John Constantine – Hellblazer – Origens – Volume 2 – Triângulos Infernais

Por Liber Paz
Data: 9 dezembro, 2011

John Constantine Hellblazer - Origens - Volume 2 - Triângulos InfernaisEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Jamie Delano e Rick Veitch (roteiro). John Ridgway, Rick Veitch, Richard Piers Rayner, Tom Mandrake e Brett Ewins(arte). Alfredo Alcala, Mark Buckingham e Jim McCarty (arte-final) e Lovern Kindzierski e Tatjana Wood (cores).

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Novembro de 2011

Sinopse

John Constantine encontra-se no meio do embate entre as forças fundamentalistas da Cruzada da Ressurreição e o diabólico Exército da Danação.

Em um instante crucial, quando sua namorada Zed é aprisionada pelos Línguas de Fogo, uma facção da Cruzada, Constantine é abordado pelo Monstro do Pântano. Entretanto, parece que o antigo aliado não veio para ajudar e tem seus próprios planos.

Positivo/Negativo

Abrindo com um ponto extremamente positivo, deve-se ressaltar o ótimo trabalho editorial daPanini com esta edição.

O preço é acessível e convidativo e há uma série de complementos enriquecedores, como uma galeria de capas, um mais do que bem-vindo e completo mapa de publicação da série Hellblazerno Brasil e vários textos explicativos.

Há uma preocupação visível com o leitor que ainda não conhece toda a história de Constantine, ao apresentá-la de maneira didática e ainda incluir com destaque avisos de spoilers.

Todo esse cuidado revela-se muito importante, porque as aventuras que compõem a coletânea são uma bagunça.

Uma das razões para a desordem das ideias e acontecimentos é apontada na introdução pelo próprio Jamie Delano; e pode ser verificada na quantidade de nomes envolvidos na autoria da obra.

Trata-se da própria estrutura dos comics norte-americanos, com sua “continuidade”, suas histórias de títulos diferentes que se cruzam misturando tramas e equipes diferentes para tentar produzir algo coerente.

Mas Delano também possui culpa nas inconsistências que permeiam a narrativa.

Atenção: a partir deste ponto, a resenha apresentará algumas informações que talvez estraguem surpresas na leitura. Por outro lado, também podem prevenir o leitor contra possíveis decepções.

Fantasmas na máquina é uma continuação direta dos eventos vistos no primeiro volume da série. Constantine está investigando a Cruzada da Ressurreição e pede ajuda para Ritchie, um velho amigo, mago e conhecedor de informática.

Trata-se, provavelmente, da melhor história da coletânea. Primeiro, porque apresenta coerência com a trama que vinha sendo desenvolvida nos episódios anteriores. Depois, porque possui elementos instigantes. Por mais batida que seja a ideia de viagem astral dentro de um ciberespaço, o desenvolvimento e o desfecho tem um bom impacto dramático.

A seguir, vem Tratamento Intensivo, que apresenta um acontecimento antológico na mitologia do personagem: a história do sangue do demônio Nergal. O encontro de Constantine com ele é genuinamente tenso e assustador. A partir daí, Jamie Delano parece perder o rumo.

Em Jogado no Inferno, sem muitas explicações, Constantine viaja para a América, perambula bêbado, tem uma crise existencial e é assombrado por alguma coisa completamente indefinida. Parece ser um preparo psicológico para o que terá de fazer com Zed, mas o roteiro é vago e impreciso.

Por trás de tudo há um jogo de estratégias e intrigas elaborado pelo protagonista, mas é exposto de um modo tão confuso que não envolve o leitor.

Após se recuperar, Constantine volta para a Inglaterra. Em questão de quatro páginas todo o problema que veio sendo construído nos últimos episódios é resolvido da seguinte maneira: John transa com Zed. A simplicidade da solução é de um anticlímax sem tamanho.

Ao voltar para o seu apartamento, o mago encontra o Monstro do Pântano e tudo degringola de uma vez. A aparição da criatura acontece exatamente no momento em que John precisava, como um extraordinário e constrangedor Deus ex machina.

Todos esses acontecimentos são narrados em Jogado no Inferno e parecem realmente “jogados” na cabeça do leitor.

A partir desse momento, há um crossover dos títulos de Swamp Thing e Hellblazer. O enredo é escrito em parceria com Rick Veitch.

Constantine precisava de uma ajuda para reequilibrar a guerra entre as forças do Céu e do Inferno. O Monstro do Pântano precisava de auxílio humano para engravidar sua mulher Abby.

Daí vem os “triângulos infernais” do título… e a trama descamba.

Nas três últimas histórias, sem muitas explicações, o Monstro possui o corpo de Constantine e engravida Abby. Enquanto isso, a forma astral do bruxo viaja livremente entre dimensões e testemunha as terríveis consequências de suas ações para Zed.

Toda a relação de romance que tinha sido construída entre John e Zed, e a própria personalidade da garota são simplesmente desconsideradas. Todo o clima de terror dos episódios anteriores é encoberto por confusos estratagemas. Os acontecimentos parecem desconexos e a trama, sem propósito.

As aparições do Vingador Fantasma e do demônio Etrigan lembram diretamente as histórias escritas por Alan Moore e tendo-as como parâmetro de comparação ficam ainda mais gritantes todas as imperfeições e equívocos do presente enredo.

O antagonismo entre a Cruzada da Ressurreição e o Exército da Danação poderia levantar situações interessantes, que criticassem o fundamentalismo religioso, a violência totalitária e outros temas sociais que são caros para Delano. Entretanto, essas possibilidades permanecem inexploradas.

Enfim, em termos de roteiro, Hellblazer encerra este volume de modo insatisfatório.

Vale elogiar, contudo, a arte de John Ridgway. A má notícia é que essas são suas últimas histórias no título. Rick Veitch e Tom Mandrake são bons desenhistas, mas não estão no seu momento mais brilhante. Richard Piers Rayner está muito aquém do ótimo trabalho que apresentou em Estrada para perdição.

Apesar dos tropeços no roteiro, a edição apresenta pelo menos dois bons episódios: Fantasmas na máquina e Tratamento intensivo. E tem acontecimentos que são fundamentais na mitologia do personagem.

John Constantine possui leitores fiéis, que merecem o respeito e a seriedade que a Panini está dedicando à série, publicando todas as aventuras em ordem cronológica. Que venham mais volumes.

Classificação

3,0

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