JIM DAS SELVAS

Por Adilson Thieghi
Data: 1 dezembro, 2008


Autor: Alex Raymond (roteiro e arte).

Preço: variável, dependendo do sebo onde for encontrado

Número de páginas: 104

Data de lançamento: 1974

Sinopse: Três arcos de tiras publicados na seqüência.

Jim Bradlev, o homem das selvas (publicada originalmente entre
07/01/1934 e 11/11/1934, nos Estados Unidos).

Mi-Ki, o vale da morte (publicada originalmente entre 18/11/1934
e 14/07/1935, nos EUA).

A armadilha do rio (publicada originalmente entre 21/07/1935 e
27/10/1935, nos EUA).

Positivo/Negativo: “Jim das Selvas é, antes de tudo, um grande
modelo de homem. Modelo pelo qual todos poderão formar uma estrutura própria
de caráter, a presteza na ação e na reação, a facilidade do raciocínio
esmerilhado diante do perigo, a nobreza dos sentimentos, a pureza das
intenções, a grande capacidade de viver a vida nos limites sagrados da
Honestidade e do Dever!”.

O trecho acima é parte da introdução publicada na edição de 1937 em que
a Ebal trouxe Jim das Selvas para o Brasil, e republicada neste
belíssimo álbum em capa dura, formato horizontal, sobrecapa com arte de
Monteiro Filho e capa com desenho original conforme publicado no número
de estréia.

Mas quando se começa a ler a obra, é inevitável tomar um susto com o “mocinho”.
Na primeira aventura, ele mata pelo menos uns dez felinos, entre leões,
tigres, onças e panteras (todos o atacaram primeiro, coitados!), seqüestra
outros tantos para vender ao circo; é responsável ainda pela morte de
um tubarão, um gorila, uma cobra. Enfim, o homem é um verdadeiro perigo
para a fauna da África, Ásia e territórios adjacentes!

Ainda assim, fica fácil entender o porquê de tantos elogios no texto introdutório,
em especial após a leitura do imprescindível livro A
Guerra dos Gibis
(Companhia das Letras), do jornalista
Gonçalo Junior. A Ebal fazia questão de frisar o caráter lúdico
e o potencial educativo das HQs da época, na cruzada de Adolfo Aizen em
prol da publicação do gênero no Brasil, tanto como empresário, quanto
como entusiasta.

JIM DAS SELVASJim
das Selvas
(Jungle Jim, no original) foi criado em 1934 por
Alex Raymond (1909 – 1956) para o King Features Syndicate. O objetivo
era concorrer com o Tarzan de Hal Foster (e posteriormente Burne
Hogarth), que fazia grande sucesso.

O herói começa sua carreira como uma espécie de caçador de animais, passando
aos poucos para o papel de aventureiro. Ganhou adaptações para o rádio
e para um seriado nos cinemas.

Aliás, não é de hoje que foi tecida a tênue linha que separa o cinema
dos quadrinhos: roupagem, figurinos, cenários, quem gosta de filmes antigos
prontamente se identificaria com a arte deste álbum – sendo justamente
o grande destaque da edição o belíssimo traço de Raymond, considerado
por muitos como um virtuoso da Nona Arte (e, de fato, o era).

“Ainda hoje todos falam de Raymond como se ele estivesse vivo, graças
à excelência de tudo que ele fez nos quadrinhos”, afirma o jornalista
Goida, na Enciclopédia dos Quadrinhos (L±).

E a arte limpa, detalhada e esteticamente real é mesmo o grande encanto
deste álbum, já que, em especial na primeira aventura, o roteiro quase
inexiste, são apenas situações desconexas uma após a outra com a única
intenção de fazer Jim das Selvas correr, lutar e salvar quem quer que
corra perigo.

No decorrer da trama, ele lembra Indiana Jones (ainda que tenha surgido
muito antes deste): encontra o reino escondido de Mi-Ki, enfrenta o último
exemplar dos tigres dentes-de-sabre (e, obviamente, extingue a espécie
em definitivo), peita vilões traiçoeiros, arrisca-se contra tribos selvagens,
pula despenhadeiros, leva tiros, facadas, flechadas, tudo praticamente
sem perder o charme nem o rebolado, voltando poucos quadros após para
resolver a contenda.

Estereótipos não faltam na aventura: os vilões nem sabiam o que é ambigüidade,
e querem porque querem matar traiçoeiramente o garboso herói. A mocinha,
como sempre, corre grande perigo a todo o momento. E o que seria do Jim
das Selvas sem Kolu, um forte hindu que, como coadjuvante, chega a ficar
extenuado de tanto ter que salvar a vida do “patrão”?

Se o ápice da carreira de Alex Raymond foi Flash Gordon, é impossível
para os interessados por quadrinhos não associá-lo ou lembrar de imediato
das suas demais criações, o Agente Secreto X-9, numa parceria com
o escritor Dashiell Hammett, o próprio Jim das Selvas e o detetive
Nick Holmes (Rip Kirby, no original).

Vale abrir novas aspas e citar uma frase de Raymond que consta deste álbum
da Ebal: “Cheguei, honestamente, à conclusão de que a História
em Quadrinhos, em si, é uma forma de arte. Reflete a vida e o tempo com
mais precisão e é mais artística do que a ilustração de revista, por ser
inteiramente criativa. Um ilustrador trabalha com máquina fotográfica
e modelos; um desenhista de história em quadrinhos começa com uma folha
em branco e sonha inteiramente sua obra – ele, ao mesmo tempo, é roteirista
de cinema, diretor, montador e ator”.

Este volume traz um registro histórico de uma pequena fração do trabalho
de um dos grandes nomes dos quadrinhos de todos os tempos. Imperdível
– se você der sorte de achar em algum sebo.

Classificação:

4,0

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