January Jones – Corrida contra a morte

Por Audaci Junior
Data: 23 dezembro, 2016

January Jones – Corrida contra a morteEditora: Avec – Edição especial

Autores: Martin Lodewijk (roteiro), Eric Heuvel (arte) e Studio Dick Heins (cor) – Originalmente publicado em January Jones – Dodenrit naar Monte Carlo (Tradução de Paulo Henrique Tirre).

Preço: R$ 34,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Maio de 2016

Sinopse

Numa agitada década de 1930, January Jones viaja pelo mundo a bordo de um avião Havilland Comet, enfrentando conspirações e perigos. Porém, ela terá que trocar os céus pela disputa nas estradas e participar do famoso rali de Monte Carlo, em Mônaco, famosa prova que existe desde 1911.

A aventureira pilotará o Viragiro, um carro revolucionário que lhe trará muitas chances de alcançar a vitória. Enquanto tenta chegar ao fim do trajeto, January luta contra espiões alemães, corredores desleais e encara muita neve.

Positivo/Negativo

Os fãs do seriado televisivo norte-americano Mad Men sabem muito bem quem é January Jones, atriz que faz parte do elenco da premiada série que desbrava o mundo da publicidade nova-iorquina nos anos 1960.

Mas quando a atriz ainda era uma garotinha de apenas oito anos, os holandeses Martin Lodewijk e Eric Heuvel criaram uma outra loira, que finalmente é apresentada aos leitores brasileiros, depois de exatos 30 anos de concepção.

Com o traço “linha clara” popularizado pelo autor de Tintim, Hergé (1907-1983), o humor e a atmosfera de aventura também foram herdados por esta série totalmente desconhecida por aqui. Quem gosta de apreciar uma boa HQ europeia vai estar em boas mãos, pois January Jones segue à risca os requisitos no seu plano de voo.

Falando em mãos (e mentes), a protagonista foi criada pelo roteirista Lodewijk – que já escreveu histórias para Lucky Luke (Martins Fontes, 1986), Storm (série publicada pela Abril, em 1989) e Quark (Ediouro, 2006) – e pelo desenhista Heuvel, autor de A Busca e Segredo de Família, ambos lançados por aqui pela Quadrinhos na Cia.

Curiosamente, este álbum de estreia deixa de lado os céus (apesar de January aparecer dando um rasante sob a cabeça dos jornalistas de plantão no aeroporto, no comecinho da história) para ganhar as estradas perigosas da tradicional corrida de Monte Carlo, em Mônaco.

Depois de ter seu avião sabotado, Miss Jones é forçada a aceitar participar do rali que percorre a Europa. Há um objetivo maior do que simplesmente testar um potente e revolucionário protótipo de quatro rodas, e isso inclui adicionar na adrenalina do percurso de ter no seu encalço as forças nazistas, já que estamos em plena década de 1930.

Acertadamente, a dupla de autores deixa de apresentar formalmente a personagem, passando a noção de que ela já estava por aí, com sua fama de ás dos céus, sem necessitar de alugar páginas para algo mais introdutório.

Sem delongas, surge também um personagem mostrado como um velho conhecido da aventureira, apropriadamente chamado de Agente X, um senhor trajado de preto e com chapéu coco que o designa para sua nova missão.

Tanto pela época quanto pela suas atitudes vanguardistas num universo essencialmente masculino, é impossível não associar January Jones com Amelia Earhart (1897-1937), norte-americana pioneira da aviação e defensora dos direitos das mulheres. Seu espírito aventureiro estava presente até na sua morte: ela desapareceu sobre o Oceano Pacífico enquanto tentava dar a volta ao mundo.

Em Corrida contra a morte, o mérito de Lodewijk e Heuvel é promover esse climão do passado descompromissado com a heroína passando por apuros na corrida de “gata e ratos”, com direito a escudeiro (o garoto mecânico, copiloto de Jones) e a tramoias de desenhos animados que lembram as armadilhas nem sempre eficientes da divertida A Corrida Maluca, desenho animado produzido pela Hanna-Barbera, no final dos anos 1960.

Os límpidos desenhos de Heuvel ditam o ritmo da ação como nos trabalhos de nomes como Edgar P. Jacobs, uma das grandes referências da técnica de “linha clara”. Com uma diagramação tradicional, a cadência de leitura segue com o mesmo volume de diálogos e quadrinhos montados em cada página. Para quem não está acostumado, a dinâmica é outra vista nas HQs de ação fora da Europa, mas isso não implica em deixar a trama enfadonha ou desinteressante. Muito pelo contrário.

Outros detalhes de imersão de época são as referências colocadas pelo roteirista ao longo da narrativa, pontualmente explicadas por acertadas notas de rodapé. Atores do cinema e da TV como Gary Cooper (1901-1961), Johnny Weissmuller (1904-1984) e Errol Flynn (1909-1959) – astros respectivamente de Casablanca, Tarzan – O Filho da Selva e As Aventuras de Robin Hood – são citados, assim como as referências históricas e geográficas do mundo às portas de uma Segunda Guerra Mundial.

A edição da Avec respeita um formato habitualmente usado em títulos como este: capa cartonada, sem orelhas, formato 21 x 28 cm e páginas coloridas em papel couché de excelente gramaturas e impressão.

Depois de três décadas desde a sua criação (e uma dezena de álbuns lançados lá fora), January Jones – Corrida contra a morte é um bom combustível para manter no ar o tino aventureiro de tempos idos, evocando um estilo praticamente ignorado no Brasil e que pode ser finalmente explorado pelos leitores da terra brasilis. “Antes tarde do que nunca”, a velha máxima.

Classificação

4,0

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