JIMMY CORRIGAN – O MENINO MAIS ESPERTO DO MUNDO

Por Igor Toscano
Data: 1 dezembro, 2010

JIMMY CORRIGAN - O MENINO MAIS ESPERTO DO MUNDO

Editora: Quadrinhos na Cia. – Edição especial

Autor: Chris Ware (roteiro e arte) – Originalmente em Jimmy Corrigan – The smartest kid on Earth.

Preço: R$ 49,00

Número de páginas: 384

Data de lançamento: Dezembro de 2009

 

Sinopse

Jimmy Corrigan, um homem de meia-idade, tem uma vida sem emoções, reprimido pela mãe.

Um dia, quando recebe uma carta de seu pai, um homem que desapareceu logo após ele nascer, Jimmy decide encontrá-lo para um jantar de Ações de Graças.

Positivo/Negativo

A última década foi marcada por histórias em quadrinhos autobiográficas, especialmente sobre famílias disfuncionais, muitas delas premiadas, como O chinês americano, Fun Home – Uma tragicomédia em família, Retalhos etc. Uma das primeiras a chamar atenção para o gênero foi justamente Jimmy Corrigan, publicada originalmente em 2000, na revista New City, de Chicago, e na Acme Novelty Library, de Ware.

Jimmy Corrigan mostra a história de um homem tímido, tolhido pela mãe opressora, que se refugia em sonhos escapistas. Quando resolve ir visitar seu pai, que nunca conheceu, passa por momentos constrangedores de silêncio, diante de um desconhecido.

A atmosfera claustrofóbica e de estranheza que é transmitida ao leitor é fruto da experiência pessoal do autor, que conheceu seu pai por meio de um telefonema e com quem teve pouquíssimo contato, antes de ele falecer.

Chama a atenção, de cara, a introdução na capa interna, uma espécie de manual de instruções da obra, acompanhada de comentários, alguns bastante irônicos, sobre a natureza e a indústria dos quadrinhos. Escrita em fonte tamanho “bula de remédio”, o extenso texto é uma divertida apresentação do que vem a seguir.

O experimentalismo do autor é outro fator que se destaca apenas folheando o álbum. Em cada página há quadrinhos (com texto) deitados, que exigem que o leitor vire e desvire a edição. Além de maquetes, chamadas publicitárias, que tornam o livro muito bonito visualmente. Os quadros são repletos de pequenos detalhes, que ajudam a compor a bela história.

História, aliás, que parece ficar em segundo plano, com o excesso de detalhes gráficos, e com o traço quase cartunesco das expressões das personagens, mas isso é um engano comum. A trama é o forte do álbum.

Utilizando-se de técnicas narrativas como flashback e histórias paralelas, misturando sonhos com realidade, Chris Ware cria uma obra profunda sobre os relacionamentos humanos, as responsabilidades da vida adulta, a infância, a família e o afeto.

A edição brasileira tem acabamento impecável, papel de qualidade, tudo para se manter fiel à original – o autor exigiu a fidelidade das cores e que seu nome e o da editora não aparecessem na capa.

Além disso, o texto foi muito bem traduzido. Impressionante como detalhes mínimos, que às vezes requerem ajuda de uma lupa para serem bem observados, estão lá, intactos. Pelo esmero do álbum, o preço é justo.

Ainda assim, Jimmy Corrigan não é uma obra para todos. Muitos leitores, principalmente os acostumados com histórias de super-heróis, devem achar o ritmo lento e confuso, com as constantes idas e vindas entre a trama principal e a do avô do protagonista (muito parecido com ele, por sinal) e os sonhos.

No entanto, a obra é dessas para se ler com muita atenção, pois esconde muitos detalhes, que, por fim, só engrandecem e fazem de Jimmy Corrigan uma das mais marcantes histórias da década.

Classificação:

4,0

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