Jim Henson’s – Tale of Sand

Por Milena Azevedo
Data: 1 dezembro, 2012

Jim Henson's - Tale of SandEditora: Archaia – Edição especial

Autores: Jim Henson e Jerry Juhl (roteiro), Ramón K. Pérez (arte e cor) e Ian Herring (cor).

Preço: US$ 29,95

Número de páginas: 152

Data de lançamento: Novembro de 2011

Sinopse

Tale of Sand é a adaptação, em formato graphic novel, de um roteiro inédito de Jim Henson e Jerry Juhl. A história foca em homem comum, Mac, que chega a uma cidade do sudoeste norte-americano e é levado a participar de uma estranha aventura.

Então, Mac passa a ser perseguido pelo deserto, por um homem misterioso e feras de proporções inimagináveis.

Positivo/Negativo

Muitos anos antes de Jim Henson criar os Muppets e a Vila Sésamo, ele trabalhou com desenhos e experimentos fotográficos. Em meados da década de 1960, escreveu, dirigiu e atuou no curta-metragem experimental Time Piece, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

Ao encontrar Jerry Juhl, num festival de marionetes, Henson achou seu parceiro perfeito de trabalho, coescrevendo com ele numerosos roteiros, entre eles um longa surrealista, que permaneceu inédito por quase quatro décadas.

A historiadora e diretora do setor de arquivos da Jim Henson Company, Karen Falk, descobriu o roteiro de Tale of Sand, e encantou-se com aquela narrativa escrita entre 1967 e 1974, para ser rodada com atores, nos moldes de Time Piece. Como o enredo era uma espécie de paródia surrealista dos filmes de faroeste, e Henson ainda não era famoso, foi difícil negociá-lo com os estúdios da época, mesmo em tempos de Nova Hollywood.

Lisa Henson, CEO da Jim Henson Company, logo entrou em contato com Stephen Christy, da Editora Archaia, para dar vida àquele roteiro, que em suas palavras “era um tesouro enterrado”. A escolha por adaptar Tale of Sand para o formato graphic novel nascia ali, e o desenhista canadense Ramón Pérez foi convocado para a dadivosa missão.

A obra conta a história de um homem de trinta e poucos anos de idade, chamado Mac, que mal chega a uma festiva cidadezinha do Oeste norte-americano, no que parece ser a década de 1950, e é chamado pelo Xerife Tate para cumprir uma estranha tarefa.

O xerife dá a ele um cigarro, um mapa e uma mochila repleta de extravagantes utensílios, dizendo que ele tem apenas dez minutos de vantagem antes do início da aventura. A única informação concreta dada é que Mac precisa chegar à Montanha da Águia para se salvar… e que não é prudente confiar no mapa.

Ao cruzar a linha, Mac começa a correr desesperadamente. Pensando estar a salvo, faz uma pausa para descansar, mas é bombardeado com tiros de revólver, disparados por seu algoz implacável: um misterioso homem de barbicha pontiaguda, que se veste tal qual um janota e usa um tapa-olho.

Mac continua à procura da Montanha da Águia, mas a paisagem do deserto lhe prega peças, levando-o a encontrar um saloon, um clube noturno, uma cidade fantasma, uma mulher à beira de uma piscina que guarda um tubarão, um tanque de guerra, árabes sanguinolentos e jogadores de futebol americano – com espaço até para uma ponta do próprio Henson -, numa mistura de Lemonade Joe (um dos filmes ícones da Nova Onda Tcheca) com Os Monkees estão à solta (Head), orquestrada pelo nonsense do Monty Python.

Numa história de pouquíssimos diálogos, a arte precisaria ser forte o suficiente para prender a atenção do leitor. E Ramón Pérez tirou isso de letra, traduzindo a comicidade surreal da narrativa de Henson e Juhl, ao unir quadros monocromáticos a outros coloridos, sendo alguns pintados com aquarela, explorando todas as possibilidades dos recursos de layout das páginas. E Ian Herring acertou nas cores chapadas, predominando rosa, roxo, azul e amarelo, trazendo uma atmosfera onírica à arte.

A Archaia caprichou na edição, que ganhou capa dura, texto introdutório de Karen Falk, posfácio de Lisa Henson, biografia dos três artistas, sketches dos personagens e enxertos do roteiro original pincelados em algumas páginas. Ainda há um elástico lateral para fechar o álbum, dando-lhe a aparência de um grande moleskine.

O preço é um atrativo à parte, um excelente custo-benefício, proporcionado pela impressão feita na China.

Sem dúvida, Tale of Sand é uma pequena obra-prima resgatada, inebriando o olhar de quem folheia suas páginas e mergulha de cabeça na louca e divertida aventura de Mac.

Não é à toa que a obra está concorrendo em cinco categorias na edição de número 24 do Prêmio Eisner: Melhor graphic novel em álbum inédito; Melhor desenhista/arte-finalista, com Ramón Pérez; Melhor colorista, com Ramón Pérez e Ian Herring; Melhor letrista, com Deron Bennett; e Melhor design de publicação.

Classificação:

4,0

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