John Constantine – Hellblazer – Origens – Volume 1 – Pecados Originais

Por Liber Paz
Data: 23 setembro, 2011

John Constantine Hellblazer - Origens - Volume 1 - Pecados OriginaisEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Jamie Delano(roteiro), John Ridgway(arte) e Lovern Kindzierski (cores) – Originalmente em Hellblazer # 1 a # 6

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Setembro de 2011

Sinopse

Em suas primeiras histórias solo, John Constantine salva Nova York de uma possessão demoníaca em massa, enfrenta demônios yuppies, resgata sua sobrinha das mãos de um sombrio assassino, testemunha o massacre de uma cidade nas mãos de soldados fantasmas e confronta um hooligan de quatro cabeças.

Positivo/Negativo

John Constantine surgiu como um personagem coadjuvante nas histórias do Monstro do Pântano escritas por Alan Moore nos anos 80. Essa informação, como diz o prefácio do volume, o leitor já está “careca de saber”.

E o ótimo texto de introdução já é uma grata surpresa: traz informações sobre a trajetória editorial do personagem e contextualiza historicamente a evolução da série e suas tramas. Também promete um mapa da publicação de Hellblazer no Brasil para o próximo volume deOrigens.

A possibilidade de uma republicação organizada e completa das histórias do mago inglês no Brasil empolga. Seguindo o exemplo de outro título da VertigoPreacher, acompanhar as aventuras de John Constantine por aqui sempre foi uma tarefa confusa.

Muitas pessoas consideram as histórias escritas por Garth Ennis as melhores, mas o trabalho de Jamie Delano, aqui apresentado, se não as supera, pelo menos chega bem perto disso.

O roteirista de Northampton (a mesma cidade de Alan Moore) coloca muitos pontos de vista políticos e comentários sociais em seu texto. Citações às eleições e à situação econômica criam um forte vínculo das tramas com o contexto histórico da década de 1980.

Nessas primeiras histórias solo de Constantine, Delano vai além das referências político-sociais e constrói boas situações de terror e suspense, num ritmo veloz de acontecimentos.

Fome e Um banquete de amigos são as duas partes de uma das melhores histórias de Hellblazerem todos os tempos.

Carregada de suspense e terror, foi a estreia solo de Constantine. Aqui são apresentadas as linhas gerais do seu estilo: cinismo, humor ácido e total ausência de escrúpulos, entremeado com uma culpa pesadíssima. Também é visto pela primeira vez Chas, o amigo, escudeiro e motorista de táxi.

Na trama, um demônio africano chamado Mnemoth é solto em Nova York. Para detê-lo, Constantine precisa realizar um sacrifício.

Correndo atrás tem um estilo diferente. Os demônios representados não parecem evocar o horror, mas servir como apoio para a crítica sobre as eleições que seriam realizadas naquele ano de 1987. Embora interessante, o enredo destoa dos demais e é o mais fraco do volume.

O leitor ainda a família de Constantine em À espera do homem. Gemma, sua sobrinha, é sequestrada. A tensão criada durante a busca pela menina é eletrizante.

Quando Johnny volta marchando para casa parece escrita por Stephen King. Uma pequena cidade, à beira do abandono total, reúne-se em um fervoroso círculo de orações pedindo pela volta de seus filhos mortos na guerra do Vietnã. As consequências são funestas. Aqui, Constantine aparece como “o cara que escapou” para contar a história.

Finalmente, em Preconceito extremo, surge Nergal, o demônio. Ele massacra quatro hooligans(como são chamados os fanáticos torcedores de futebol ingleses) e reconstrói seus corpos criando um monstro de quatro cabeças. A criatura é enviada para matar Zed, uma namoradinha de Constantine.

Esse capítulo reúne as pistas que foram espalhadas pelas outras tramas, como o Exército da Danação e os Cruzados da Ressurreição, e parece dar início a um enredo que se estenderá por mais episódios.

É interessante notar como Jamie Delano dá valor a detalhes em seu roteiro. Descrição de sons, devaneios sobre aspectos da vizinhança, comentários sobre as pessoas que simplesmente passam pela rua.

O texto ajuda a construir toda uma atmosfera pesada e sufocante. Serve como uma trilha sonora para a arte poluída e sombria de John Ridgway, simplesmente perfeita para dar forma às histórias. O acabamento “rabiscado” do desenhista parece evocar a fuligem das chaminés vitorianas, a sujeira de séculos que se acumula nas paredes de Londres.

Entretanto, a diagramação ousada às vezes fica confusa demais e quebra o ritmo de leitura. Há linhas de quadrinhos que devem ser lidas de uma página para outra e nem sempre isso fica claro.

Trata-se realmente das “origens” do personagem, da definição de seu estilo narrativo, sua personalidade e das linhas gerais que guiarão suas tramas. Também é um bom exemplo do tipo de história que se fazia na década de 1980 e que deu origem ao selo Vertigo.

Espera-se que a série Origens obtenha sucesso e continue em frente, cobrindo os títulos deHellblazer não lançados no Brasil. Mais ainda, que supere as “origens” e disponibilize com organização uma dos títulos mais bacanas dos quadrinhos.

Classificação

4,5

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