Justice League 3000 – Volume 1 – Yesterday Lives

Por Edimário Duplat
Data: 25 fevereiro, 2019

Justice League 3000 – Volume 1 – Yesterday LivesEditora: DC Comics – Edição especial

Autores: Keith Giffen (enredo), J.M. DeMatteis (roteiro), Howard Porter (desenho e arte-final), Raymund Bermudez (desenho), Wayne Faucher (arte-final) e Hi-Fi (cores). Coletânea que reúne as edições # 1 a # 7 de Justice League 3000.

Preço: US$ 11.49

Número de Páginas: 176

Data de Lançamento: Outubro de 2014

Sinopse: No insólito Século 30, o universo vive uma era de trevas e temor. Desde que um grupo de tiranos quase divinos – conhecidos como The Five – destruiu as bases da civilização espacial, a única esperança reside no CadmusWorld, um planeta móvel que reúne os principais cientistas do mundo livre para uma missão quase impossível: trazer de volta a vida a lendária Liga da Justiça.

E uma luz de esperança brilha com o retorno de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde ao campo de batalha.

Entretanto, algo de estranho está acontecendo com os maiores heróis de todos os tempos: com poderes reduzidos, o grupo parece não se lembrar de seu passado e age diferente do que a História conta, sendo mais agressivos e totalmente desfocados de sua missão.

No meio disso tudo, a cientista Ariel Masters carrega um segredo que interessa aos dois lados e pode reformular totalmente este conflito intergaláctico.

Positivo/Negativo

Durante o período de reformulação editorial conhecido como Novos 52, a DC Comics iniciou uma segmentação de seus títulos em torno de núcleos temáticos que ajudavam a classificar as 52 séries existentes. Eram eles: Justice League (títulos focados na Liga e em heróis como Mulher-Maravilha, Aquaman, Flash etc.); Batman (Homem-Morcego e Bat-Família); Superman (séries do Homem de Aço, Supergirl e Superboy); Green Lantern (Lanterna Verde e personagens adjacentes); Young Justice (heróis adolescentes como Besouro Azul, Legião dos Super-Heróis e Super Choque); The Edge (mensais que traziam histórias de ficção científica, western e anti-heróis) e The Dark (núcleo mágico e de terror).

Entretanto, esta proposta foi gradativamente descontinuada durante o processo de cancelamento e de novos títulos da editora, fazendo com que os núcleos mais vantajosos (Batman, Superman e Justice League) dominassem o catalogo e diminuíssem a diversidade de temas e personagens utilizados.

Esta decisão ocasionou uma pobreza em relação às dinâmicas e ideias utilizadas, criando títulos cada vez mais repetitivos com os mesmos personagens e temas.

Mesmo dentro desta perspectiva genérica, existiram exceções que trouxeram identidade dentro de propostas distintas. Foi o caso de Justice League 3000, que partindo de um conceito repetitivo soube dar uma guinada para além do que acontecia em outros título focados na Liga da Justiça.

Criada para preencher a lacuna deixada pela Legião dos Super-Heróis (sem título depois de 40 anos de publicações continuas), Justice League 3000 – ainda inédito no Brasil – tem um ponto interessante em sua abordagem inicial: um grupo de heróis que assume o legado da Liga, mas não compreende do que se trata o conceito do heroísmo.

Dentro disso, DeMatteis e Giffen criam um roteiro que de certa maneira ironiza essa “obrigação” de seguir padrões de sucesso para mostrar uma equipe distante do significado e da história do grupo, emulando assim personalidades destoantes das originais e satirizando conceitos que vão desde o romance entre Clark e Diana dos Novos 52 até referências como os Super Gêmeos e a ideia sobre morte e ressurreição dos superseres.

Se o Superman é um ser que vive de evocar o passado e faz pouco para justificá-lo, o Batman do futuro prefere colocar a todos “na linha”, enquanto a Mulher-Maravilha é uma mistura de agressividade e libido bastante superficial. Isso sem contar a dupla formada por Flash e Lanterna Verde, ambos sem reproduzir os seus antigos poderes e vivendo muito mais de uma ideia vaga de seu legado do que o seu real potencial.

A isso, soma-se um futuro inóspito em que as organizações de “mocinhos” e “bandidos” mais se assemelham do que antagonizam, criando uma trama de sci-fi que não tem a intenção de ser heroica e vai em busca do seu próprio espaço dentro da mitologia da DC.

Nesse ponto, vale destacar os membros do The Five, um grupo de Deuses modernos e quase anárquicos de uma boa construção e conceitos acima do impossível, quase como uma força da natureza perante um universo acima dos limites da compreensão simplista entre bem e mal.

Na arte, Howard Porter se destaca com um traço detalhista e que sabe valorizar as expressões dos personagens. Sua narrativa é concisa e cheia de movimento, ajudando a fluir o texto nos capítulos, além de criar efeitos visuais bem criativos para heróis e vilões e cenários fantásticos que remetem puramente a ficção científica.

O ponto fraco, infelizmente, fica por conta de Raymund Bermudez, que assina apenas o capitulo cinco e quebra o ritmo com quadros mal construídos e péssimas caracterizações das cenas de ação.

Com um pé na sátira, Justice League 3000 pode não ser um produto referencial e desagrada muitos fãs que acreditam na mensagem dada pelo legado da Liga da Justiça. Entretanto, suas primeiras histórias (compiladas neste encadernado) conseguem estar além das repetições e são uma opção relevante para reimaginar estes símbolos sobre a perspectiva que apenas enxerga o plástico e o superficial dos super-heróis.

Classificação:

3,5

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• Outros artigos escritos por

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  • brasuka

    Uma pena nunca ter sido publicado por aqui… tsc… tsc… tsc…

  • Alvacir Lopes Albino

    Tanta porcaria que lançam por aqui e outros materiais passam batido.