KAZAR # 1

Por Gilberto M. M. Santos
Data: 1 dezembro, 2004

Autores: A morte em chamas – Roy Thomas e Gerry Conway (roteiro),
Barry Windsor-Smith (desenhos) e Sal Buscema (arte-final);

O dia dos tigres – Roy Thomas (roteiro), Gil Kane (desenhos), Frank
Giacoia (arte-final).

Preço: Cr$ 2,50 (preço da época)

Número de páginas: 96 páginas (preto-e-branco, formato 14 x 20
cm)

Data de lançamento: 1972

Sinopse: A morte em chamas – Após vagar numa jangada e quase
ser devorado por um ictiossauro, Kazar vai parar numa vila fundada por
antigos soldados nazistas, cujo navio foi abatido durante a segunda guerra.
Liderados por Rich Draco, os moradores do local se dizem pacifistas, mas
o herói logo descobre que não é bem assim…

Na segunda história, continuação da primeira, Kazar fica taciturno quando
a linda jovem que salvara das garras de Rich Drago se espanta com sua
rudeza. Kevin Plunder relembra os fatos que o levaram a ser o senhor da
Terra Selvagem, revelando sua origem.

Além disso, é mostrado como seu pai, Lorde Plunder, descobriu a Terra
Selvagem, os motivos que o levaram a se separar de seu irmão Parnival
e como cresceu sozinho num local hostil, tendo o dentes de sabre Zabu
como único companheiro. Num idioma fictício, Kazar significaria o filho
do tigre.

Kazar, capa da TimelyPositivo/Negativo:
Com essa equipe criativa, as histórias só poderiam ser adjetivadas de
formidáveis. Bons roteiros e desenhos absolutamente perfeitos. Com estilos
bastante diferentes, Barry Windsor-Smith e Gil Kane conduzem magnificamente
a narrativa gráfica.

O Ka-Zar (nesta revista a grafia não tinha o hífen), como os leitores
conhecem, foi criado em 1965 por Stan Lee e Jack Kirby, evidentemente
inspirado no conceito do nobre selvagem, caracterizado pelo filósofo Jean
Jacques Rouseau como um homem que vive num paraíso intocado pela corrupção
humana. O personagem faz parte em uma longa listagem de homens cujo arquétipo
básico se constitui em crescer num ambiente hostil, mas isento da maldade
humana, para ser tornar o senhor dessa mesma terra.

O Ka-Zar original, chamava-se David Rand, vivia no congo belga, e tinha
o leão negro (Zar) como companheiro. Foi criado em 1936, pela Timely
(precursora da Marvel),
para capitalizar a popularidade do Tarzan de Edgar Rice Burrough. Poucas
histórias do personagem chegaram a ser publicadas no Brasil, na saudosa
revista Gibi Mensal.

Na Marvel, apesar de ser bastante interessante, mesmo nas mãos
de grandes artistas, Ka-Zar nunca se estabeleceu como um herói de primeira
linha, teve sagas excelentes, mas sempre se mostrou mais adequado como
coadjuvante, tendo participado das aventuras de uma infinidade de heróis.
Sua estréia, inclusive, se deu como personagem secundário nas histórias
dos X-Men.

Mesmo atualmente, em que o politicamente correto virou clichê e, apesar
do racismo implícito na idéia que um homem “civilizado”, é capaz de sobreviver
num ambiente hostil e se tornar senhor do local e dos povos bárbaros que
o habitam, Ka-Zar é um personagem bastante popular.

As histórias mostradas nesta revista foram originalmente publicadas sob
os títulos To End In Flame e A Day of Tigers, respectivamente
nas revistas Astonishing Tales # 10 (fevereiro de 1972) e #
11
(abril de 1972).

Infelizmente, as aventuras desta edição estão inseridas numa série cujo
início não foi mostrado. Além disso, a bela capa produzida por Gil Kane
e Frank Giacoia foi severamente prejudicada pela colorização infeliz da
Paladino.

A editora retinha os direitos para publicar alguns personagens Marvel
em formato livro, motivo pelo qual suas revistas eram assim denominadas.
Apesar de relativamente novas, esses títulos são muito difíceis de serem
encontradas em sebos. A raridade da edição e a qualidade das histórias,
a qualificam como “peça de coleção”.

* Um agradecimento aos colecionadores Paulo Ricardo Abade Montenegro e
César Rocha Leal pelas informações do Ka-Zar da Timely.

Classificação:

4,0

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