JET JACKSON # 1

Por Toni Rodrigues
Data: 1 dezembro, 2007

Título: JET JACKSON # 1 (Editora Continental) – Revista
mensal

Autores: Hélio Porto (texto), Getúlio Delphim (desenhos) e Jayme
Cortez (capa).

Preço: Cr$ 12,00 (preço da época)

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Maio de 1960

Sinopses: Na primeira aventura, A esquadrilha secreta, Jet
Jackson e seu fiel companheiro Ikky chegam à África, onde desvendam o
mistério do Ídolo de Fogo que apavoravam os nativos.

O caso do explosivo WX-V – Jet e Ikky se vêem às voltas com o roubo
de um poderoso explosivo e o rapto de seu inventor.

Em O túnel, os heróis impedem ladrões de banco de roubarem uma
fortuna em dinheiro e jóias do cofre do maior banco da cidade.

Jet Jackson, vaqueiro – Jet e Ikky vão ao oeste, atrás de uma quadrilha
de contrabandistas mexicanos.

JET JACKSON # 1Positivo/Negativo:
Recentemente, no maravilhoso Laertevisão,
Laerte mencionou numa das tiras dois nomes que, com certeza, abriram gavetas
empoeiradas na cabeça de vários leitores com mais de 40 anos: Jet Jackson
e Ikky.

Muita gente que leu o livro deve ter se perguntado quem diabo seriam esses
dois e por que eles eram legais o bastante para fazer parte das memórias
afetivas de um autor genial como Laerte.

Acredite, leitor, embora esquecidos (ou quase), esses dois personagens
foram um fenômeno de audiência em várias partes do mundo, mobilizaram
milhares de meninos e renderam um bela grana para lojas e fábricas de
achocolatados, além de um gibi bacana.

Na origem, o personagem era conhecido por outro nome: Capitão Meia-Noite
e, assim como Sombra, o Besouro Verde e o Zorro (do Tonto), foi criado
para o rádio. O primeiro programa foi ao ar em 1938, sob o patrocínio
de uma companhia petrolífera, mas só “pegou” mesmo dois anos depois, quando
mudou de horário e de patrocinador, passando a ser apresentado aos seus
ouvintes mirins pelo achocolatado Ovaltine (conhecido no Brasil
como Ovomaltine).

Sua criação se deve aos dramaturgos Wilfred G. Moore e Robert M. Burtt
e, no começo, Captain Midnight era apenas o codinome do Capitão
Jim Albright, um aviador aventureiro que algumas vezes agia nas sombras
para impedir os planos maléficos do terrível Ivan Shark e sua filha Fury.

Com o novo patrocinador, porém, o nome Capitão Albright foi deixado de
lado e todos passaram a chamar o personagem como Captain Midnight. Assim,
ele se tornou o líder de uma organização paramilitar de aviadores que
agia em várias partes do mundo para preservar o bem, o Esquadrão Secreto
(Secret Squad, no original). O show se tornou um grande sucesso e com
a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, literalmente,
decolou.

Em 1942, a Columbia lançou um seriado em 15 capítulos estrelado
pelo grandalhão Dave Sharpe, que ficaria famoso como dublê nos seriados
do Fantasma e do Capitão Marvel, entre outros.

Logo vieram também os quadrinhos, pela mesma editora do Capitão Marvel,
a Fawcett, e com o mesmo escritor (anonimamente, é verdade), Otto
Binder, e um time de grandes desenhistas que também faziam o alter ego
de Billy Batson, como Leonard Frank e John Spranger.

Foi nos quadrinhos que o personagem ganhou um uniforme vermelho, com cara
de traje de super-herói, coisa que, de fato, nunca foi. Esta versão foi
publicada por aqui na mesma época, na revista O Guri, dos Diários
Associados
.

Além dos seriados de rádio e cinema e dos quadrinhos, o Capitain Midnight
foi o primeiro personagem a ser tema de uma imensa campanha de merchandising,
na qual eram distribuídos milhares de prêmios aos consumidores mirins
de Ovaltine, que passavam a ser parte do Esquadrão Secreto. Os
jovens ganhavam carteirinhas, manuais, buttons, pins, anéis
e todo tipo de parafernália que se possa imaginar.

Foi uma febre, mas como toda febre, teve fim. Em 1949, o show foi cancelado
e os quadrinhos também.

Mas aí chegou a TV. Um dos primeiros seriados de grande sucesso na telinha
foi Zorro (The Lone Ranger, 1949) patrocinado por um bolinho
recheado chamado Tootsie Roll que dobrou suas vendas. Logo, a Kellogg’s
tratou de por no ar o Super-Homem (com George Reeves) e a Ovaltine
lembrou de todo o sucesso que tinha alcançado anos antes com o Captain
Midnight.

