Jennifer Blood – Volume 1 – Dupla Jornada

Por Diogo Martins de Santana (in memorian)
Data: 8 março, 2013

Jennifer Blood - Volume 1 - Dupla JornadaEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Garth Ennis (roteiro) e Adriano Batista, Marcos Marz e Kewber Baal (arte) – Originalmente publicado em Jennifer Blood # 1 a # 6.

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Setembro de 2012

Sinopse

Jen Fellows é uma dona de casa suburbana. Todos os dias, ela vive uma rotina doméstica: faz café, leva as crianças pra a escola, limpa a casa, prepara o jantar, dá beijo de boa noite no marido e nos filhos, e reza para que os remédios que misturou no jantar os mantenham adormecidos até de manhã.

Então, Jennifer Blood, a justiceira implacável, entra em ação. E, à noite, ela segue sua cruzada pessoal de espreitar o submundo e obliterar os parasitas e a ralé que controla o crime organizado.

Mas como consegue separar as duas vidas? Como protege a sua família do terrível mundo do qual faz parte agora? E será que o orçamento doméstico comporta almofadas novas para o sofá da sala e mais seis caixas de munição .45 ponta oca?

Positivo/Negativo

A premissa de Jeniffer Blood é simples e muito encontrada por aí: personagem com vida dupla, no caso, uma dona de casa no melhor estilo “american way of life“, que cuida de seus afazeres durante o dia e combate o crime à noite. Por esse ângulo, teríamos mais uma batida história fadada ao esquecimento, se não fosse um pequeno detalhe: Garth Ennis.

Numa mistura de Kill Bill e Desperate Housewives, Ennis retrata a vingança de uma dona de casa contra uma família de mafiosos enquanto continua preocupada com as notas dos filhos, em satisfazer seu marido observador de pássaros e escapar do assédio de seu vizinho tarado.

Claro que o autor já deixou, muitas vezes, o seu humor ácido pender mais para a perversão, mas é graças a este artifício que ele se permitiu criar situações absurdas como, por exemplo, a questão: como combater o crime sem que o marido e as crianças acordem e sintam sua ausência? Oras, dope-os!.

Um dos pontos mais interessante da trama são as situações que envolvem a sexualidade da personagem. Ennis faz questão de retratá-la como uma mulher forte, que sabe o quer, como conseguir, e que não tem vergonha alguma de usar um decote para isso; ou de dar um fora no vizinho tarado da maneira mais furtiva possível.

No entanto, a arte deixa a desejar. Por contar com três artistas diferentes, ora as situações estão retratadas de maneira bem suja e bagunçada, no traço de Adriano Batista (casando muito bem com o roteiro), ora com o desenho limpo de Marcos Marz, que dá a sensação de “limpo demais para um massacre”.

Esta edição, que compila as seis primeiras edições da série, vem com diversos extras: as artes de capas das originais, capas extras, esboços, designs e uma entrevista com Garth Ennis, publicada em Jennifer Blood # 1, na qual ele diz por que quis que este trabalho fosse para o lado da comédia e, também, sobre a atual situação do mercado internacional de quadrinhos.

Classificação

3,0

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