Ken Parker # 4 – Mythos

Por Carlos Vinícius Marins
Data: 30 março, 2001

Ken Parker # 4Editora: Mythos Editora – Mensal

Autores: O Grande Espetáculo – Giancarlo Berardi (argumento e roteiro), Ivo Milazzo e Giorgio Trevisan (desenhos). Colaboração do Estúdio Iemme.

Preço: R$ 3,90

Data de lançamento: Março de 2001

Sinopse

Essa edição narra o primeiro encontro de Ken “Rifle Comprido” Parker com uma das figuras mais lendárias do Velho Oeste: Willian Frederick Cody, mais conhecido como Buffalo Bill. Na realidade – como consta na matéria que abre a revista, escrita por Graziano Frediani – foi através de suas aventuras e de seu circo que correu o mundo, que o Oeste Selvagem começou a fazer parte do inconsciente coletivo.

Ken ainda está no Canadá e espera, com um grupo de pessoas em uma estalagem, à beira de um cais, o barco que os levará para o outro lado do rio para, assim, retornar à civilização.

Após uma desventura com um bando de arruaceiros, Ken conhece Edward Z. Carroll Judson, aliás, Ned Buntline – o jornalista e escritor que primeiro divulgou para o mundo as aventuras de Buffalo Bill, em crônicas publicadas no New York Weekly. Enquanto esperam o barco, Parker lhe conta como conheceu Buffalo Bill, muitos anos antes.

Em flashback vemos a aventura vivida por Ken em sua juventude, ocorrida anos antes de todas as aventuras narradas por Berardi. Ele ainda vivia em Buffalo, no Wyoming, na companhia dos pais e do irmão; e não havia começado a trabalhar para o exército como scout. Assim, substitui o pai como representante da lei na cidade, envergando no peito a estrela de xerife, pela primeira vez.

Nesse período, três acontecimentos mexem com a pacata cidade: a chegada da nova professora, a vinda do “Grande Show do Oeste Selvagem de Buffalo Bill” e a passagem de um trem repleto de ouro do governo. Com todos esses ingredientes no caldeirão, tudo pode acontecer…

Positivo/Negativo

Os quadrinhos no Brasil ainda têm salvação! Conforme a Mythos tinha prometido no ano passado (caso a mini-série em três números que lançaram com o personagem tivesse vendagem significativa), Ken Parker voltou às bancas brasileiras como título mensal – um grande ponto positivo.

A editora, numa boa sacada, decidiu continuar a numeração da revista a partir do 4, considerando a mini-série como os três primeiros números do título. A excelente matéria sobre Buffalo Bill, de Graziano Frediani, nos dá uma real noção histórica do personagem e apresenta uma série de dados de sua vida, que são relevantes para a história que se segue.

Boa também a seleção de imagens que ilustra a matéria, apresentando inclusive o encontro de Bill com Tex Willer (por sinal, uma das poucas histórias do personagem que eu gosto).

Quanto à história em si, Milazzo já desenhou melhor. Mas uma obra menor de Milazzo é ainda melhor do que a maioria das HQs encontradas nas bancas (leia mais sobre Milazzo aqui). Trevisan está exagerando mais que o normal nas hachuras de seus desenhos, mas não compromete. Pelo contrário: o duelo de Ken com um ladrão de galinhas ilustrado por ele possui suspense e humor no tom certo.

Como nem tudo são flores, continuamos com o problema da tinta, que sai fácil nos dedos, típico da Mythos, e uma interferência quase mutiladora na ilustração da capa, onde a editora mostra com grandes letras: “História completa – Ken Parker e Buffalo Bill”. Mas admito que é um mal necessário: foi a primeira coisa que me chamou a atenção quando a vi na banca e, com certeza, deverá despertar a curiosidade de possíveis novos leitores.

Classificação

4,0

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