Kiss Kompendium

Por Marcus Ramone
Data: 18 fevereiro, 2011

Kiss KompendiumEditora: Collins Design – Edição especial

Autores: Stan Lee, Mort Todd, Spike Steffenhagem, Brian Holguin, Joe Casey, Scott Lobdell e Mike Baron (roteiros) e Alan Weis, Sal Buscema, John Buscema, Rich Buckler, Nate Palant, Dave Chlystek, Eric Lusk, Scott Pentzer, Angel Medina, Kevin Conrad, Clayton Crain, Jonathan Glapion, Mel Rubi, Derek Fridalfs, Peter Vale, Julia Ferreira (arte).

Preço: US$ 75

Número de páginas: 1280

Data de lançamento: Dezembro de 2009

Sinopse

Coletânea com todas as histórias em quadrinhos oficiais da banda de heavy metal Kiss, originalmente publicadas pelas editoras MarvelImage e Dark Horse, de 1977 a 2003.

Positivo/Negativo

A “banda mais quente do mundo” não apenas se inspirou nos gibis para compor o visual e as capas de seus discos, mas também entrou para a história da nona arte como o grupo musical que mais estrelou revistas em quadrinhos.

Sem contar as não oficiais, foram 56 HQs publicadas em quatro títulos próprios, durante mais de três décadas.

Curiosamente, oitos delas, exatamente as publicadas pela editora Kiss Comics Group, em 2007 e 2008, não foram incluídas nesta coletânea especial que resgata a rica história da banda nos quadrinhos.

Reeditando as HQs em ordem cronológica, Kiss Kompendium abre o espetáculo com Marvel Comics Super Special # 1, uma verdadeira aventura de super-heróis, no melhor estilo do que se produzia nos anos 1970.

Para os fãs do Kiss e dos quadrinhos da Marvel, ela tem um valor inestimável, por mostrar a banda no traço de ícones como John Buscema e Al Milgrom, dentre outros, e contracenando com personagens do naipe de Homem-Aranha, Vingadores, Quarteto Fantástico e Doutor Destino.

Kiss Kompendium

O roteiro não é nenhuma obra-prima e peca pelos diálogos bobos, principalmente entre os integrantes da banda. Mas como a ação se desenrola em um ritmo frenético e as cenas de combate têm muito apelo visual, nada mais importa.

Vale lembrar, contudo, um importante detalhe por trás dessa HQ, que confere a ela um respeito ainda maior do que o apelo de clássicos dos quadrinhos: a edição original foi a primeira daMarvel a atingir a casa os 400 mil exemplares vendidos, um feito superado somente quase 15 anos depois.

E mais: a tinta da primeira impressão do gibi continha o sangue de Gene Simmons (Demônio), Paul Stanley (Estelar), Ace Frehley (Celestial) e Peter Criss (Homem-Gato).

Nesta republicação, a bola fora ficou por conta da recolorização, que tirou o clima retrô ao eliminar as retículas e as cores chapadas. O resultado deixou os desenhos bastante escuros e com excesso de dégradé.

O mesmo aconteceu com a reedição de Marvel Comics Super Special # 5, com a agravante de que a HQ não é das melhores, embora valha a pena ver novamente o sempre instigante crossover do quarteto com os personagens da “Casa das Ideias”.

Kiss Kompendium

Fica claro que as novas cores serviram para padronizar todas as histórias em quadrinhos de Kiss Kompendium, formado em sua maior parte por aventuras originalmente colorizadas em computador.

Mas tudo melhora no encontro com os X-Men, parte integrante da revistaKissnation # 1. Escrita por Stan Lee, em 1996, no auge da “x-mania” e na época em que o Kiss voltava à formação original completa, a história brinca com realidades alternativas.

Começa com Stan Lee e a formação anterior do Kiss (com Bruce Kullick e Eric Singer no lugar de Ace Frehley e Peter Criss) bolando uma HQ da banda em três capítulos, com a participação do grupo de mutantes e do Dr. Estranho, nos desenhos assinados por Nate Palant, Dave Chlystek e Eric Lusk.

Misticismo, super-heroísmo e muita ação fazem da HQ uma deliciosa leitura, com momentos impagáveis, como a “cantada” de Gene Simmons em Psylocke.

Na sequência, Kisstory – A graphic history, uma HQ independente – e autorizada – traz os belos desenhos de Scott Pentzer e o roteiro bem bolado de Spike Steffenhagem.

A história tem pequenos trechos biográficos do Kiss, contados pelos próprios integrantes da banda, em meio a uma licença poética que atinge o surrealismo e a lisergia. Mais rock’n’roll que isso, impossível.

E chega, então, a “Era Image“, a melhor fase do Kiss nos quadrinhos, gráfica e editorialmente falando.

A série Psycho Circus – mesmo nome do disco lançado em 1998 – durou de 1997 a 2000 e levou os personagens ao reino do terror e do realismo fantástico, em histórias que mostravam violência, torturas psicológicas, assassinatos, tensão sexual, sadomasoquismo e outros temas adultos, sempre com o deísmo como pano de fundo.

Agora como entidades divinas, eles protagonizam – nem sempre presentes em toda a trama, mas como suporte para outros personagens – aventuras criadas por Brian Holguin e Angel Medina (com ocasionais edições desenhadas por Clayton Cain), mesma equipe que produziu dezenas de HQs de Spawn.

São o ponto alto de Kiss Kompendium e tomam a maior parte da edição, com 31 HQs.

A última sequência de histórias do livro mostra a fase da Dark Horse, com apenas 11 aventuras, em que a banda volta a ser um grupo de super-heróis, mas ainda como divindade arcana.

Essa mistura apresenta seres místicos e supertipos fantasiados, incluindo a vilã Christine Sixteen, inspirada em uma amante de Gene Simmons nos anos 1970 e que virou título de uma música do disco Love Gun (1977).

A edição conta ainda com reproduções de capas e matérias das revistas originais e um caderno com 22 páginas de fotos inéditas do Kiss.

Pesando cinco quilos, com capa dura (e sobrecapa com título e imagens em alto relevo), formato grande (20 x 32 cm) e quase 1300 páginas coloridas em papel couché – que dão ao livro uma espessura de oito centímetros -, Kiss Kompendium é uma publicação de luxo que se destaca na coleção de qualquer fã de quadrinhos.

Se o leitor for um “kissmaníaco”, então, o prazer de ter esta coletânea na prateleira da estante será dobrado.

Classificação

4,0

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