JUSTICEIRO/BATMAN – CAVALEIROS MORTÍFEROS

Por André Craveiro
Data: 1 dezembro, 2011

JUSTICEIRO/BATMAN - CAVALEIROS MORTÍFEROS

Editora: Abril Jovem – Edição especial

Autores: Chuck Dixon (roteiro), John Romita Jr. (desenhos e capa), Klaus Janson (arte-final), Christie Scheele (cores) e Steve Buccellato (pintura da capa) – Originalmente publicado em Punisher/Batman – Deadly Knights, em 1994.

Preço: tabelado, na época

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Julho de 1996

 

Sinopse

Retalho escapou das mãos do Justiceiro, mas permanece escondido em Gotham. Continuando sua caçada ao vilão com a ajuda de Microchip, Frank Castle retorna à cidade e arma uma verdadeira guerra particular contra bandidos e a força policial.

Desta vez, o verdadeiro Batman é quem tomará as rédeas da situação, para colocar um basta definitivo no conflito.

Positivo/Negativo

Continuação direta dos eventos anteriores, com os mesmos heróis e vilões. Ou quase isso – agora, o Justiceiro enfrenta ninguém menos que o Batman original, Bruce Wayne, totalmente recuperado do acidente físico que sofrera das mãos de Bane.

Essa reintrodução do Morcego fica evidente nas páginas iniciais, quando já ocorre a primeira briga e comparações entre os vigilantes. Castle não enfrenta mais um brutamontes descuidado e irresponsável; ele esbarra num oponente de habilidades e técnicas refinadas.

Sendo o ardil oculto da primeira história, o Coringa se firma de vez como a mente insana por trás de tudo, usando o Retalho – agora magro – como fachada para operações criminosas objetivando o controle das gangues de Gotham.

Daí por diante, a narrativa entra num jogo de poder e caos urbano, ligeiramente inclinado ao estilo das HQs do anti-herói da Marvel.

Certas disparidades entre os dois encontros são notadas, pois há uma inversão de papéis entre Batman e Justiceiro: o primeiro está mais centrado e racional, enquanto o segundo fica mais louco e nervoso do que antes, “cavalgando no ódio”, como ele mesmo enfatiza.

Porém, ainda que Dixon tenha trabalhado por um bom tempo com ambos os heróis, a qualidade do roteiro deixa muito a desejar. Algumas cenas não passam despercebidas à atenção do leitor, graças às participações pouco produtivas (Robin e Microchip), aos furos no enredo ou à duvidosa proposta mostrada.

Numa das cenas, o Justiceiro é reconhecido pelo seu arqui-inimigo e adentra um clube lotado de criminosos, usando uma jaqueta grande e pesada… E nem ao menos é revistado. Nessa omissão, saca o armamento anexo ao copo e manda chumbo pra todo lado.

Já próximo do fim, dois momentos curiosos. Um deles é quando Retalho tem o rosto novamente desfigurado nas mesmas circunstâncias vistas em Justiceiro – Ano Um # 2 (Abril, 1996).

E a cena mais polêmica: Batman pedindo pro Coringa fugir e se salvar, enquanto encara Castle e leva um murro no meio da cara por isso. Tudo para defender a justiça pelos métodos legais, escorando-se no mesmo problema moral ao estilo do que fora mostrado no especial Coringa – Advogado do Diabo.

Mais um sinal do forte e, por vezes, inflexível caráter do Cavaleiro das Trevas.

No quesito desenho, Romita Jr. utiliza-se do conhecido estilo quadrado, infelizmente em demasia aqui, como era costume nos seus trabalhos mais antigos. Certos personagens são idênticos, com bustos exagerados; outros mais parecem bonecos de ventríloquo, tendo rostos talhados.

A última cena da página 35 diz tudo, com um Retalho ferido e cuja cabeça é desproporcional ao restante do corpo, chegando a ficar ridículo.

Para o leitor, a dica: procure embates Marvel/DC melhores do que este. Acredite, é possível.

Classificação:

4,0

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