Legion of Super-­Heroes # 1

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 29 novembro, 2013

Legion of Super-­Heroes # 1Editora: DC Comics – Revista mensal

Autores: Keith Giffen (história e desenhos), Tom e Mary Bierbaum (história e diálogos), Al Gordon (coargumento e arte-final) e Tom McCraw (cores).

Preço: US$ 1,75

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Novembro de 1989

Sinopse

Esta edição marcou o início de uma nova era para a Legião dos Super­Heróis, com o salto de cinco anos na cronologia das histórias do grupo.

A Legião não existe mais, e o universo agora é um lugar muito mais sombrio e perigoso. Mas os sentimentos de esperança e coragem voltam a tomar forma quando um antigo membro da superequipe decide reunir seus companheiros, e novas ameaças não tardam a surgir.

Positivo/Negativo

“Cinco anos depois”.

Foi assim que a primeira edição da nova Legião dos Super­Heróis introduziu um futuro de grandes ameaças e virtudes indestrutíveis ao universo de personagens uniformizados da DC Comics, quebrando paradigmas e investindo na mudança.

Lançada em 1989, a nova série mensal resultou dos esforços do veterano artista Keith Giffen com os fãs de carteirinha Tom e Mary Bierbaum, sob a supervisão do editor Mark Waid. O time de criadores aceitou o desafio de suceder a vitoriosa fase do roteirista Paul Levitz, e já começou detonando tudo sem cerimônia.

A Legião começou como o “clube de heróis” do Século 30, inspirada nas lendas do Superboy e dando vida ao futuro colorido e cheio de esperança. O conceito foi aprimorado ao longo das décadas, resistindo como a revista feita para leitores apaixonados e muitas reviravoltas.

Mas nada havia preparado os fiéis seguidores para o salto de cinco anos e uma realidade em que a Legião estava desfeita, e o governo da Terra controlado por uma conspiração alienígena.

O título primou por um caráter de experimentalismo que deveu muito aos quadrinhos adultos da década de 1980, como Batman – O Cavaleiro das Trevas e Watchmen.

Além de toda a ambientação mais sombria para o Século 30, das tramas complexas e das caracterizações refinadas, Giffen apresentou a composição padrão de nove quadros por páginas, e havia longas seções de texto complementando cada edição. Codinomes e roupas coloridas também estavam ausentes na maior parte do tempo. Sociedade, economia e política futuras do Universo DC ganharam forma nas páginas da Legião, resultando numa das abordagens mais distintas e originais dos quadrinhos mainstream.

A investida dividiu opiniões, levando à publicação da segunda série mensal Legionnaries, com foco nos heróis adolescentes, e ao reboot completo anos mais tarde, a partir da saga Zero Hora.

Esta edição de estreia apresenta o novo contexto de histórias da Legião, a situação dos Planetas Unidos e as tentativas do herói Camaleão de reunir seus antigos companheiros. É num ambiente de desolação que o heroísmo volta a ganhar forma, mantendo vivos os ideais de cooperação e altruísmo no futuro distante. Infelizmente, os problemas na cronologia decorrentes de Crise nas Infinitas Terras levaram a revisões diversas logo nos primeiros números da série, incluindo a loira superpoderosa Laurel Gand como substituta histórica da Supergirl.

É irônico que, logo numa revista focada no desenvolvimento de cronologia pregressa, a interferência editorial tenha obrigado alterações no passado da equipe. Vale a pena observar as reações na seção de cartas, a base de fãs polarizada e a promessa de respeito por parte dos roteiristas.

Recentemente, a Legião dos Super­Heróis foi marcada por relançamentos constantes, com abordagens distintas em relação ao foco e à validade das histórias clássicas. Mesmo roteiristas consagrados como Mark Waid e Paul Levitz têm dificuldades em atrair novos leitores, e os heróis do futuro acabam vivendo das glórias do passado.

Assim, a proposta de Giffen e dos Bierbaums, no fim da década de 1980, passou para a história como mais uma dentre tantas versões do grupo, mas resiste na memória do público por sua ousadia e apuro técnico. Injustamente, a série permanece inédita no Brasil, apesar de ter sido anunciada na época pela Editora Abril, e nunca saiu em encadernado nos Estados Unidos.

Essas histórias desafiaram os fãs, mas é inegável que a experiência teve recompensas notáveis. Foi no momento mais sombrio do universo que um ideal heroico ressurgiu, tornando o grito de guerra de seus heróis ainda mais real: vida longa à Legião!

Classificação

4,0

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