L’amour: 12 Oz

Por Paulo H. Cecconi
Data: 22 dezembro, 2014

L’amour: 12 OzEditora: Mino – Edição especial

Autor: Luciano Salles (roteiro e arte).

Preço: R$ 37,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Novembro de 2014

Sinopse

Uma história sobre as possíveis consequências incomuns do amor.

Positivo/Negativo

Luciano Salles não gosta de obviedades. Ele não entrega o jogo e dá a comida mastigada. Pelo contrário, o autor convida você para uma experiência ativa de leitura.

Em vez de recostar no sofá e ler, o espectador deve manter-se atento a todo instante, e reparar nos detalhes e minúcias de cada página, em cada expressão, peça de roupa, horário nos relógios…

Tudo em suas histórias traz mensagens e pede voltas eventuais a páginas já lidas, afim de que se confirmem teorias e hipóteses. É uma experiência diferente, e o leitor deve estar disposto.

L’Amour é o trabalho mais recente de Salles, e é, como diz o título, uma história de amor.

O amor nem sempre acontece da forma que se espera. E, às vezes, é demonstrado por meio de atitudes que, para aqueles que não estão a par daquilo que constitui determinado relacionamento, fogem à norma padrão.

No gibi, as palavras de ordem são “tempo” e “movimento”. O tempo e toda sua inexorável fatalidade; o movimento e sua cruel imprevisibilidade.

Infelizmente, qualquer tentativa de resenhar a obra ficará aquém do que ela realmente tem a oferecer, ao menos sem entregar alguns dos alérgicos spoilers, o inimigo mais mortal da nova geração.

Além disso, um trabalho assim complexo abre espaço para inúmeras interpretações pessoais. Portanto, a resenha discorrerá, a partir de agora, sobre os aspectos técnicos do gibi.

O salto qualitativo do autor é evidente. O domínio de narrativa (destaque para a página 10) mostra o quanto Salles controla e conduz o olhar do autor de forma proposital, e aí se encontra sua maior força: as sugestões visuais.

Marcelo Maiolo prova ser um aliado valioso na entrega de recados estéticos, com suas cores que oferecem suporte imprescindível ao enredo.

O lançamento também marca a estreia da Mino, que fez um barulho estrondoso com sua chegada com de um press kit diferenciado e de extrema qualidade. A editora promete dar um gás nas publicações nacionais, atitude muito bem-vinda, especialmente quando se percebe, de imediato, a qualidade editorial e gráfica da HQ.

Com uma aparente influência do filme Amour, do genial diretor alemão Michael Haneke,  L ‘Amour: 12 Oz é uma das publicações que fecham com chave de ouro este excelente ano para os quadrinhos nacionais, e reforça o que se suspeitava quando O Quarto Vivente foi lançado: Luciano Salles vai longe.

Classificação

4,5

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