KUNG FU # 2

Por Toni Rodrigues
Data: 1 dezembro, 2007


Título: KUNG FU # 2 (Ebal) – Revista mensal

Autores: A Origem de Shang Chi, o Mestre do Kung Fu – Steve Englehart (roteiro), Jim Starlin (desenhos) e Al Milgrom (arte-final);

As Monstruosidades de Fu Manchu – Steve Englehart (roteiro), Alan Lee Weiss (desenhos) e Al Milgrom (arte-final);

Ilustração da Capa – Neal Adams.

Preço: Cr$ 5,00 (preço da época)

Número de páginas: 48 (em preto-e-branco, formato magazine)

Data de lançamento: Outubro de 1974

Sinopse: A Origem de Shang Chi, o Mestre do Kung Fu – O título já diz tudo. Esta é a história de como Shang Chi foi gerado e criado pelo Dr. Fu Manchu, para ser sua mais perfeita arma e como, ao descobrir a verdade sobre seu pai em sua primeira missão, o jovem se revolta contra aquele a quem foi ensinado a amar.

As Monstruosidades de Fu Manchu – Shang Chi é atraído para uma armadilha e precisa confrontar um grupo de sobreviventes das experiências de seu pai, sem saber que tudo foi monitorado pelo satânico Dr. Fu Manchu.

Positivo/Negativo: Houve uma época em que tudo chegava ao Brasil com mais ou menos um ano de defasagem em relação ao mercado norte-americano. Era assim com as músicas da parada, com os filmes do Oscar e com quase tudo mais nos anos 70. E foi exatamente o que aconteceu com a famosa Kung Fu Craze, que varreu os Estados Unidos entre 1972 e 1973.

O inusitado é que, aqui, tudo aconteceu muito rapidamente, quase ao mesmo tempo. A estréia dos filmes de Bruce Lee, sua morte trágica e o seriado Kung Fu aconteceram aqui entre o final de 1973 e o primeiro semestre de 1974. E, como nos Estados Unidos, foi uma onda de sucesso quase sem precedentes.

Em todo lugar havia camisetas com a estampa de Bruce Lee ou David Carradine. Surgiram paródias nos programas de humor, a Varig fez um comercial com um sósia de Carradine para anunciar sua rota para a China, a Marcha do Kung Fu foi um sucesso na voz de Djalma Dias no carnaval de 1975 e até filmaram uma pornochanchada: Kung Fu contra as Bonecas.

Nem é preciso dizer que pipocaram academias de Kung Fu pra todo lado, a maior parte com mestres picaretas, que não sabiam nada e queriam só ganhar dinheiro.

A Ebal entrou na onda com o lançamento desta revista, cujo primeiro número já foi resenhado aqui. Ela é uma fusão de várias publicações.

Em seu formato, segue a revista Deadly Hands of Kung Fu, da Marvel, de onde vem a segunda história aqui apresentada (tratava-se de uma publicação para adultos, no formato magazine, em preto-e-branco). Nela, as aventuras muitas vezes eram desenhadas com técnicas de meio-tom, mais elaboradas, e este foi o modelo editorial adotado no Brasil.

Mas a revista logo deixou de publicar personagens da Marvel e passou a usar também material da Charlton Comics, da DC, das Seleciones Ilustradas, além de muita coisa produzida aqui.

A história de Steve Englehart é bacana e os desenhos de Alan Lee Weiss são muito bons, com o uso evidente de fotografias como referências e uma arte-final caprichada de Al Milgrom.

Alan Lee Weiss foi um desenhista bastante promissor, que foi assistente de Neal Adams em seu estúdio e se lançou em carreira solo no começo dos anos 70, desenhando de tudo, mas com uma passagem mais marcante nas histórias de Shang Chi e do Capitão América.

Al Milgrom começou como arte-finalista, mas desenhou muitos personagens da Marvel e acabou virando um dos principais editores da “Casa de Idéias” antes da era Joe Quesada.

Já a Origem de Shang-Chi vem de uma revista no formato comic book, originalmente colorida. Por isso, os desenhos são relativamente mais simples. Esta é a primeira história do personagem publicada pela Marvel, apesar de não ter sido a primeira a sair no Brasil. Ela saiu originalmente no número 17 de Marvel Special Edition e a série acabou por tomar conta da revista.

Shang Chi aliás, foi um personagem criado para aproveitar um modismo, mas acabou sendo publicado durante 20 anos.

O fato é que a Marvel tinha adquirido os direitos para adaptar a série Kung Fu para os quadrinhos e negociado os direitos dos personagens do escritor britânico Sax Rhomer (a saber: o Dr. Fu Manchu, Dennis Nayland Smith, Dr. Petrie, Black Jack Tarr e Fah-Lo-Sueh) e resolveu mais ou menos misturar as duas coisas.

Steve Englehart é um roteirista conhecido e bastante respeitado. Foi ele quem criou Shang Chi, um personagem que nunca existiu nas histórias de Fu Manchu. Da série da TV, sobrou apenas o Kung Fu e a roupa e o cabelo do protagonista.

Para desenhá-lo, Roy Thomas, editor chefe da Marvel na época, chamou o então novato Jim Starlin, que fez um bom trabalho, mesmo cometendo um deslize, comum na época, mas imperdoável hoje: inventar “caracteres chineses” para usar como onomatopéias. Esta história foi depois reprisada depois pela Bloch Editores e pela Editora Abril.

Completam a edição duas matérias, uma sobre o seriado Kung Fu e outra sobre o filme Operação Dragão, além de uma lição de Karatê e uma bela capa de Neal Adams.

A revista é bastante rara, mas de vez em quando aparece nos sebos e sites de leilão.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.