Identity Crisis – 10th Anniversary

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 3 julho, 2015

Identity Crisis – 10th AnniversaryEditora: DC Comics – Edição especial

Autores: Brad Meltzer (texto), Rags Morales (desenhos), Michael Bair (arte-final) e Alex Sinclair (cores).

Preço: US$ 29,99

Número de páginas: 288

Data de lançamento: Dezembro de 2014

Sinopse

O misterioso assassinato de Sue Dibny, esposa do Homem-Elástico, abala a comunidade de super-heróis do Universo DC, obrigando-os a revisitar antigos segredos numa onda de paranoia e desespero.

Positivo/Negativo

Crise de Identidade mudou as regras do jogo para as megassagas da DC Comics. Esse universo sempre foi marcado por mortes e eventos dramáticos, mas a guinada da trama assinada pelo romancista Brad Meltzer e publicada em 2004 atingiu os justiceiros fantasiados onde dói mais: sua vida íntima.

Reagindo aos atentados terroristas do dia 11 de setembro de 2001, o autor buscou redimensionar o preço de vestir um uniforme colorido no contexto carregado de assassinos e conspirações criminosas, em que os próprios mocinhos nem sempre primariam por decisões éticas louváveis.

O ponto de partida foi o assassinato da esposa do Homem-Elástico, tragédia que abala a comunidade super-heroica e traz à tona segredos guardados a sete chaves havia anos. Focando a Liga da Justiça da “Fase do Satélite”, a história não faz prisioneiros quando revisita escolhas questionáveis e parece colocar em xeque a própria noção de heroísmo.

Lançada dez anos após a publicação original, esta edição de capa dura e carregada de extras é um belo presente da editora aos fãs.

Meltzer já havia escrito um arco de histórias aclamado na revista do Arqueiro Verde, e sua investida mais poderosa repetiu qualidades como carga dramática elevada e o senso de continuidade para o Universo DC. Ele presta atenção a detalhes como o nível de segurança com tecnologia alienígena nas residências das famílias de super-heróis e tipos de nó em laços de matadores profissionais, numa prova de competência e versatilidade.

Também entende como poucos as interações orgânicas num mundo de meta-humanos em que tudo se conecta. As figuras de Oráculo, do lado dos anjos, e do Calculador, trabalhando para os bandidos, são sintomáticas dos tempos modernos, ainda que apresentadas antes da febre das redes sociais. E vai além.

Fora toda a questão do mistério e das revelações aterradoras envolvendo os integrantes da Liga da Justiça, o enredo de Crise de Identidade alterou consideravelmente o funcionamento do Universo DC. A partir da minissérie, houve um reposicionamento de relações afetivas, familiares e profissionais entre os participantes do jogo mortal dos superpoderes, envolvendo identidades secretas e filiações abertas.

Pode ser visto um amadurecimento dos antagonistas veteranos das sagas da editora, muito mais perigosos e organizados. Histórias posteriores mantiveram a tendência, ainda que nem sempre com resultados positivos.

Na arte, o mediano Rags Morales faz um trabalho digno, mesmo que a DC pudesse ter escalado um ilustrador de mais gabarito. Mas até que seu estilo retrata bem figuras conhecidas do grande público em cenário perturbador. Destaque para as cenas de luta entre a Liga e o Exterminador, e momentos de pura emoção com Eléktron e Jean Loring.

Crise de Identidade foi o ponto de partida para uma revolução editorial na DC, sob o comando do editor Dan Didio. Logo vieram as séries Contagem Regressiva e Crise Infinita, levando a 52, Contagem Regressiva para Crise Final e Crise Final, além de A noite mais densa e O dia mais claro.

O envolvimento de Meltzer nessas produções foi mínimo, mas ele se destacou depois, ao escrever durante um ano a nova revista mensal da Liga da Justiça da América, contando com o brasileiro Ed Benes na arte.

Hoje, o autor permanece escrevendo romances, afastado dos quadrinhos. Se alguns analistas tentam diminuir a história de mistério por conta de supostas “apelações baratas”, é fato que o tomo de Meltzer e Morales figura na história como retrato de uma época e ponto de transição num universo que pedia explosões criativas.

Numa consideração final, é o tipo de história que não pode ser revertida seis meses depois, e fica na memória como um marcante trauma de infância.

Classificação

4,5

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