Homem-Máquina

Por Romeu Martins
Data: 27 abril, 2018

Homem-MáquinaEditoraPanini Comics – Edição especial

Autores: Tom DeFalco (roteiro), Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith (desenhos) – Originalmente em Machine Man # 1 a # 4.

Preço: R$ 26,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Novembro de 2015

Sinopse

Após ficar 35 anos desativado, Aaron Stack, o Homem-Máquina, é religado por acidente no ano 2020, quando o mundo é dominado por uma corporação tecnológica chamada Baintronics.

Positivo/Negativo

1984 é mais do que título da mais famosa distopia literária de todos os tempos. É também o ano do lançamento de Neuromancer, de William Gibson, o livro que cristalizou todos os principais motes do gênero que inaugurou, o cyberpunk. Estão nele os conceitos que podem ser agrupados no slogan High tech, low life: grandes corporações mandando no mundo mais do que governos; grupos tão narcotizados pela vida no ciberespaço, que chegam a implantar conexões diretamente no cérebro; rebeldes que se apropriam da tecnologia à margem do sistema.

E 1984 também foi o ano de lançamento da minissérie em quadrinhos do Homem-Máquina, que a Panini reeditou no Brasil em formato de luxo, com direito a capa dura e detalhes metalizados.

Originalmente, o material havia saído por aqui ainda na década de 1980, em edições da revista Heróis da TV, da Editora Abril.

Em uma corporação conceituada como a Marvel da metade dos anos 1980, é curioso ver como os editores já estavam suficientemente antenados para aproveitar o zeitgeist e lançar esse tipo de história, de um personagem criado por Jack Kirby sete anos antes e que teve uma revista própria de pouca duração.

É preciso lembrar que é a mesma editora que havia lançado, no começo dos anos 1980, uma personagem chamada Cristal, criada para homenagear e lucrar com a onda Disco… de uma década antes.

Ou seja, quando a mutante que transformava som em luz finalmente foi parar no papel, ela já era algo tão jurássico quanto seria uma heroína dançarina de lambada estreando hoje em algum gibi apresentado por Stan Lee.

Mas, na minissérie em quatro partes do Homem-Máquina, a “Casa das Ideias” acertou de um modo quase visionário. A obra mostra o quanto Tom DeFalco estava bem informado.

Lida hoje, muita coisa pode soar ultrapassada, seja nos balões de pensamentos em nuvenzinhas ou nos recordatórios explanatórios, recursos narrativos que a indústria abandonaria nos meses seguintes à publicação da obra, ou na anacrônica armadura cheia de engrenagens do vilão (Arno Stark, o Homem de Ferro de 2020, ano cada vez mais próximo de nós em que se passa a história).

De qualquer maneira, é um documento legítimo sobre o que foi o cyberpunk, que muitos especialistas dizem ter sido ultrapassado pelo cybernow, já que vivemos um presente altamente tecnológico e com as disparidades de qualidade de vida quase intocadas, tal e qual previstas naquelas distopias.

O destaque da trama fica para o embate entre o protagonista, um robô demasiado humano, lutando com seu antagonista que trocaria de bom grado a humanidade para se tornar um ser de pura tecnologia.

As ilustrações de Barry Windsor-Smith ainda não haviam dado o salto artístico que o consagraria nas adaptações de Conan, o Bárbaro, em sua parceria com Roy Thomas. Mesmo assim, o desenhista inglês já era notável. Prova disso são as quatro capas originais da minissérie (incluídas nesta encadernação) que formam uma sequência oitentista maravilhosa.

Com alguma atenção, é possível se notar ali a mão do futuro responsável pela arte e argumento de Arma X, primeira série a detalhar o passado de Wolverine.

Classificação:

4,0

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• Outros artigos escritos por

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  • Williandi Albuquerque

    O carcaju canadense está certíssimo! Windsor- Smith já estava estabelecido como um grande artista no final de sua passagem por “Conan The Barbarian”, em 1973. A sua arte já havia adquirido um nível impressionante que pode ser comprovado na adaptação de “Red Nails” publicada em “Savage Tales”. Nesse caso específico, Smith fez a arte-final da maioria mini-série sobre o lápis e layouts de Herb Trimpe, o que explica perfeitamente as discrepâncias no traço. Isso está bem claro nos créditos do volume.

    • FINASTERIDO

      De fato. Barry Smith é acima da média, e sua evolução ocorreu durante sua passagem por Conan. Arma X é perfeita