Kiss – Greatest Hits – Volume 1

Por Marcus Ramone
Data: 10 julho, 2013

Kiss – Greatest Hits - Volume 1Editora: NFL Zine – Edição especial

Autores: Marvel Super Special # 1 – Steve Gerber (roteiro), Alan Weis, John Buscema e Rich Buckler (desenhos) e Al Milgrom (arte-final);

Marvel Super Special # 5 – Ralph Macchio (roteiro), John Romita Jr. (desenhos) e Tony DeZuniga (arte-final).

Preço: R$ 10,00

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Novembro de 2012

Sinopse

Republicação de Marvel Super Special # 1 e # 5, primeiras revistas em quadrinhos estreladas pela banda de heavy metal Kiss e lançadas nos Estados Unidos em 1977 e 1978, respectivamente.

Positivo/Negativo

NFL Zine, editora independente que tem se especializado em publicar quadrinhos protagonizados por bandas de rock, trouxe para o Brasil duas HQs históricas da Marvel, até então inéditas por aqui.

Com o lançamento de Kiss – Greatest Hits – Volume 1, finalmente chegaram ao País as edições especiais da “Casa das Ideias” que marcaram a estreia da “banda mais quente do mundo” nos quadrinhos.

A primeira delas, Marvel Super Special # 1, tem ainda o valor histórico de ter sido o primeiro gibi da editora norte-americana a atingir a marca de 400 mil exemplares vendidos, um feito só superado 15 anos depois, quando a primeira edição de Spider-Man desenhada por Todd McFarlane chegou às comic shops dos Estados Unidos e vendeu mais de um milhão de cópias.

Mas engana-se quem pensa que a qualidade da HQ foi determinante para esse sucesso de vendas. Afinal, o roteiro é bobo, inverossímil até para os padrões de aventuras de super-heróis, e os diálogos e as motivações dos personagens – incluindo o icônico Doutor Destino – carregam uma ingenuidade desconcertante.

No entanto, à época da publicação da HQ nos EUA, a banda estava no auge da fama e gozava de um apelo midiático e comercial só visto antes com os Beatles. Além disso, a edição foi impressa com tinta misturada ao sangue dos seus integrantes. Por isso mesmo, não foram apenas os leitores de quadrinhos que compraram Marvel Super Special # 1, mas, principalmente, a extensa legião de fãs do Kiss.

Isso explica o fracasso de Marvel Super Special # 5, a segunda aparição da banda nos quadrinhos, lançado quando o Kiss padecia de uma crise de autoafirmação musical (ingressara na onda da Discoteca) e enfrentava problemas de relacionamento entre alguns de seus integrantes, tudo resultando em uma exposição negativa junto ao público.

Curiosamente, essa HQ é melhor que a da estreia, com uma trama envolvendo viagens no tempo, cenas de lutas instigantes e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse com mais “sangue nos olhos” do que antes, mesmo sem a presença de nenhum personagem habitual da Marvel para incrementar a história. Dá até para esquecer o roteiro fraco.

Em comum entre as duas edições, o incontestável fato de que os desenhos foram feitos com todo o esmero e fazem o leitor se deter para apreciar as nuances de vários mestres do traço que empregaram ali o seu talento, como John Buscema e Tony deZuniga.

E esta edição da NFL Zine, cuja capa é a reprodução – em arte pintada – da que se tornou clássica em Marvel Super Special # 1, traz tudo isso para o leitor que quer ingressar nesse pedaço histórico do rock’n’roll e da Marvel (vale a pena rever ou conhecer alguns super-heróis hoje esquecidos e outros com o visual antigo, além da formação clássica de supergrupos como Vingadores e Defensores).

Ao contrário do que se viu nas republicações dessas aventuras em Kiss Kompedium (Harper Design, 2009), cuja recolorização exagerou nos degradés e deixou a arte muito escura, o lançamento da editora brasileira não só colocou tudo na medida certa, como também conservou algumas cores chapadas no primeiro capítulo.

O que estragou Kiss – Greatest Hits Volume 1 de forma destacada foi a enxurrada de erros crassos de português, recorrentes e espalhados em todas as páginas da revista, desde o editorial até o texto de encerramento sobre o Kiss (retirado, frise-se, da Wikipedia).

São erros de concordância verbal e nominal; ausência de vírgulas (principalmente em vocativos) e má colocação de outras; falta e uso indevido de crase; “há” em vez de “a” – e o contrário, também -; palavras mal grafadas (como “bizzara”, “sucúbos” e outras); sobra e falta de palavras numa frase, dificultando o entendimento; a super-heroína Guardiã Vermelha sendo chamada de “Guardião Vermelho”; e tantos outros deslizes que ficaria maçante listá-los na íntegra.

Fica a dica para um maior apuro editorial na, espera-se, sequência desta série de especiais em quadrinhos do Kiss.

Classificação

2,0

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