Uma nova série foi produzida e estreou com grande sucesso em 1954, junto
com novos brindes, clubes etc., num patrocínio do mesmo Ovaltine,
com Richard Webb como Captain Midnight; Sid Melton como o leal e atrapalhado
Ichabod Mudd, mais conhecido por Ikky, e Olan Soule, como Aristotle Jones,
ou Tut, o gênio científico do grupo.

É possível assistir a um episódio no Youtube, clicando
aqui
.

Foram 39 episódios ao longo de dois anos de bastante sucesso, até que,
por uma daquelas razões que só os “marketeiros” conhecem, Ovaltine
resolveu não renovar o patrocínio.

Mas a série era muito boa e o estúdio que a produzia (a famosa Screen
Gems
) logo teve várias ofertas por ela. Contudo, havia um problema:
o nome Captain Midnight pertencia aos fabricantes de Ovaltine.

A solução foi criarem um novo nome. E assim que surgiu Jet Jackson,
o Comandante Meteoro
. Nos filmes originais, foi necessária uma redublagem
em todas as cenas em que o personagem era chamado pelo nome, mas logo
ele estava de volta às telas com um novo patrocinador, o cereal matinal
Kix.

JET JACKSON # 1
Foi nessa encarnação, como Jet Jackson, que o seriado chegou ao Brasil,
em 1959, dando sorte de ser um dos primeiros a serem dublados em português,
o que ainda não era obrigatório (a lei que determinou isso na TV é de
1961), mas já era uma prática comum em programas voltados ao público infantil.

Era uma época em que ainda não havia redes de televisão, quando muito
emissoras diferentes que pertenciam ao mesmo dono em estados diferentes.
Por isso, a série estreou ao mesmo tempo na Tupi, no Rio, e na
Record, em São Paulo, onde foi reprisada até 1971, quando saiu
do ar, provavelmente vítima da chegada da cor às TVs brasileiras (ela
era produzida em preto-e-branco). Talvez tenha sido nesta época que Laerte
conheceu o seriado.

Em 1960, a série chamou a atenção de Jayme Cortez, então diretor de arte
da Editora Continental (que, com a saída de Miguel Penteado para
fundar a GEP, virou a famosa Editora Outubro). Ele já tinha
lançado duas revistas com personagens que vinham da TV Record,
ambas com sucesso, Capitão 7 e Capitão Estrela.

Então, tratou de por nas bancas uma revista de Jet Jackson para ver no
que dava – e ainda conseguiu o patrocínio de uma grande loja da época
(Isnard, “onde é fácil comprar”) que anunciava na revista TVs Philco
Predicta
como as melhores para se assistir ao seriado.

A revista foi um grande sucesso e durou 23 números, sendo depois reprisada
pela editora que sucedeu a Outubro, a Taika, em vários almanaques,
o último deles em 1973.

Tudo isso, é bom frisar, sem pagar um centavo de royalties a ninguém,
como era prática comum na época. Inclusive há um texto na revista dizendo
que os editores estavam nacionalizando o personagem a pedido dos leitores,
mas isso apenas com relação a produzi-lo no Brasil, pois as histórias
continuaram com “sabor americano”, para serem fiéis ao seriado.

Getúlio Delphim
As histórias eram escritas por Hélio Porto, principal redator da editora,
que muitas vezes fazia apenas era o tratamento final do texto, que era
escrito pelo desenhista da história. Vários artistas passaram pela série,
mas os principais foram Juarez Odilon, Aylton Thomaz e Getúlio Delphim,
que assinou todas as histórias deste primeiro número.

Hoje um grande e respeitadíssimo ilustrador publicitário ainda em atividade,
Getúlio Delphim era um garoto de 19 anos quando desenhou Jet Jackson,
mas era um dos artistas mais requisitados da época, trabalhando também
para a Rio Gráfica como capista; para a O Cruzeiro, na série
Charlie Chan; para a Garimar, em Zero Hora; e na
CETPA, de Porto Alegre, antes de migrar para a publicidade, de
onde nunca mais saiu, no meio dos anos 60.

Seu traço é bastante limpo e arrojado e em Jet Jackson se percebe
que ele ainda estava aprendendo, mas o fez rapidamente, melhorando a cada
número.

A capa de Jayme Cortez traz um belo retrato do ator do seriado, Richard
Webb. O desenhista português era um grande especialista nesse tipo de
trabalho, que pintou com guache e anilina Kodak, o que resultou
numa arte bastante bonita.

Como tanto o seriado quanto o gibi já estão fora de circulação há mais
de 30 anos, é preciso ter pelo menos 40 para se lembrar de Jet Jackson.
Achar essas revistas em sebo ou sites de leilão é difícil e provavelmente
caro para quem não tem nenhuma memória afetiva do personagem.

Mas quem quiser dar um presentão a quem viveu aquela época, como Laerte,
vale a pena procurar.

Classificação:

4,0

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