Lex Luthor – O Anel Negro – Volume 1

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 9 março, 2012

Lex Luthor - O Anel Negro - Volume 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Paul Cornell (roteiro), Pete Woods (desenhos), Cafu e Bit, Pere Pérez, Sean Chen e Wayne Faucher (arte-final) e Brad Anderson (cores) – Publicado originalmente em Action Comics # 890 a # 895.

Preço: R$ 17,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Fevereiro de 2012

Sinopse

Para alcançar o poder absoluto, Lex Luthor busca a misteriosa energia dos anéis energéticos da Tropa dos Lanternas Negros.

Positivo/Negativo

Nos últimos tempos, Lex Luthor foi um personagens que sofreu com o excesso de retcons, versões conflitantes de personalidade e indefinição por parte dos escritores. O arqui-inimigo do Superman teve seu ponto alto como presidente dos Estados Unidos no Universo DC, mas depois disso ninguém parecia saber bem o que fazer com ele.

Revisões da origem do Homem de Aço, O legado das estrelas e Superman – Origem secreta trabalharam o passado de Luthor, mas seu presente permaneceu inexplorado. Brian Azzarello e Lee Bermejo assinaram uma das boas histórias do personagem no período, a aclamada Lex Luthor – Homem de Aço, recentemente encadernada pela Panini. No entanto, o avanço não se refletiu nas revistas mensais.

Então, quando a DC preparava para Superman o polêmico arco Solo, no qual o kryptoniano saiu numa caminhada pelos Estados Unidos, foi decidido que o título Action Comics seria estrelado por Luthor. E para essa proposta ousada e diferente, foram escalados o roteirista Paul Cornell e o ilustrador Pete Wood. O resultado positivo pode ser conferido neste encadernado, cuja capa destaca a participação da Morte, criação de Neil Gaiman para a série Sandman.

Uma das principais dificuldades ao trabalhar um vilão como personagem principal de uma história é como garantir o interesse sem torná-lo simpático demais ao público. Afinal, eles devem ser perversos e suavizar suas características só enfraqueceria a narrativa.

Felizmente, pode-se dizer que Paul Cornell não caiu na armadilha, apresentando o Lex Luthor que os leitores amam odiar. E embora decorrente dos eventos da megassaga A noite mais densa, este novo arco pode ser bem compreendido por leitores ocasionais com conhecimento médio do Universo DC, com ação num bom ritmo e diálogos espertos.

A busca pela energia dos anéis negros, ponto de partida da trama e motivação do criminoso, ganha contornos inesperados com a participação de grandes vilões como Gorila Grodd, Sr. Cérebro e Exterminador; e o escritor captura bem a “voz” de cada um.

Mas claro que a grande surpresa de Lex Luthor – O anel negro é mesmo a participação da Morte. Numa de suas raras aparições em revistas de super-heróis fora do selo Vertigo, a jovem de visual gótico faz companhia ao vilão depois que ele é baleado, ficando à beira da morte, e garante bons momentos para os apreciadores da personagem.

Narrada com a colaboração de Neil Gaiman, a história explora os dilemas de Luthor ao encarar seu possível fim e rever momentos importantes de sua vida. Fica difícil saber o que esperar de um personagem que já passou por tantas reformulações, mas o roteirista consegue balancear os elementos mais marcantes da personalidade do careca, lembrando até sua viagem ao inferno.

Não chega a ser brilhante, mas é bastante satisfatório. E prova que a inclusão dos Perpétuos no Universo DC tem tudo para render boas sacadas, desde que isso não seja usado em excesso.

Se o leitor considerar o nível das histórias do Superman nos últimos meses, fica claro que focar as edições de Action Comics no vilão foi uma aposta arriscada, mas funcionou. Tendo como acompanhante uma Lois Lane robótica, Luthor enfrenta os grandes vilões da DC em busca do poder e manifesta qualidades sombrias, com um senso de absurdo que funciona.

Destaque para a imagem mental de Luthor voando como o super-herói que jurou destruir, para enfrentar o Sr. Cérebro.

Na arte, Pete Woods realiza um trabalho de qualidade, ainda que sem grandes arroubos. Ele é o típico artista capaz de produzir bons desenhos de super-heróis, daqueles que nunca desapontam, mas também não chamam a atenção.

Fica agora a espera pelo segundo volume, a ser lançado em abril.

Classificação

3,0

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