DBN (Daily Bugle Network), mas, mais à frente, isso é esquecido; e o mesmo canal é chamado de RCD (Rede Clarim Diário).

Com tantos problemas, fica claro que este título fez muito barulho e teve divulgação à beça por nada.

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