HOMEM-ARANHA – RUAS DE FOGO

Por Marcus Ramone
Data: 1 dezembro, 2007


Título: HOMEM-ARANHA – RUAS DE FOGO (Panini
Comics
) – Livro de bolso

Autor: Keith R. A DeCandido

Preço: R$ 14,90

Número de páginas: 288

Data de lançamento: Setembro de 2006

Sinopse: As ruas de Nova York são infestadas por uma nova droga, chamada triex, que concede momentaneamente aos usuários os mais variados superpoderes e aparências grotescas, ao mesmo tempo em que os deixa completamente ensandecidos.

O Homem-Aranha se envolve em confrontos contra as criaturas e passa a ajudar a polícia a combater e debelar a rede de tráfico de triex. As investigações levam o herói a encontrar o criador e fornecedor da droga: Otto Octavius, mais conhecido como Dr. Octopus.

Positivo/Negativo: A Panini trouxe ao Brasil a linha Marvel Pocket Books, série de livros de bolso da “Casa das Idéias” estrelada pelos seus principais personagens.

Romances literários protagonizados por famosos super-heróis dos quadrinhos não são nada comuns no Brasil, e a curiosidade pode ser um fator determinante para o leitor se aventurar a comprar Homem-Aranha – Ruas de Fogo (Spider-Man – Down These Streets, no original, lançado nos Estados Unidos em setembro de 2005).

E valerá a pena. O livro conta uma aventura que fará muitos se perguntarem “Por que isto não foi feito nos quadrinhos?”. É uma história muito bem contada, sem mexidas no passado dos personagens ou apego a uma cronologia confusa, como anda acontecendo há um certo tempo nas HQs do amigão da vizinhança.

Toda referência a fatos anteriores é a estritamente necessária e, ainda assim, limitada a eventos dos quais não é preciso ter prévio conhecimento para acompanhar a trama – até porque tudo é explicado de modo simples e informal pelos protagonistas em diálogos ou pensamentos.

Os fãs do Cabeça-de-Teia se sentirão lendo uma revista em quadrinhos do personagem. Keith R. A DeCandido é um profundo conhecedor do escalador de paredes, inclusive foi o autor de um conto e de outro livro centrado no Homem-Aranha.

Além disso, usou como fonte de pesquisa para Ruas de Fogo nada menos que dezenas de artistas do calibre de Stan Lee, John Romita Sr., Brian Michael Bendis e J.M. Straczynski para compor um universo coeso e de acordo com a linha seguida nos gibis. Tanto que, no início do livro, situa a época desta história: pouco depois dos acontecimentos mostrados em Amazing Spider-Man # 509 (no Brasil, Homem-Aranha # 41, publicado em 2005 pela Panini).

Na aventura, não faltam os dramas psicológicos, as dificuldades financeiras e profissionais de Peter Parker, além de piadas infames e muita ação à base de pancadaria, no bom e velho estilo dos quadrinhos de super-heróis.

Mas o que se destaca é a caracterização de novela policial, que torna a leitura ainda mais interessante e concede à trama um tom investigativo e de mistério, que prende a atenção do começo ao fim. Mesmo quando, bem antes do desfecho, já se sabe que o Dr. Octopus é o supervilão da trama, o interesse permanece por conta da expectativa do confronto entre mocinho e bandido, que se desenvolve durante os dois últimos e arrasadores capítulos.

A interação do Homem-Aranha com a polícia lembrou os bons tempos da Capitã Jean DeWolff (também citada no texto), e mostrou elementos bastante interessantes que poderiam ser explorados nos quadrinhos. Personagens novos, como os integrantes do distrito policial que compunham a força-tarefa contra o triex, mostraram-se carismáticos a ponto de merecerem ganhar uma versão nas HQs. Não custa esperar que isso aconteça.

No aspecto gráfico, outro ponto positivo. A capa cartonada com ilustração assinada por Joe Jusko é muito bonita, e os detalhes nas folhas de rosto, introdução e início dos capítulos com redes de teias armadas emprestam um clima perfeito para entrar naquele universo.

O que estragou, e muito, todo o livro, foi o desleixo com a tradução, repleta de deslizes gramaticais (grafia, acentuação e concordâncias verbal e nominal), erros de digitação, esquecimento de palavras que completam uma frase e algumas trocas de nomes (a peça na qual Mary Jane atua, Eixo Z, foi intitulada também como Eixo X; e o triex é chamado de tripex na sinopse da quarta capa).

Uma obra tão boa merecia um tratamento condizente com sua qualidade. Esses erros não só constrangem e diminuem o brilho do livro, como atrapalham e confundem a leitura em certos momentos.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.