JOGOS DE PODER – VOLUME 1 – OPERAÇÃO: TERRENO PARTIDO

Por Diego Figueira
Data: 1 dezembro, 2010

JOGOS DE PODER - VOLUME 1 - OPERAÇÃO: TERRENO PARTIDO

Editora: Devir Livraria – Edição especial

Autores: Greg Rucka (roteiro) e Steve Rolston e Stan Sakai (desenhos).

Preço: R$ 19,95

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Agosto de 2008

 

Sinopse

Tara Chace é uma agente da Divisão Especial do Ministério da Inteligência britânico, do grupo conhecido como “Guardiões” – as pessoas chamadas quando a política fica realmente suja. Suas missões são perigosas, clandestinas e, quase sempre, exigem uma moral mais… flexível.

Após eliminar um alvo em Kosovo, Tara torna-se alvo de um ousado contra-ataque do inimigo. Nesse momento, ela se vê impotente em meio ao jogo perigoso das agências de espionagem internacionais.

Positivo/Negativo

À primeira vista, é um pouco difícil notar, mas esta é a renomada série Queen & Country, do escritor Greg Rucka. A tradução do nome (complicada, é verdade) dificulta esse reconhecimento e, neste caso, alguma indicação na capa talvez ajudasse a chamar a atenção para a publicação.

Atualmente, tanto os leitores norte-americanos quanto brasileiros já reconhecem o talento de Rucka para histórias policiais e de espionagem. Para a DC Comics, ele escreveu a aclamada série Gotham City contra o crime, em parceria com Ed Brubaker. Ambos também repetiram a parceria em histórias de super-heróis urbanos, como Batman e Demolidor.

Em Jogos de Poder estão presentes as mesmas qualidades que tornaram esses trabalhos um sucesso. Personagens bem construídos e conflitos na hierarquia da Inteligência britânica compõem um cenário cheio de tensão, no qual Rucka desenvolve uma trama focada na angústia da agente Chace, depois que ela se torna alvo da vingança de terroristas.

A política das agências de espionagem é um dos elementos principais da trama. A burocracia e o jogo de interesses que predominam nas relações, mesmo entre departamentos de um mesmo país, são uma realidade cruel que custam vidas.

Os superiores de Chace mostram-se tão odiosos quanto seus inimigos, tratando-a como um peão em um tabuleiro de xadrez. Mesmo seu diretor de operações, que luta para conseguir ajudar, a trata de forma rude, pondo a vida dela em risco desde o início em missões extremamente perigosas.

Nessa situação, a personagem de Chace se destaca como grande heroína da série; como uma mulher em uma função predominantemente masculina (outras mulheres da organização exercem apenas cargos operacionais e burocráticos), mas sem pender para os clichês.

Os desenhos de Steve Rolston, apesar de não comprometerem, não estão à altura do roteiro de Rucka. Nos extras da edição, o próprio artista se defende das críticas ao seu estilo caricato, mas mesmo os traços de Stan Sakai (que assina uma história curta no final) e de Tim Sale (que faz as capas do arco todo) não são “realistas” e, ainda sim, têm um impacto dramático bem mais forte.

Roslton deixa de expressar muitas emoções sugeridas pelo diálogo, tornando algumas cenas importantes um tanto pobres. Além disso, na primeira metade da trama, ele é econômico demais em relação aos cenários, deixando vários quadros praticamente em branco e prejudicando a atmosfera de tensão da história.

Ainda sim, é uma série mais do que bem-vinda ao mercado nacional, outro acerto da Devir, que fez uma edição sem nenhuma extravagância, mas bem cuidada, garantindo um preço acessível.

Classificação:

4,0

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