John Constantine – Hellblazer – Origens – Volume 7 – O coração do menino morto

Por Tiago Salviatti
Data: 11 abril, 2014

John Constantine – Hellblazer – Origens – Volume 7 – O coração do menino mortoEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Jamie Delano (roteiro), Sean Phillips (arte edições # 35, # 36 e # 84), Steve Pugh (arte # 37 a # 39), Dave McKean (arte # 40), David Lloyd (arte # 250) e Tim Bradstreet (ilustrações de Vertigo Secret Files – Hellblazer). Originalmente publicado em Hellblazer # 35 a # 40 e compilando as edições # 84, # 250 e Vertigo Secret Files –Hellblazer.

Preço: R$ 23,90

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Fevereiro de 2014

Sinopse

Enfraquecido e abalado pelos eventos de suas últimas batalhas, Constantine precisa enfrentar fantasmas e traumas do passado para encarar seu maior desafio até o momento: ele mesmo.

Positivo/Negativo

Antes de comentar o conteúdo das histórias ou da qualidade dos encadernados da Panini, é importante destacar um fato relevante de contexto histórico da publicação da série no Brasil.

Para os leitores mais novos, talvez seja difícil crer, mas esta é a primeira vez que o final desta fase é publicado, incluindo histórias do Volume 6 LINK e deste último, inéditas no Brasil desde que saíram nos Estados Unidos.

O que saiu de fato por aqui, bem… é um exercício de perseverança dos garimpeiros de sebo, uma vez que a publicação das histórias de Jamie Delano se espalham por revistas e editoras. A Abril lançou em Monstro do Pântano e Vertigo, enquanto a Tudo em Quadrinhos/Metal Pesado o fez na revista Hellblazer e na minissérie Hellblazer & Monstro do Pântano – O celestial e o profano.

Não obstante, esses títulos não seguiram em momento algum uma ordem cronológica das edições, normalmente intercalando histórias de Garth Ennis e Jamie Delano – e, curiosamente, nenhuma das editoras publicou qualquer uma dessas fases por completo.

Assim, é a primeira vez que o leitor brasileiro pode encontrar ordenadas todas as 40 edições da fase de Jamie Delano, além do anual de 1989 e alguns pequenos extras, como arquivos de personagens, Classificações curiosas (a entrevista de Constantine para um fanzine quando do lançamento do primeiro álbum de sua banda) e, principalmente nesta edição, alguns dos trabalhos posteriores do autor com o mago canalha: as edições # 84 (imediatamente após os arcos de Ennis) e # 250 (uma antologia em comemoração ao número atingido) e um pequeno conto de nove páginas publicado na Vertigo Secret Files – Hellblazer, em 2005.

Antes que alguém pergunte, sim, ainda falta material – os especiais A horrorista (em parceria com David Lloyd, publicada em 1995 e no Brasil em 1999) e o inédito por aqui Hellblazer Special – Bad Blood – A restoration comedy, de 2000, com arte de Phillip Bond. Mas ambos são, como se sugere, extras que pouco complementam a leitura das demais edições originais e, principalmente o último, vale mais a título de curiosidade do que pela qualidade em si.

Quanto ao encadernado em questão, a Panini faz o seu melhor trabalho em todos os volumes da série. A qualidade gráfica confere nitidez ao traço mais escuro e rasurado de alguns artistas, preservando sua qualidade e facilitando a vida do leitor.

No que tange às histórias, é aí que pode estar o ponto de maior resistência. Delano trabalha com um humor negro tipicamente inglês que, às vezes, é difícil de decifrar (vide a edição # 84), e os momentos mais cerebrais abusam de psicodelia e metalinguagem para a conclusão dos eventos.

Mesmo assim, não deixa de abusar do horror psicológico e de criar situações que ficam com o leitor muito tempo depois de ele terminar de virar as páginas do volume.

A cereja do bolo é a edição # 40, com mais páginas e a estonteante arte de Dave McKean (que aqui brinca um pouco mais com cores quentes, ao contrário do que faz tradicionalmente), que conclui o arco com uma incrível sutileza e, sem grande esforço, poderia encerrar a série sem problema algum, caso a DC assim achasse conveniente. Mas, claro, não foi o caso. Só que isso é assunto para o próximo encadernado.

Curiosamente (ou paradoxalmente), inclusive, este volume é mais acessível a um leitor de primeira viagem ou que tenha perdido algum dos encadernados anteriores.

Classificação

4,5

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