Limiar: Dark Matter

Por Charlles Lucena
Data: 23 dezembro, 2016

Limiar: Dark MatterEditora: independente – Edição especial

Autores: Luciano Salles (roteiro e arte) e Marcelo Maiolo (cores).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas : 48

Data de lançamento : Novembro de 2015

Sinopse

Com a morte de um confrade, dois amigos, Nádio e Carino, vão quebrar o status quo em busca de vingança por meio da memória do que partiu.

Positivo/negativo

Pow! Dessa forma, com os dedos indicador e médio apontados, como se simulasse uma arma de fogo, Carino atinge fatalmente a testa do servidor de acesso que o perseguia, assim como aos amigos Nádio e Amerício. Este último já se encontra “memorizado”, o que seria o equivalente à morte no futuro distópico conduzido com inquietação e energia vibrante pelo paulista Luciano Salles.

Apesar de não ter sido inicialmente intencional, Limiar: Dark Matter se desenha como o último terço da trilogia iniciada com O Quarto Vivente (independente, 2013) e L’amour: 12 oz (Mino, 2014), suas obras anteriores,que parecem se situar em um mesmo e estranho universo, caoticamente conduzido por Salles, dono de um traço nervoso e detalhista, rompendo o status quo do que se vê no atual mercado nacional de quadrinhos.

Assim como a arte de Salles, os personagens de Limiar também estão dispostos a quebrar as regras. São eles Carino e Nádio, dois terços do grupo de confrades (eles se tratam dessa forma), reunidos após a “memorização” do terceiro elemento da trupe, Amarício.

A ruptura vem por meio da ingestão de Dark Matter, uma potente e antiga substância psicoativa, que os levam a sair da inércia e a reencontrar o já falecido amigo.

O Dark Matter é como a pílula vermelha da trilogia de filmes Matrix ou a toca do coelho de Alice no País das Maravilhas. Uma abertura para um até então novo mundo, o que contraria os interesses dos chamados servidores do equilíbrio, os censores desse asséptico mundo, onde “tudo é porque é”.

É uma verdadeira vingança contra o sistema, contra o conformismo, a partir do momento que os personagens resolvem interromper a ingestão de suas doses de metais representativos diários (antidepressivos? controle social? repressão?) e a atirar para todos os lados usando apenas os seus dedos.

A arte de Luciano é complexa e arrebatadora, assim como o intrincado labirinto no qual ele tece seus roteiros, cheios de referências e entrelinhas, o que faz o leitor recorrer a diversas releituras para melhor compreensão da obra. Mais um tiro certeiro do autor, amparado pela ousada paleta de cores de Marcelo Maiolo (Arqueiro Verde, O Velho Logan). Pow!

Classificação

4,0

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