A invenção de Morel

Por Isabelle Felix
Data: 20 outubro, 2017

A invenção de MorelEditora: L&PM – Edição especial

Autores: Jean Pierre Mourey (texto e arte) e Adolfo Bioy Casares (obra original). Tradução de Alexandre Boide.

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Abril de 2014

Sinopse

Um fugitivo da justiça condenado à morte se esconde na ilha Villings. Um lugar abandonado e amaldiçoado por uma misteriosa doença que mata de fora para dentro. As pessoas afetadas, aos poucos, vão tendo pedaços dos seus corpos caindo até morrerem. Mas o fugitivo ainda quer sobreviver.

Positivo/Negativo

Complexa. Instigadora. Misteriosa. Esses são alguns dos adjetivos que podem classificar A Invenção de Morel, adaptação da obra homônima do argentino Adolfo Bioy Casares, feita pelo francês Jean Pierre Mourey.

Na ilha onde o protagonista se refugia há apenas um museu, uma capela, um moinho e uma piscina. Tudo abandonado. Até que, um dia, um grupo de veranistas aparece.

O fugitivo se esconde, mas encontra Faustine. Uma mulher enigmática que o faz se apaixonar loucamente. Ela o ignora, assim como todos os outros. De onde vieram? O que querem? São da justiça? Estão atrás dele? Ou ele já morreu e está preso em um limbo?

A leitura desta obra fascina. Tudo faz parte da narrativa, principalmente os mínimos detalhes. As cores usadas, sempre alternando em apenas um tom, as roupas, as falas, os gestos. A sensação, prazerosa, é de que serão necessárias algumas releituras para, aos poucos, passar por todas as camadas sutis e compreender melhor esta fantasia.

De forma madura, com um texto sólido, o roteiro insere o leitor na mente do fugitivo e o faz compartilhar das suas dúvidas. A solidão dele é algo palpável.

Os traços imperfeitos, mas tão naturais, de Mourey deixaram o clima de suspense ainda mais pesado. A tomada de câmera dada a cada quadro, assim como o destaque em cada situação, auxiliaram na imersão e na angústia. A sensação é de se estar “ouvindo o silêncio”.

A edição da L&PM é cuidadosa, com capa fosca e orelhas, papel off-set de boa gramatura. A impressão não ficou das melhores, com algumas partes levemente tremidas, mas nada que atrapalhe a leitura.

Esta excelente adaptação em quadrinhos merecia ser mais lida e discutida.

Classificação:

4,5

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