INCAL # 2 – O QUE ESTÁ EMBAIXO & O QUE ESTÁ EM CIMA

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2007


Título: INCAL # 2 – O QUE ESTÁ EMBAIXO & O QUE ESTÁ EM CIMA
(Devir Livraria)
– Série em três volumes

Autores: Alejandro Jodorowsky (texto) e Moebius (arte).

Preço: R$ 42,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Outubro de 2006

Sinopse: Ovos Negros engolem estrelas, rainhas lutam para procriar, seres infernais atacam naves – esse é o novo cotidiano de John Difool.

Depois que recebeu a guarda do Incal, o detetive classe R está no meio de uma grande crise espacial – que aos poucos se revela como passos de uma transformadora viagem pessoal.

Positivo/Negativo: O segundo volume de Incal começa com uma introdução em que escritor Alejandro Jodorowsky registra impressões a respeito de sua série revolucionária. Seu ponto principal são as conexões da trama com o tarô, disciplina mística da qual o chileno é entusiasta e praticante – como deixa claro em outras de suas obras, como o filme El Topo e o romance Quando Teresa Brigou com Deus.

Segundo ele, os personagens da HQ são inspirados nas cartas. O protagonista, John Difool, é uma brincadeira com a primeira carta do jogo, The Fool, ou O Tolo. Solune une dois arcanos: o Sol e a Lua, assim como o Imperadortriz (Imperador e Imperatriz). A Torre é a tecno-cidadela, o Tecno-Papa é o Papa. Nesta edição, aparece o Inferno. As relações não acabam nunca.

No tarô, os 22 arcanos maiores representam a jornada mitológica do Tolo (ou Louco, carta 0), rumo ao conhecimento cósmico até a carta 21. No segundo volume, a transformação de Difool começa a se intensificar. O detetive ganha nova aparência física, mais charmosa e condizente com a de herói. Sua personalidade de anti-herói se ameniza.

Como nas cartas, enfrentar grandes mitos arquetípicos – descobrir-se pai de um filho perdido, procriar com uma rainha transmorfa – fazem com que o Tolo se engrandeça.

As relações simbólicas não ficam só no tarô, embora as cartas sejam um bom ponto de partida. Egressos da magia e da contracultura, Jodorowsky e Moebius jogam arquétipos e mitologias num grande caldeirão – e o que sai dele está longe de ser uma colcha de retalhos. Incal é uma ficção científica difícil, sim, também revolucionária, mas de uma leitura profundamente prazerosa. Poucas duplas foram tão felizes na história das HQs.

A obra ganhou sua primeira edição brasileira em 2006, passados 15 anos do começo de sua publicação original – que foi de 1981 a 1988. No primeiro volume, saíram condensados os dois primeiros álbuns. Neste segundo, a Devir reúne mais dois: O Que Está Embaixo (1983) e O Que Está em Cima (1985).

São histórias de mais de 20 anos, recolorizadas e reunidas em álbuns de belíssima qualidade. Uma série que revolucionou os quadrinhos e ainda longe de ser superada não merecia menos.

Classificação:

4,0

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