A Liga Extraordinária – Século: 1910

Por Ronaldo Barata
Data: 18 fevereiro, 2011

A Liga Extraordinária - Século: 1910Editora: Devir Livraria – Edição especial

Autores: Alan Moore (roteiro), Kevin O’Neill (desenhos) e Bem Dimagmaliw (cores).

Preço: R$ 35,00 (capa cartonada), R$ 46,00 (capa dura)

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Outubro de 2010

Sinopse

A trama se passa em Londres, 1910, 12 anos após a fracassada invasão marciana. Também se passaram nove anos desde que a Inglaterra mandou um homem à Lua.

Trabalhando novamente para a Inteligência Britânica de Mycroft Holmes, ao lado de um rejuvenescido Allan Quatermain, do ladrão reformado Arthur Raffles, do investigador do sobrenatural Thomas Carnacki e do guerreiro imortal Orlando, a Srta. Mina Murray tenta desvendar o mistério por trás de uma mística sociedade secreta e se vê às voltas com a possível destruição de Londres, a coroação do Rei, a passagem do cometa Halley e o retorno do mais famoso assassino de mulheres da zona portuária, entre outras coisas.

Positivo/Negativo

Sem a força de ser uma novidade, como quando foi lançando o primeiro volume, nem o peso de um roteiro brilhante, como o visto no segundo, o terceiro álbum da série acaba sendo também o mais fraco.

A Liga Extraordinária – Século: 1910 segue com a premissa de resgatar e dar uma nova roupagem a personagens clássicos da literatura inglesa. Porém, sem a maioria dos que estrelaram as edições anteriores (permanecem apenas Mina Murray e o rejuvenescido Alan Quatermain), Alan Moore acaba remontando a equipe com nomes mais obscuros e muito menos charmosos.

Não há mais o sadismo encarnado de Hyde, a belicosidade insana de Nemo e nem a maldade explícita do Homem-Invisível. Não resta nem mesmo o estado de lamento de um Quatermain decrépito. Em vez disso, surge um grupo bem menos interessante, com personagens apáticos, que não empolgam.

O roteiro, um tanto “rocambolesco”, é bem feito (claro, não se esperaria menos de Alan Moore) e tem seus pontos fortes, mas, no geral, não vai muito além de acrescentar personagens à trama de um suspense que não causa o efeito que deveria.

O ponto alto fica para a subtrama da filha do Capitão Nemo.

Ironicamente – e até mesmo pela falta de empolgação do material de quadrinhos – o conto no final do álbum é o melhor dos três.

É claro que deve-se levar em consideração dois fatores. O primeiro é que o real terceiro volume da série é o Black Dossier, álbum composto mais de materiais extras (contos, cartas fictícias, textos explicativos etc.) do que de quadrinhos e que funciona como um prelúdio aos eventos deSéculo: 1910, não foi publicado no Brasil por conta de problemas de copyright internacionais (os eventos mais relevantes desse álbum inédito constam do resumo inicial da edição da Devir).

O outro fator é que A Liga Extraordinária – Século: 1910 é o primeiro de três livros (os próximos ainda estão em produção) e, talvez, esta parte represente apenas a introdução da história completa.

Já no que diz respeito à arte, a obra não deixa nada a desejar às suas antecessoras. Kevin O’Neill mostra que sabe mesmo “brincar” dentro dos requadros.

Apesar dos pesares, A Liga Extraordinária – Século: 1910 ainda é um material de qualidade e vale a pena para os fãs da série.

Classificação

3,5

• Outros artigos escritos por

.

.

.