John Constantine – Hellblazer – A Cidade dos Demônios

Por Liber Paz
Data: 18 janeiro, 2013

John Constantine - Hellblazer - A Cidade dos DemôniosEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Si Spencer (roteiro), Sean Murphy (arte), Dave Stewart (cores) – Originalmente em Hellblazer – City of Demons # 1 a # 5 e Vertigo Winter’s Edge # 3.

Preço: R$ 18,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Agosto de 2012

Sinopse

John Constantine sofreu um acidente e foi hospitalizado. Dois médicos perceberam uma estranha anomalia em seu sangue e decidiram tentar desenvolvê-la e controlá-la.

Contaminando outras pessoas com o sangue de Constantine, esses médicos sujeitam a cidade de Londres a uma infecção demoníaca sem precedentes.

Positivo/Negativo

De cara, a melhor coisa desta edição é a arte de Sean Murphy, belíssima, irretocável.

Já a história de Si Spencer começa bem, vai degringolando e termina com uma “reviravolta surpreendente” pra lá de sem-vergonha.

John Constantine é provavelmente o mais carismático e longevo personagem do selo Vertigo. Isso se deve a uma combinação de dois fatores.

Primeiro, a personalidade forte e demasiadamente humana, cheia de vícios e imperfeições e, justamente por isso, carismática e irresistível. John é um malandro, um sujeito que apanha muito da vida, mas que sabe se virar. É o camarada dos botecos, o casca-grossa com coração de ouro. É o Charles Bukowski do mundo sobrenatural.

De outro lado, há o horror bruto, o medo da escuridão, a ameaça constante de demônios que persegue o mago inglês. Constantine é, assim, um contraste entre malandragem e o terror, o embate entre o carisma humano e todas as coisas ruins que nos procuram nas horas mais escuras e solitárias da madrugada.

Assim se faz uma boa história de Constantine: mesclando camaradagem de boteco com o horror demoníaco.

A história de Spencer começa bem, seguindo essa fórmula. John está num bar, sofre um acidente, quase morre, é internado. No hospital, interage com outros pacientes que estão à beira da morte. Promissor, não?

No entanto, o problema está no desenrolar. Por uma extraordinária coincidência, os dois médicos que cuidam de Constantine também são conhecedores do sobrenatural e conseguem identificar os elementos demoníacos no sangue do mago.

Mais que isso, os dois decidem utilizar esse sangue para conseguir atrair a atenção do inferno e “dominar o Céu e a Terra ao mesmo tempo”. Para isso, começam a infectar outros pacientes com o sangue de John.

A situação rende algumas cenas bacanas, como a artista que está organizando uma “exposição”, o sujeito que visita os pais da namorada e o passeio de ônibus.

Entretanto, são ótimas cenas de terror conectadas por um plano de conquista maluco que joga a cidade à beira do caos e é resolvido de maneira muito simples por Constantine. Aliás, a solução da “sangria” ao final é simplesmente frustrante.

De certa forma, A cidade dos demônios antecipa o tipo de história que John Constantine vai viver agora que foi incorporado ao universo de super-heróis da DC: vilões com um plano maquiavélico sobrenatural que é desarmado pelo nosso herói.

O que ainda pode caracterizar essa história como algo mais “adulto” é a violência sangrenta e a sexualidade de certas cenas. Mas tudo isso perde força no meio desse plano ingênuo de conquista do mundo.

Fica a impressão de que poderia ter sido uma trama realmente impactante se fosse deixado de lado o paradigma dos vilões cientistas loucos e se valorizasse mais os aspectos de uma boa e sombria história de terror.

Vale ressaltar, mais uma vez, que a arte de Sean Murphy quase compensa a decepção com o roteiro.

Além disso, no final da edição há um conto de seis páginas escrito e ilustrado por Dave Gibbons, chamado Outro maldito Natal. Despretensioso e engraçado, corresponde melhor ao que se espera de uma história de John Constantine.

Classificação

3,0

• Outros artigos escritos por

.